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Giro nos Estados

No Pará, startups buscam investidores

Empresas paraenses que se preparam para lançar seus primeiros produtos no mercado estão em busca de investidores. Os negócios, das áreas de automação residencial, energia e educação, procuram aportes de R$ 200 mil a R$ 500 mil, para a divulgação de serviços, expansão e início da produção industrial.

Para Christian de Castro, consultor de empresas da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), empreendedores interessados em captar recursos devem deixar claro para os investidores como eles irão ganhar dinheiro com o projeto da companhia. “A organização é avaliada pelos meios que ela tem de gerar caixa nos próximos anos, depois do aporte”, diz o especialista, durante o XXIV Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, encerrado na semana passada, em Belém (PA). “Fatores como o tamanho dos concorrentes no setor de atuação, competência técnica e a disponibilidade do empreendedor para se dedicar à evolução da firma são importantes para a tomada de decisão sobre investimentos.”

A Syanz-Tecnologias de Automação, de soluções residenciais, quer atrair capital de até R$ 400 mil. “A verba será usada para o início da fabricação do nosso primeiro produto”, diz o diretor comercial Humberto Leão, engenheiro de computação e mestrando em energia elétrica.

O carro-chefe da empresa paraense é um sistema de gerenciamento de iluminação, que pode ser acessado por controle remoto ou aplicativos de celular. “O projeto já está pronto para entrar em produção e tem pedido de patente depositado.” Nos próximos dois anos, a companhia pretende lançar também módulos para a climatização de ambientes e de eficiência energética.

A ideia de Leão ao receber um aporte é iniciar a venda na Grande Belém, no modelo B2B (business to business), para instaladores, hotéis e shopping centers. Já houve um contato para encomendas, de uma construtora da cidade. Depois da capital, o plano de expansão inclui o Estado do Pará e as regiões Norte e Nordeste, antes de chegar ao Sudeste. “Testamos o produto em um motel, com um resultado de 15% de economia na conta de luz.”

Segundo o empresário, o setor em que atua tem oito grandes concorrentes nacionais, como a NeoControl e a Control4, mas o crescimento estimado do mercado, em Belém, de 3,4% ao ano, o estimula a iniciar a produção. “Há clientes na cidade. Falta apenas começar a fabricar.”

Na Muiraquitã, de soluções para as áreas de meio ambiente, energia e resíduos, a necessidade de verba é de R$ 500 mil. “O investimento é para construir um showroom e demonstrar produtos”. Uma das ofertas é um equipamento que usa como matéria-prima um tipo de biomassa seca para produzir energia por meio da gaseificação, explica Rafael Muniz, sócio-fundador e diretor técnico da companhia com sede em Belém. O plano de trabalho da empresa é atender comunidades isoladas, fazendas e agroindústrias familiares.

“No Pará, há mais de 250 mil famílias sem acesso a eletricidade. A maioria usa óleo diesel para gerar força”, afirma Muniz. A invenção da Muiraquitã pode ser alimentada com caroços de açaí, cascas de arroz ou palha de milho. A tecnologia já é conhecida no mercado de energia, mas o diferencial da máquina desenvolvida pela empresa, segundo Muniz, é a capacidade de receber resíduos com até 85% de unidade, sem prejudicar o processo de geração.

“Uma tonelada de resíduo de biomassa pode gerar 500 KWh, quantidade necessária para abastecer duas mil casas ao ano”, diz. Para se ter uma ideia, um gerador com capacidade para 1 KWh, capaz de levar força para uma pequena vila, apresenta preço de produção de R$ 10 mil.

Na Mundo Digital Interativo (MDI), de sistemas de apoio ao aprendizado, o público-alvo são alunos que precisam de reforço em matérias como matemática, física e química. A empresa desenvolveu mais de 100 exercícios e simuladores on-line de fórmulas das disciplinas.

“O serviço custa, em media, R$ 19 ao mês, no modelo de assinatura”, diz o sócio Manoel José Sena. O objetivo é faturar até R$ 1 milhão ao ano, depois do lançamento do sistema. Para isso, o empresário busca um aporte de R$ 200 mil para investir em divulgação e marketing.

Parte do setor é ocupado por grandes atores, como a Descomplica, de video aulas, e a Pearson Education, de laboratórios virtuais. “Mas não estamos oferecendo os mesmos produtos, mas uma série de novos simuladores em um ambiente on-line”, diz o empresário, que mira um mercado de 52 milhões de estudantes do ensino básico. Sena já apresentou a companhia para investidores estrangeiros, mas preferiu esperar novas propostas.

“Nem sempre é o investidor que escolhe as empresas”, diz Christian de Castro, da Abvcap. “Eles também são escolhidos pelos empresários, de acordo com os planos que os sócios têm para as companhias.” Além de preparar o negócio a ser investido, com a regularização de normas trabalhistas, tributárias e ambientais, os empreendedores correm contra o tempo para receber investimentos que, muitas vezes podem definir o rumo do negócio.

Segundo Rodrigo Menezes, sócio da Derraik & Menezes Advogados e coordenador do comitê de empreendedorismo, inovação, capital semente e venture capital da Abvcap, o período médio que uma empresa leva para receber um aporte de um investidor, depois da assinatura de um contato de intenções (“term sheet”), é de dois e a três meses. Menezes assessora mais de 20 fundos de investimento que reúne cerca de 60 empreendedores.

O especialista chama a atenção para a importância de registrar as tecnologias desenvolvidas pelos empresários. “É como comprar um imóvel e não ter um registro dele”, compara. “É preciso lembrar que investidores não abrem mão de segurança e se preocupam se o produto desenvolvido foi patenteado.”

Segundo o advogado, ainda falta informação, entre as companhias, de o que fazer para entrar no grupo de negócios investidos no Brasil. No dia 23 de outubro, no Rio de Janeiro (RJ), a Abvcap e a Apex-Brasil realizam o workshop “Seu negócio é atrativo ao investidor de venture capital?”. A ideia é mostrar como preparar uma empresa para ser investida, a relação com investidores antes, durante e depois da injeção de recursos e a elaboração de um plano de negócios.

Fonte: Valor

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