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Giro nos Estados

Professores da Bahia fazem manifestações no início das aulas para o 3º ano

Professores em greve há mais de 70 dias na rede estadual de ensino da Bahia participaram de manifestações na manhã desta segunda-feira (25) em frente a escolas que iniciaram aulas para os estudantes do 3º ano do ensino médio em Salvador.

No Colégio Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, um carro de som foi utilizado para comunicar aos pais e professores o posicionamento do sindicato sobre a volta parcial às aulas. “Isso não resolve a situação. O pessoal não foi preparado para um trabalho específico de pré-vestibular. Os alunos não vão ter nota e não vai corresponder aos 200 dias letivos”, avalia a professora Edenice Santana, que se apresentou como pertencente ao comando da greve.

O presidente do sindicato da categoria (APLB-BA) informou que também houve manifestação na frente da Escola Estadual Teixeira de Freitas, no bairro de Nazaré. “Amanhã [terça-feira], temos mais uma assembleia, às 9h, na Assembleia Legislativa da Bahia. A greve continua. Não temos marcada nenhuma negociação nova com o governo do estado”, informa o sindicalista. Durante a manhã, panfletos foram distribuídos aos pais e estudantes.

A dona de casa Maria da Ajuda Santos contou ao G1 que encontrou uma confusão quando chegou junto com a filha adolescente ,por volta 7h desta segunda-feira, na Escola Estadual Davi Mendes, no condomínio Colinas de Pituaçu, no bairro de São Marcos. “Estava tumultuado. Tinham kombis com som alto e professores falando sobre a negociação da categoria. Os alunos entraram na escola, mas depois minha filha ligou para dizer que não estava tendo aula'”, relata.

Maria da Ajuda é mãe de uma estudante de 16 anos, que deveria concluir o ensino médio este ano. “Minha filha nunca perdeu de ano e esse ano está perdido. Não sei como vai ficar o Enem e o vestibular”, teme.

Retorno

Os alunos do 3º ano do ensino médio retomam as aulas na manhã desta segunda-feira (25), ainda durante a greve dos professores da rede estadual de ensino. A decisão foi anunciada na semana passada pela Secretaria de Educação para atender 22 mil estudantes que vão prestar os vestibulares e realizar a prova do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).

As aulas foram marcadas para começar às 7h30 em 19 instituições de ensino de Salvador. Para saber em qual unidade vai estudar, os alunos podem acessar o site da secretaria. Informativos foram disponibilizados na portaria de cada escola e nas portas das salas para orientar professores e alunos.

Segundo informações do governo do estado, as unidades vão atender às escolas da região próxima, a fim de evitar que os estudantes façam grandes deslocamentos. Além disso, eles permanecerão em suas turmas originais, preservando turno e horário regular matriculados. De acordo com a secretaria, a única diferença será a mudança no espaço físico.

Medida
Os alunos do 3° ano do ensino médio retomam as aulas na tentativa do governo de reverter o atraso de mais de 70 dias no ano letivo, período em que se estende a greve dos professores estaduais, que continua por tempo indeterminado.

A medida foi anunciada pelo secretário de Educação, Osvaldo Barreto, na manhã de quarta-feira (20), e faz parte de um plano emergencial montado pela pasta para reforçar a formação educacional e garantir a participação dos cerca de 22 mil jovens no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e vestibulares.

Para isso, as atividades serão ministradas por 545 professores que atuam em estágio probatório, regime obrigatório de “avaliação”, que dura dois anos, 706 contratados pelo Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), além de profissionais que não aderiram ou que encerraram a participação no movimento. As aulas acontecem em 19 escolas-polo, distribuídas em regiões distintas da cidade. A definição das unidades teve como critérios localização e estrutura.  As aulas ocorrem nos três turnos – manhã, tarde e noite – e, em média, as turmas não devem extrapolar a quantidade de 40 estudantes.

“Não há alteração na composição de cada turma. Todos os colegas estarão juntos. Os polos irão receber turmas do 3° ano de diversas escolas do mesmo bairro. É uma ação complexa, a Secretaria se preparou, estamos prontos para executá-la e temos certeza do êxito”, diz o secretário. Dentre os bairros contemplados estão Brotas, Cabula, Vitória, Nazaré, Liberdade, Costa Azul, Rio Vermelho, Itapuã, Mussurunga, Tancredo Neves, Cajazeiras, Castelo Branco, Cidade Baixa, Pau da Lima, São Caetano/São Martins, São Caetano, Periperi, Plataforma e Paripe. A lista completa das escolas está anexada no site da secretária.

De acordo com o secretário, a adesão dos convocados é expressiva. Na reunião de terça-feira (19), que ocorreu no Instituto Anísio Teixeira, dos 465 previstos, apenas 15 não compareceram. O segundo e último encontro, que visa apresentar a proposta pedagógica, ocorre na manhã desta quarta, no mesmo local. Osvaldo Barreto avalia que não será necessário adotar “medidas punitivas” pelo não comparecimento dos convocados. “Entendemos que o professor é obrigado a cumprir a lei. Trabalhamos com o discurso político de mobilizacao dos professores pela consciência. Todos nós devemos garantir a participação dos alunos no Enem”, pontua.

Outras medidas
No pacote de medidas, está prevista a realização de “Aulões Enem” coordenado pelo professor de português Jorge Portugal, com o apoio de  professores especialistas. Ao todo, serão 384 “aulões” em 24 polos de toda a Bahia – 13 unidades na capital e 11 no interior. Cada sessão será acompanhada por quatro professores, que irão enfatizar 32 temas considerados mais recorrentes nas provas do exame. Em Salvador, as aulas ocorrem às segundas e quartas-feiras, na Escola Parque, localizada no bairro da Caixa D’Água, e serão transmitidas pela TV Educadora. A estreia está marcada para a quarta-feira (27), às 9h. No interior, as aulas ocorrem sempre aos sábados. “Cada ‘aulão’ terá de 500 a 700 alunos”, detalha o secretário.

O reforço será exercido ainda por meio do projeto “É Bom Saber”, que é parte da política de educação do estado desde o ano passado. O objetivo do programa é melhorar o desempenho dos alunos através de 175 programas de 26 minutos gravados em formato de “revista” e que abordam “temáticas contemporâneas” frequentes em Enem e vestibulares. Os alunos podem assistir às aulas na programação da TVE e nos sites do Iderb e da Educação.

Adesão à greve
O secretário Osvaldo Barreto aproveitou a ocasião para criticar a postura dos sindicalistas de estender a greve sem considerar os vestibulandos e garantiu que não existe a possibilidade de nova proposta por parte do governo. “É lastimável a posição do comando da greve nessa direção. Pedimos que eles abandonem a ideia de bater recorde [de tempo] com a greve, isso não interessa a ninguém. Dos 417 municípios, nos aproximamos de 300 municípios sem nenhuma dimensão de greve, que se concentra basicamente em Salvador e em Feira de Santana”, afirma.

A situação de cada escola, segundo ele, é acompanhada através de um sistema interno, alimentado pela secretaria com base nas informações das 33 diretorias regionais do estado. Na capital, do total de 1.412 escolas, por exemplo, a secretaria aponta que as aulas já estão normalizadas em mil unidades. O sindicato da categoria (APLB) nega o dado e reafirma que o movimento quer negociar com o governo. Para Marilene Betros, vice-coordenadora da APLB, a quantificação do governo inexiste e é uma tentativa de enfraquecer o pleito da categoria.

Movimento grevista
Os professores pediram reajuste de 22,22%. Eles alegam que o governo fez acordo com a categoria, em novembro do ano passado, que garantia os valores do piso nacional, e depois ignorou o acordo mandando para a Assembleia um projeto de lei com valores menores. No dia 25 de abril, os deputados aprovaram o projeto enviado pelo executivo que garante o piso nacional a mais de cinco mil professores de nível médio.

Fonte: G1

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