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Giro nos Estados

Pais querem proibição de livro de ciências adotado por escola de Ji-Paraná

Pais de alunos de uma escola pública de Rondônia pediram que o Ministério Público Estadual proíba o uso do livro de ciências adotado na 8ª série.

O colégio em questão é a Escola Ensino Fundamental Júlio Guerra, no município de Ji-Paraná. O abaixo-assinado contou com a assinatura de 165 pais de alunos da escola da rede pública do estado, que consideram o conteúdo de educação sexual do livro inadequado para os filhos, que têm 13 e 14 anos.

O material didático aborda temas como virgindade, aborto, drogas, doenças sexualmente transmissíveis e o autoexame de mama. Os pais também reclamam das ilustrações do livro de ciências, que traz gravuras dos órgãos reprodutores masculino e feminino.

Nídia Estelita é uma das mães que deu início ao movimento. Ela destaca que não é contra o ensino de educação sexual na escola, mas que discorda da abordagem do livro escolhido pelos professores.

Sonora: “A abordagem do livro me pareceu incitatória. No sentido de todos os questionamentos que o livro traz, as orientações que o livro traz. Banaliza o sexo, banaliza a virgindade, banaliza os riscos de uma gravidez na adolescência, os riscos de se contrair o HIV. Eu tenho noção que o assunto sexualidade é tratado em todo o 8º ano, no Brasil inteiro. Nós não estamos dizendo para não trabalhar essa questão.”

Para o professor, Héder Rodrigues, o problema é de interpretação dos pais. Héder que é dá aula de biologia e ciências, foi um dos responsáveis pela escolha do referido livro didático na Escola Júlio Guerra.

Sonora: “No caso dos pais questionarem o fato de o livro colocar a virgindade como antiquada, que o livro incentiva o sexo, isso é uma interpretação errônea. Eles não leram completamente, eles grifam uma pequena parte do texto e esquecem de ler o texto inteiro. Eles estão interpretando como eles querem, não necessariamente como está escrito.”

Essa não é primeira vez que há problema com relação ao material didático nas escolas da rede pública de Rondônia. No início deste ano, a prefeitura de Arimeques chegou a anunciar que as folhas com conteúdos que possam ser interpretados como ideologia de gênero seriam retiradas do material dos alunos do ensino fundamental.

Para a diretora de Educação da Secretaria de Educação de Rondônia, Angélica Ayres, opiniões isoladas não podem prevalecer sobre a análise feita pela equipe do Ministério da Educação e da própria escola que escolhe os livros.

Sonora: “A nossa opinião vai sempre nesse sentido: que prevaleça realmente a opinião mais científica e que prevaleça o que, de fato, é resultado de uma avaliação e de uma análise de especialistas.”

O Ministério Público de Rondônia informou que a reclamação foi recebida pelo Núcleo de Apoio Extrajudicial da Promotoria de Ji-Paraná no dia 3 de março. E que o conteúdo do referido livro está sendo analisado pela equipe de pedagogia do órgão.

A coleção de ciências adotada pela escola Júlio Guerra é do projeto Apoema e é distribuída pelo Ministério da Educação. A escolha dos livros didáticos é feita por estados e municípios com participação de professores e diretores. O MEC destaca que as obras de ciências passaram por avaliação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

Fonte: EBC

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