Giro nos Estados

Novo patamar de colaboração entre São Paulo e Holanda

Os Países Baixos são o quarto parceiro comercial do Brasil – depois da China, dos Estados Unidos e da Argentina. E o fortalecimento da cooperação científica e tecnológica é tópico importante na agenda holandesa, o que motivou a visita de Mona Keijzer, vice-ministra de Assuntos Econômicos e Clima dos Países Baixos, que esteve no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, no dia 20 de agosto.

Entre outros colaboradores, Keijzer veio acompanhada pelo professor Wim van den Doel, diretor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade de Leiden e membro do Conselho Executivo da Organização Holandesa para a Pesquisa Científica (NWO).

Van den Doel, que participou de reunião na FAPESP no dia 21, ressaltou a importância para os Países Baixos da pesquisa e desenvolvimento, que recebe anualmente 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo ele, essa importância pode ser demonstrada na definição da Agenda Nacional de Pesquisa holandesa, que contou com participação da população.

“Um questionário foi distribuído e, a partir dele, foram levantados centenas de milhares de tópicos de interesse – desde grandes temas ligados ao meio ambiente, como o futuro dos oceanos, até temas relacionados a fatos históricos e à herança cultural holandesa. O comitê organizador recolheu e ordenou essas sugestões, e definiu, a partir delas, uma agenda com 140 tópicos abrangentes”, disse à Agência FAPESP.

A construção da agenda é considerada por Van den Doel “uma grande vitória”, por suscitar na população maior interesse e por democratizar a pesquisa científica e tecnológica.

No âmbito da cooperação internacional, Van den Doel citou os acordos mantidos com China, Indonésia, Índia, África do Sul e Brasil. Os Países Baixos investem cerca de € 15 milhões anuais em pesquisas realizadas em parcerias com esses países.

“Isso está longe de esgotar o potencial da colaboração, pois novas propostas estão sempre surgindo com base nas interações entre os parceiros. O dinheiro segue as colaborações. Queremos investir ainda mais”, disse.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, falou sobre a curva ascendente na colaboração entre NWO e FAPESP para apoiar pesquisas feitas por cientistas holandeses com colegas no Estado de São Paulo.

O gráfico a seguir, apresentado por Brito Cruz, mostra a evolução na colaboração entre a FAPESP e os Países Baixos, relativamente ao montante dos valores destinados às pesquisas. E também os números de projetos por áreas do conhecimento.

O gráfico foi apresentado na reunião no Palácio dos Bandeirantes, que contou também com a presença de José Goldemberg, presidente da FAPESP, e de Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente.

De acordo com Brito Cruz, a cooperação não visa ao mero intercâmbio de pesquisadores e estudantes, mas financiar projetos de pesquisa conjunta em áreas de interesse comum, buscando alcançar resultados científicos e tecnológicos de importância internacional.

“Os projetos são muito diversificados, mas existem três grandes eixos prioritários. Um, que podemos chamar de Verde, engloba biodiversidade, biocombustíveis e temas correlatos. Os outros dois são Saúde e Tecnologia Avançada”, disse Van den Doel.

Por meio do acordo de cooperação entre NWO e FAPESP, foram lançadas até o momento seis chamadas de propostas, que resultaram na seleção de 27 projetos de pesquisa colaborativa para receber financiamento.

Encontro com pesquisadores

A delegação holandesa também acompanhou uma apresentação, no Instituto Biológico (IB), de projeto de pesquisa financiado pela FAPESP e NWO.

O projeto “Compreensão sobre a biologia molecular e ecologia da relações planta-vírus-vetor: rumo a estratégias sustentáveis e integradas de manejo de vírus” foi um dos selecionados na mais recente chamada de propostas lançada pelas instituições, que teve como tema “Bioeconomia”.

O projeto desenvolvido no Instituto Biológico, em parceria com a Universidade Wageningen (Países Baixos), integra cientistas de mais de 10 centros de pesquisa brasileiros – Embrapa, Esalq, Unesp, Universidade Federal de Viçosa, UnB, Fundecitrus e Centro de Citricultura. O objetivo é buscar alternativas mais sustentáveis para o controle de vírus nas culturas agrícolas por meio de genes de resistência, do maior entendimento da ecologia e epidemiologia.

Além de vírus das culturas de tomate e pimentão (geminivírus e tospovírus) – tema de pesquisa anterior do grupo desenvolvida com apoio do CNPq e da NWO – os pesquisadores vão estudar genes de resistência em citros e também vírus emergentes.

“O projeto é a continuação de uma pesquisa mais antiga, uma parceria entre CNPq e NWO que foi encerrada. Agora, nosso escopo foi ampliado, a partir da parceria entre FAPESP e NWO. Temos um alicerce de alguns anos de pesquisa, que será ampliado com um número maior de vírus, de culturas e com mais pesquisadores e instituições envolvidas”, disse Juliana de Freitas Astúa, pesquisadora responsável do projeto, à Agência FAPESP.

Fonte: Agência Fapesp

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