Giro nos Estados

Produto inovador tem crédito especial em MG

Pequenas empresas mineiras estão recorrendo a financiamentos bancários especiais para desenvolver produtos, canais de distribuição e ampliar a infraestrutura de negócios. A PPV Informática quer aumentar a venda de softwares e teclados musicais para deficientes. A WayCarbon, de gestão de ativos ambientais, aplica em uma nova sede. As duas companhias receberam mais de R$ 500 mil em crédito.

Sediada em Belo Horizonte, a PPV foi criada em 2002 pelo administrador Roberto Bittar. “Somos uma simbiose entre uma empresa e uma ONG. Acreditamos que é possível ter sustentabilidade financeira desenvolvendo produtos com fins sociais”, diz.

O negócio foi fundado para entregar soluções digitais de ensino de música para crianças. Porém, a partir de 2007, mudou o foco para atender alunos com deficiência mecânica, causada por danos físicos ou mentais. Bittar, um amante da música, toca saxofone e faz apresentações públicas na capital mineira.

“A conquista da independência do deficiente está diretamente ligada à capacidade de interagir e trabalhar, utilizando as novas tecnologias”, afirma o empreendedor, que comanda dez funcionários. O design do teclado da PPV foi adaptado às necessidades especiais dos usuários e elimina problemas como ter de apertar duas teclas para originar caracteres. Bittar finaliza o primeiro lote de 300 unidades, já reservadas, para prefeituras de Minas Gerais e de Pernambuco.

Em 2012, a empresa deve faturar R$ 1,2 milhão, um pouco abaixo do R$ 1,5 milhão que obteve no ano passado. “O maior desafio é enfrentar a falta de canais de venda e de componentes adequados para a criação dos produtos”. Este ano, a meta de Bittar é investir R$ 1 milhão. Até agora, já aplicou R$ 320 mil emprestados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) para reforçar o canal de distribuição e a área de desenvolvimento para os moldes dos teclados e softwares. O restante do investimento virá de recursos próprios.

Lançado em julho de 2011, numa parceria entre o BDMG e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o programa Pró-Inovação financia projetos de desenvolvimento ou implantação de produtos, processos e serviços inovadores. Já foram liberados R$ 13,6 milhões para 23 empresas mineiras e há 64 companhias enquadradas no programa.

Na WayCarbon, o investimento em 2012 será de R$ 220 mil, financiados pelo BDMG, segundo o sócio Henrique de Almeida Pereira. O aporte faz parte da Proptec, uma linha de financiamento destinada a empresas que se instalam em parques tecnológicos. Será direcionado para a nova sede da empresa, no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), inaugurado em maio de 2011.

Lançado em julho de 2011, a Proptec oferece recursos com juros a 9% ao ano para empresas selecionadas ou já instaladas em parques. Há seis empresas com financiamentos liberados e duas em contratação, totalizando R$ 4 milhões em desembolsos.

A WayCarbon presta assessoria sobre mudanças climáticas, em gestão de ativos ambientais e no desenvolvimento de estratégias corporativas para a economia de baixo carbono. Foi fundada em 2010, a partir da fusão da paulista Key Associados e da mineira Mundus Carbo, consultorias em créditos de carbono e negócios do clima. O faturamento em 2012 deve alcançar cerca de R$ 4,6 milhões, R$ 600 mil a mais do que o resultado obtido em 2011. “Os contratos fechados já garantem 85% desse faturamento”, diz Pereira. A WayCarbon tem 30 funcionários.

Fonte: Valor Econômico

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