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Giro nos Estados

Pesquisadora do MS cita desafios para a educação pós-pandemia

A educação foi uma das primeiras áreas da sociedade a sofrer com os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil. Com o avanço da doença nos estados brasileiros, as aulas presenciais foram migradas para o Ensino a Distância (EAD), com atividades disponibilizadas em plataformas on-line. A experiência, inédita no país, mostra uma necessidade de reavaliar o papel da tecnologia na educação, o acesso da população à uma internet de qualidade e a importância do trabalho do professor na construção da aprendizagem.

“É uma questão muito complexa para a gente analisar neste contexto tão próximo de tudo que está acontecendo. O que eu poderia dizer de antemão pensando que a gente tem pouco mais de 30 dias na educação básica e ensino superior vivenciando essas mudanças sociais e educacionais, é que a pandemia e o isolamento alteram a organização educacional do ensino, no caso a organização do trabalho pedagógico”, explica Andreia Nunes Militão, professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e líder do Grupo de estudo e pesquisa de políticas educacionais e formação de professores da instituição.

De acordo com Andreia, a educação no Brasil é organizada tradicionalmente no âmbito presencial, com aulas dentro do espaço da instituição escola, onde os alunos e professores se encontram durante 200 dias letivos. “Neste momento, nós temos uma alteração dessa rotina educacional, que tem um tempo e espaço escolar determinados. Também ocorreu uma aproximação e a adoção de recursos tecnológicos para suprir essa relação que era presencial, com aulas dialogadas entre professores e alunos”, pontua.

O contato que durante anos foi presencial entre professor e aluno agora é intermediado pela tecnologia e as chances dessa nova concepção permanecer por alguns meses se torna cada vez mais plausível. Mesmo com a antecipação do recesso escolar do mês de julho adotada por alguns estados, inclusive Mato Grosso do Sul, os números de contaminados pelo novo coronavírus ainda não recuaram, o que indica uma possível permanência das crianças em casa.

Na lista de desafios apontados pela professora estão o difícil acesso a internet no Brasil por grande parte da população, além da falta de um ambiente adequado para o estudo dentro de casa e a orientação que o aluno necessita para cumprir as tarefas, principalmente estudantes da educação básica. “Nós temos no Brasil uma realidade muito dispare em relação as condições de vida de uma parte da população, que não tem acesso as tecnologias, como celulares mais modernos, tablets, e também o acesso a internet por meio desses aparatos”, exemplifica Andreia.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – tecnologia da informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 46 milhões de brasileiros não tem acesso a internet. Em áreas rurais, o número é ainda maior, cerca de 53,5% dos moradores estão distantes da rede.

Dos desconectados, 41,6% não sabem usar o serviço, enquanto 34,6% não tem interesse. As condições socioeconômicas são responsáveis por 11,8% da população distante da internet, enquanto 5,7% acha o equipamento necessário para o uso, como celular e tablets, caros demais. “Ainda tem a qualidade da internet. Eu mesma estou usando uma, considerada 5G e ela está oscilando, caindo com frequência”, explica a professora.

Neste cenário, a educação precisa encontrar um caminho. Para Andreia, a escola presencial é insubstituível, por ser o lugar onde as relações humanas acontecem de forma democrática e dialógica. Porém, esse status não diminui também a importância da Educação a Distância. “Ela tem uma importância principalmente em algumas regiões do Brasil, que é difícil a chegada do da escola presencial. O que podemos pensar é usar a EAD de forma complementar e não substitutiva da educação presencial”, pontua.

Alternativas

Andreia defende que uma alternativa é estender o ano letivo de 2020 para 2021, mantendo o conteúdo escolar programado para as turmas. “De acordo com a LDB de 1996, nós temos que cumprir os 200 anos letivos, com as 800 horas. Mas, a gente pode em situações de calamidades, sobretudo climáticas e econômicas ou quaisquer questões locais, a gente pode reorganizar esse calendário escolar, a ideia é de fazer isso de forma presencial, não substituindo com atividades a distância. Se usar esse recurso vai aumentar as desigualdades sociais”, acredita.

Para a professora, outra alternativa viável é aumentar as horas de aula quando o ensino presencial retornar. “E usar como complemento deste ensino, as atividades em plataformas a distância”, frisa.

Fonte: FUNDECT MS (adaptada)

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