Giro nos Estados

NavegaPará ultrapassa fronteiras

A partir de 2012 os moradores da região da Calha Norte e do Marajó, no Pará, e ainda as capitais do Amazonas e Amapá, além de energia elétrica firme, poderão ter acesso a internet de qualidade e de graça, pelo programa de inclusão digital do Governo do Pará, considerado um dos melhores do Brasil. Ontem, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect) e a empresa pública Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa) assinaram três termos de cooperação técnica para que as linhas de transmissão que estão em construção para levar a energia da Usina Hidrelétrica de Tucuruí sejam usadas também para transmissão de dados pelo programa Navega Pará.

Os convênios foram assinados com os consórcios Manaus Transmissora de Energia S/A, Macapá Transmissora de Energia S/A e Xingu Transmissora de Energia S/A, responsáveis pela execução do projeto do linhão que vai levar a energia do Sistema Interligado Nacional, a partir de Tucuruí, até a ilha de Jurupari, que fica no rio Amazonas. Com isso, a energia chegará finalmente à Calha Norte, na margem esquerda do Amazonas. A Manaus Energia S/A vai fazer a ligação entre Oriximiná, no Pará, e Itacoatiara, no Amazonas. Já a Macapá Energia constrói o linhão que passa por Oriximiná, Óbidos, Curuá, Alenquer, Monte Alegre e Almeirim, até a capital do estado vizinho.

O secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), Maurílio Monteiro, explica que o procedimento é similar ao que foi celebrado há quase quatro anos com a Eletronorte, a Vale e a Celpa, para compartilhar da infraestrutura de telecomunicações dessas empresas, para criar a rede pública de comunicação do Navegapará. Presente em mais de 60 municípios do Pará, o programa tornou realidade o acesso a internet para mais de 2 milhões de pessoas, interligando ainda escolas públicas, hospitais e unidades de saúde, de segurança púbica, instituições de ensino e pesquisa e outros órgãos do governo.

Agora, nesta nova etapa, outra parcela do Estado que dificilmente teria acesso a uma rede de fibra óptica privada, por exemplo, por conta dos altos custos de investimento deste tipo de operação, passam também a integrar o programa. E ainda existe a possibilidade do NavegaPará se expandir para outros estados.

“È a consolidação de uma experiência vitoriosa na construção de uma rede pública de comunicação, envolvendo a parceria com empresas públicas e privadas, que vai permitir que a internet e outros serviços cheguem com qualidade para a população. É o primeiro passo para que o NavegaPará se transforme em NavegaAmazônia”, afirmou Monteiro.

De acordo com o diretor geral do consórcio Xingu-Macapá, Ailton Ferreira, a previsão para conclusão das obras da Usina de Tucuruí é dezembro de 2012, a partir daí, o governo paraense estaria livre para expandir suas atividades.  Os linhões têm 1800 quilômetros de extensão e potência de 2,4 MW.

“Como grande parte das linhas de transmissão está inserida no Pará, participar de um projeto como o Navegapará é uma responsabilidade social nossa. Vemos o programa como uma grande oportunidade de se levar energia, mas também desenvolvimento para a população da região norte”, afirmou.

A Prodepa será a executora dos projetos, que permitem o uso da rede de fibras ópticas dos linhões em iniciativas de inclusão digital.  E segundo o presidente da instituição, Renato Francês, este convênio é mais amplo porque não amarra a expansão às áreas onde estão instaladas as subestações. “Neste convênio não há restrições, então, todas as cidades que passarem pelo linhão e outras próximas poderão ser interligadas”, afirmou.

Para ele a possibilidade de expansão do Navegapará será também um importante avanço na conquista de direitos sociais. “O Marajó, por exemplo, é a última fronteira do Estado em matéria de telecomunicação. É uma região que tem os piores indicadores sociais, mas que por meio do programa poderão ter acesso a inclusão digital, mas também a uma ferramenta capaz de potencializar ações de saúde, educação e desenvolvimento”, afirmou Francês.

Fonte: Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Pará