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Giro nos Estados

Projeto apoiado pelo Centelha Goiás contribui para redução de custo de produção de joias e semijoias

A joia é um adorno que sempre esteve presente na história da humanidade. Seu processo de produção passou por inúmeras transformações. Atualmente, para atender ao mercado consumidor globalizado, a indústria joalheira tem investido em inovação para implementar processos simples, com uma produção mais rápida e com menos desperdício.

Em meio a essa necessidade de oferecer excelência em qualidade e produtividade e reduzir custo de produção de joias e semijoias, três empreendedores goianos resolveram, há três anos, investir no desenvolvimento e fabricação de soluções tecnológicas para o setor. Eles enxergaram no processo de automatização da produção, que há anos é dependente de tecnologias e equipamentos importados da Europa, Japão e China, uma oportunidade de negócio.

“Percebemos uma carência de equipamentos de precisão para injetar cera nos moldes de silicone, diante de perdas pela imprecisão das máquinas de injeção e centenas de horas dedicadas ao acabamento das joias. Constituímos uma equipe que uniu o conhecimento técnico em automação de máquinas com a experiência na fabricação de joias e semijoias para desenvolver um equipamento que pudesse atender as necessidades de padronização e otimização aliadas à precisão e qualidade de acabamento superiores às concorrentes importadas. “Uma solução 100% nacional”, diz Wander K Correa, gestor de negócios do grupo.

MaxInject

Engenheiro de software Roney Valdez

O mestre joalheiro Paulo Medeiros, com mais de 35 anos de experiência na fabricação de joias e semijoias, o engenheiro de software Roney Valdez, profissional da área de tecnologia de automação e o gestor de negócios Wander Kenne Correa se uniram e idealizaram a Maxinject, uma máquina injetora de cera a vácuo para produção de joias e semijoias em escala industrial.

“Hoje nosso produto encontra-se pronto para ganhar o mercado nacional. As etapas do desenvolvimento e validação da Maxinject foram concluídas em 2020. Estamos investindo agora, com o apoio do Programa Centelha, na produção e comercialização do lote inicial de seis unidades. Pretendemos estruturar essa produção em escala industrial”, diz Correa. A proposta foi uma das selecionadas pelo Programa Centelha, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e operada pela Fundação Certi. Em Goiás, o programa é executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).MaxInject 1

O Programa Centelha visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Brasil. O programa oferece capacitações, recursos financeiros em forma de subvenção econômica e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso. “Com o Programa Centelha aprimoramos os aplicativos, desenvolvemos uma nova bomba de vácuo inteligente aumentando nosso portfólio de produtos e realizamos o pré-lançamento da Maxinject, detalha Wander Kenne. Os recursos oferecidos pelo Centelha não precisam ser devolvidos, são de subvenção econômica, no valor de R$ 60 mil.

“O dinheiro foi fundamental para alavancar a produção do lote inicial de injetoras e viabilizar os primeiros eventos para expor nosso equipamento ao público-alvo. Iniciamos as demonstrações no mercado goiano, mas já partimos para os maiores polos produtores de joias e semijoias no Brasil como São Paulo, Rio Grande de Sul e Minas Gerais”, comemora Wander Correa.

Integrada via aplicativo para smartphone, a Maxinject pode ser acionada remotamente via wifi. Os idealizadores da máquina injetora explicam que ela é compacta, robusta, de fácil manuseio e operação via tela touch de 7 polegadas. Possui 32 memórias programáveis e capacidade de produção de até mil peças injetadas por turno. Todas as etapas do processo de injeção de cera nos moldes são controladas por software via atuadores pneumáticos e sensores digitais de temperatura e pressão. Possui configuração e parametrização específicas para cada tipo de molde e um sistema de injeção com o monitoramento da temperatura da cera no pote e na seringa, bem como o controle e monitoramento do tempo de injeção, volume de cera injetado e vácuo.Maxinject 2

Wander Correa explica que atualmente os processos de fabricação de joias e semijoias ou são manuais ou dependem de tecnologia e equipamentos importados de alto custo. Segundo ele, manualmente, um joalheiro com experiência consegue fabricar cerca de dez peças por dia. “Vimos então essa oportunidade de negócio e chegamos ao patamar de uma produção com qualidade e precisão utilizando nossa injetora podendo fazer até duas mil peças por dia”. Wander Correa destaca que os equipamentos importados têm um alto custo de aquisição e em caso de reparo ou manutenção necessita de peças que não existem no Brasil. “Isso acarreta uma demora acentuada nos reparos deixando uma área vital da produção parada por semanas ou meses. Outro fator importante que ocorre pela falta de peças é o sucateamento do parque instalado,” ressalta o empreendedor.

Correa ressalta que o mercado de joias e semijoias no Brasil está em franca expansão e que envolve cerca de 3.300 empresas de pequeno, médio e grande porte. A expectativa é que o seu equipamento possa atender a esse mercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Goiânia tem mais de 40 indústrias que produzem e vendem peças para todo o País e para alguns países da América Latina, Estados Unidos e Europa.

 

Fonte: FAPEG GO em 10/03/2021

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