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Giro nos Estados

Parceria entre Fapemig e BDMG fomenta projetos de Inovação

É comum, no caminho de muitas empresas, chegar a um determinado ponto em que é necessário capital para desenvolver ou finalizar produtos, processos ou serviços inovadores. Com as taxas de juros altas no Brasil, tais companhias, com receio de se endividarem, podem optar por não buscar dinheiro no mercado, o que acaba paralisando o negócio. Com o objetivo atuar nesse problema, foi criada, em 2011, parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), que visa ofertar produtos de financiamento para apoio às empresas e projetos inovadores no Estado.

Dentro da parceria são oferecidos dois programas: o Pró-Inovação, voltado para empresas que necessitam de crédito para investirem em projetos de inovação; e o Proptec, destinados aos Parques Tecnológicos existentes em Minas Gerais. Um dos diferencias dos programas são as condições oferecidas. A taxa é fixada com base na Selic do momento até o final do contrato, com financiamento em até 60 meses – tendo como base a Selic atual, isso seria equivalente a taxa de 2% ao ano. Ou seja, um incentivo e tanto para quem deseja inovar.

Ao todo, o Pró- Inovação já possibilitou fechar 121 contratos, um montante de R$ 47 milhões para o fomento de empresas. Já no Proptec, foram investidos R$ 6,3 milhões por meio de 24 contratos. O ponto positivo é que se trata de um programa contínuo, que não necessita de edital para ser lançado.

Parceria de ponta

Conforme conta a gerente de Inovação do BDMG, Aline Ane Verneque de Oliveira, o Pró-Inovação, desde sua criação, vem ao encontro das diretrizes do Governo de Minas, que visam fomentar e desenvolver a inovação no Estado. Segundo ela, a intenção é diminuir os gaps relacionados a linhas de créditos no quais as condições não eram atrativas. “Trata-se de um papel muito importante do BDMG e da FAPEMIG aportando recursos desse fundo, pois várias empresas, dependendo do patamar que se encontram, não teriam chance de se desenvolver”, acredita.

Para participar, a empresa que desenvolve um projeto, produto ou serviço deve entrar nosite do programa e preencher um formulário de enquadramento. Nele, ela apresenta o projeto, a equipe, a empresa, parcerias, indicadores, dentre outros itens. A  partir daí, um Comitê de Inovação formado por representantes da FAPEMIG e do BDMG, dentre outras instituições, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas  (Sebrae) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), avaliam a proposta. “Nesse momento, verificamos se a proposta se enquadra como inovação e se vai gerar valor. Se for uma modernização, temos outras linhas de crédito”, afirma.

Após o projeto ser aprovado e uma avaliação corriqueira do crédito ser realizada pelo banco, é validado um cronograma inicial com as previsões das liberações dos recursos, no qual, geralmente o montante total é liberado de três a quatro vezes. Em algumas situações, a comissão visita a empresa para conhecer, in loco, o projeto. “E a FAPEMIG, com todo o conhecimento na área de inovação e projetos, tem relevância total no mérito do programa. É ativa e fundamental no conselho, tendo voto de decisão”.

Competitividade

De acordo com o Chefe do Departamento de Relações Empresariais e Propostas de Inovação da FAPEMIG, Gabriel Vieira Pereira Bona, o problema do financiamento às atividades de P&D  está relacionado ao fato do conhecimento sobre o projeto encontrar-se nas empresas inventoras. São informações difíceis de ser apreendidas satisfatoriamente pelos agentes financiadores, que buscam risco controlado. “Temos aí o que a literatura denomina de ‘mercado imperfeito’”, acredita.

Com isso, o mercado não é atraído a contento para esse segmento, porque desconhece as potencialidades das invenções (assimetria de informações), o que leva à carência de recursos para financiamento de alguns projetos. “Importa, portanto, ao setor público, compensar essa deficiência de alguma maneira. Essa iniciativa da FAPEMIG e do BDMG tem o objetivo de equalizar e minorar tal problema, o que explica sua importância e necessidade de continuidade”, afirma.

A gerente de inovação da FAPEMIG, Cynthia Mendonca Barbosa, acrescenta que a parceria FAPEMIG e BDMG possibilita viabilizar financiamentos a empresas que se enquadram em um nível de risco que, talvez, se o banco estivesse agindo sozinho, não concederia o crédito a elas. “Fica evidente a importância da união de esforços possibilitando alavancar a inovação em Minas Gerais e financiando empresas mineiras que querem inovar”, observa ela, reforçando que desconhece outra FAP no Brasil que tenha uma parceria com um banco de fomento nesses moldes.

Cynthia pensa que, de forma ampla, a parceria contribui para o aumento da competitividade das empresas mineiras, incentivando o desenvolvimento de atividades de inovação que garantam maior produtividade. Ao mesmo tempo, a gerente que é estimulada a introdução de produtos, processos e serviços inovadores a favor da sociedade. “Tudo isso gera um ciclo virtuoso, com geração de empregos de qualidade, movimento da economia mineira e consequente desenvolvimento econômico”, orgulha-se.

Colhendo os frutos 

No mês outubro, um dos destaques dentro do ecossistema mineiro de inovação foi o aporte de US$ 100 milhões recebido pela empresa de tecnologia Take. O montante, que foi realizado pela gestora americana Warbug Pincus, terá com umas das principais finalidades o desenvolvimento de produtos na empresa e organizar sua expansão para fora do Brasil.

No entanto, esse não se trata do primeiro apoio financeiro recebido pela companhia para o seu desenvolvimento. Em 2014, por meio da parceria entre FAPEMIG e BDMG, a empresa participou do programa, recebendo R$ 2,3 milhões em 30 meses. Atualmente, a Take possui cerca de 750 clientes e oferece uma plataforma para que eles se relacionem com seus consumidores digitalmente por meio do WhatsApp, Facebook Messenger, Google RCS ou Apple Business Chat.

Fonte: FAPEMIG

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