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Giro nos Estados

Pesquisa gera indicadores para aumentar produção de milho em Alagoas

Projeto é um dos contemplados no Programa de Desenvolvimento Científico Regional

Pesquisa gera indicadores para aumentar produção de milho em Alagoas

Bolsistas da Fapeal participam da pesquisa

Foi-se o tempo em que era só semear, esperar chover e colher. Nos dias de hoje, existe muito mais tecnologia entre a semente e a colheita do que supõe nossa vã filosofia. Um exemplo disso é a pesquisa desenvolvida no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ceca/Ufal), no polo de Rio Largo, que utiliza o milho como base em seus experimentos e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), por meio de bolsas e auxílios.

A pesquisa intitulada “Influência de níveis de irrigação e doses de nitrogênio sobre o desenvolvimento e a produtividade de milho nos Tabuleiros de Alagoas” é conduzida pelos doutores pesquisadores Cícero Teixeira, Guilherme Lyra e Ricardo de Araújo Teixeira e coordenada pelos também doutores José Leonaldo e Iêdo Teodoro. A equipe conta, ao todo, com 17 pessoas.

“Escolhemos o milho porque faz parte de 70% da alimentação do povo nordestino, sendo um produto de extrema importância para nossa região, inclusive também utilizado na alimentação dos animais”, destacou Cícero Teixeira.

Entendendo a pesquisa

Os experimentos ainda estão no início e devem durar dois anos. “Na prática, testamos épocas de plantio. O grande desafio é que haja uma otimização da água da chuva. Plantamos em diversas épocas sem irrigação. Desenvolvemos um calendário agrícola para que o agricultor possa plantar na melhor época pluvial”, contou o pesquisador Guilherme Lyra.

O projeto conta com a ajuda de uma estação meteorológica que envia informações sobre temperatura, precipitação, velocidade dos ventos, radiação solar, umidade do solo e umidade relativa do ar. Os dados são utilizados para a elaboração do Kc (coeficiente de cultura ligado à irrigação), razão entre o consumo de água na grama pela cultura, auxiliando na determinação da quantidade de água em relação à grama. Tudo isso para determinar o balanço hídrico, quantidade de água que a planta precisa.

Em seguida os pesquisadores adicionam nitrogênio às plantas. “O nitrogênio é o elemento que o milho mais utiliza, e está diretamente ligado ao processo de fotossíntese para produção de biomassa”, complementou Lyra. O experimento no Ceca tem 2 hectares, 4 sementes por metro, 0,80 cm de espaçamento entre as linhas e 50 mil plantas por hectare.

“Nosso principal objetivo é aliar as melhores épocas de plantio com a dosagem ideal de nitrogênio. Para tanto, nossos estudantes colhem dados quinzenalmente, medindo o tamanho das folhas, das espigas, a tonalidade. Quanto mais amarelada a folha, menos nitrogênio ela possui; quanto menos amarelada, mais nitrogênio”, explicou Cícero Teixeira.

Desenvolvimento regional

“Como a distribuição de chuvas em nosso Estado é muito irregular, prejudicando a plantação, produtividade e crescimento das plantas, trabalhamos para a elaboração de um calendário de cultivo capaz de otimizar o uso da água, reduzindo ao máximo a necessidade de irrigação, utilizando para tanto os dados coletados e a adição de nitrogênio”, disse Cícero Teixeira.

O projeto alia manejo da cultura, adubação e convívio ambiental, já que algumas espécies de pássaros, como as araras, alimentam-se do milho, de forma harmônica, sem interferir nos resultados da pesquisa.

A pesquisa é uma das que tem o apoio do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional (DCR), por meio do convênio firmado entre a Fapeal e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que concede bolsas para doutores e estudantes ligados às universidades com o objetivo de diminuir as desigualdades na produção científica entre as regiões brasileiras.

“O auxílio da Fapeal vem possibilitando a compra de insumos, computadores e a adequação da estrutura, além da concessão das bolsas para os estudantes. Estamos fazendo um trabalho para a sociedade”, contou o professor Teodoro. “A Fapeal tem sido uma parceira inquestionável, de longa data, por meio de pesquisas como as que fazemos no Canal do Sertão, como também com outras culturas contempladas no DCR, como tomate e feijão, além do Programa Primeiros Projetos (PPP)”, contabilizou Lyra.

Conhecimento multiplicado

Os estudantes de Agronomia Ricardo Morais e Allan de Moura também participam da equipe. “Além da experiência adquirida, a participação nesse projeto está enriquecendo o meu currículo na elaboração de artigos. O suporte financeiro da bolsa da Fapeal me ajuda a me manter na pesquisa e ainda garante minha participação em congressos e eventos da área”, disse Morais, que está no novo período do curso.

“A pesquisa auxilia no aprendizado, já que colocamos em prática a teoria aprendida em sala de aula. E ser bolsista é um estímulo para trabalhar e adquirir responsabilidade”, acredita Moura, que ainda está no terceiro período e já colhe os frutos de ter ingressado numa pesquisa.

“Todas as informações e dados coletados na pesquisa são repassados pelos estudantes mais antigos aos estudantes novatos”, observou Cícero Teixeira. Segundo ele, o intuito do projeto é multiplicar o conhecimento levando-o às diversas regiões de Alagoas, já que a maioria dos estudantes é do interior do Estado. “Com esse sistema, vamos assegurando que cada um, ao sair da universidade, aplique as técnicas em suas cidades de origem, levando mais desenvolvimento ao homem do campo”, finalizou.

Fonte: FAPEAL

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