Giro nos Estados

Pesquisadores do AM se dedicam ao estudo dos insetos aquáticos

A maioria das pessoas cresce acreditando que insetos só podem viver na terra e voando. Mas não é bem assim,  uma parte das espécies vive também na água, são os insetos aquáticos.

De acordo com a entomologista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Neusa Hamada, essas espécies passam pelo menos uma das fases de sua vida na água, areia, pedras ou troncos submersos.

E têm dois tipos de desenvolvimento, podendo ser holometábolos, no qual todos os estágios são vividos na água; ou hemimetábolos,que passam pela chamada ‘metamorfose incompleta’, quando apenas os estágios iniciais são na água.

Hamada estuda os insetos há quase 30 anos e conta que passou a gostar de trabalhar nesta área quando organizava as coleções ainda durante a faculdade.

Ao longo da vida acadêmica, a pesquisadora passou pelo mestrado e doutorado em entomologia, sempre trabalhando dentro e fora do Brasil.

Seus estudos se concentram no Pium também chamado de borrachudo, por considerar uma família ‘pequena’, de cerca de 100 espécies no Brasil e quase três mil no mundo. “O borrachudo é uma família considerada não tão rica comparada a outras que em um igarapé podem ter 100 espécies”,  justifica.

Contando agora com uma equipe de aproximadamente 10 pessoas, incluindo bolsistas graduados, mestres, e estudantes com pós-doutorado, conseguiu e ampliou as espécies estudadas. “O acervo que temos hoje só foi possível por causa dos alunos, se estivesse sozinha estaria trabalhando só com o Pium, não tenho condições de abraçar isso tudo sozinha. Com esses alunos eu ampliei a área com libélulas e mariposas, os mais conhecidos das pessoas, mas o trabalho também é feito com colaborações de especialistas de outros Estados” contou.

O PROCESSO DA CAPTAÇÃO

Existem duas maneiras de iniciar uma pesquisa neste campo. Segundo Hamada, o mais comum é o pesquisador já chegar interessado em determinada espécie, ir para o campo e voltar para o laboratório.

Então, do material coletado, uma família é escolhida, ou seja, um grupo específico. O material que não for usado fica na coleção para futuras análises.

A pesquisadora já consegue mensurar a quantidade de espécies catalogadas. “Não trabalhamos somente no Amazonas, trabalhamos fora daqui nos outros Estados da Amazônia e do Brasil também. Quem trabalha com taxonomia não fica muito restrito a um local, porque o importante é ampliar a área de estudos”, disse.

PROJETOS EM ANDAMENTOS

Demonstrando a importância do estudo dos insetos, Hamada conta que existem dois projetos em andamento, um deles recebe recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por ser um programa realizado em todo o País. Este  estudo é sobre as variações populacionais do Pium, buscando identificar as espécies  muito próximas para separar e diferenciar os que podem transmitir doenças, pois cerca de 10% das espécies do Pium picam o homem e podem transmitir doenças como a Onconcercose, também conhecida como ‘cegueira  dos rios’.

Além disso, por meio do edital de popularização da ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), a equipe ganhou recursos para produzir um novo livro educativo infantil intitulado ‘Insetos radiais’, por conta do tema da Semana  Nacional de Ciência e Tecnologia, ‘Ciência, Saúde e Esporte”.

Fonte: SECTI-PA

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