Giro nos Estados

Pesquisadores estudam comportamento produtivo de castanheiras no Acre

A região Norte é responsável pela maior parte da produção nacional de castanha-do-Brasil e os principais estados produtores são o Acre, o Amazonas e o Pará. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013 foram produzidas 36.704 toneladas da amêndoa com casca na região, movimentando cerca de 68 milhões de reais.  Aproximadamente 20 mil famílias realizam a coleta do produto como principal fonte de trabalho e renda. Para conhecer aspectos dessa produção, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Acre (Ufac) vêm monitorando o comportamento produtivo de castanhais acrianos.

Os estudos vão avaliar a variação anual da produção de castanha nos estados do Acre, Amapá, Roraima e Mato Grosso, em continuidade a pesquisas realizadas pela Embrapa desde 2010. No Acre, a coleta de dados realizada entre fevereiro e início de março, nos seringais Cachoeira (Xapuri) e Filipinas (Epitaciolândia), foi coordenada pela pesquisadora da Embrapa, Lúcia Helena Wadt, e pelo professor da Engenharia Florestal da Ufac, Thiago Augusto da Cunha. A atividade contou com a participação das pesquisadoras Karen Kainer, da Universidade da Flórida, e Christina Staudhammer, da Universidade do Alabama, que estiveram no Acre no período de 23 de fevereiro a 7 de março, para realizar ações dos projetos.

As pesquisas — desenvolvidas no âmbito dos projetos “Impacto da exploração madeireira planejada nas populações de castanheira (‘Bertholletia excelsa’)”, executado pela Embrapa-AC, e “Produção e dinâmica da população de castanheiras (‘Bertholletia excelsa’) ao longo da Amazônia Oriental: Ecologia, meio ambiente e manejo como diretrizes da produção”, coordenado pela Engenharia Florestal da Ufac — foram aprovadas em 2014, no Programa Brasileiro Ciência Sem Fronteiras, na modalidade Pesquisador Visitante Especial. Contam com a parceria de universidades americanas e vão dar continuidade a estudos sobre a produção de castanheira na Amazônia.  O projeto coordenado pela Engenharia Florestal da Ufac também temo apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior (Capes).

Os projetos em andamento possuem  objetivos convergentes, no sentido de buscar avançar na produção de conhecimentos científicos sobre o comportamento de castanheiras, considerando a realidade  da Amazônia; promover o intercâmbio de conhecimentos científicos; fortalecer e ampliar parcerias institucionais e com outros grupos de pesquisa atuantes na Amazônia; e divulgar os resultados na comunidade científica, por meio de publicações especializadas, e em linguagem apropriada para as comunidades extrativistas, técnicos da extensão florestal e gestores das reservas onde as pesquisas estão sendo realizadas.

Resultados preliminares

Os primeiros resultados da produção de frutos revelam que as áreas estudadas apresentam comportamento produtivo distinto. Comparando dados obtidos em pesquisas anteriores, os pesquisadores observaram que no seringal Cachoeira (Xapuri) as árvores monitoradas vêm mantendo uma produção consistente, enquanto no seringal Filipinas (Brasileia) a produção de ouriços oscilou entre 50 e 250 ouriços por árvore. Na safra 2014-2015, as castanheiras monitoradas no Cachoeira produziram, em média, seis vezes mais ouriços que as castanheiras do seringal Filipinas. Neste seringal, 31% das castanheiras avaliadas não produziram nenhum ouriço, ocasionando queda na produção. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Lúcia Wadt, esse é o maior percentual de árvores não produtivas verificado nos últimos dez anos de monitoramento.

O percentual de árvores não produtivas no seringal Cachoeira foi de apenas 3%. “Em 2015, cada castanheira monitorada rendeu, em média, 236 ouriços. Considerando que nessa área existe pelo menos uma castanheira produtiva por hectare,  e a lata de castanha a R$ 30, numa colocação de 300 hectares isto possibilitaria uma renda anual familiar de R$ 30.340”, afirma Lúcia Wadt.

Confira dados da produção de castanha nos últimos seis anos, nas áreas monitoradas:

Embrapa

Fonte: UFAC

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