+55 (61) 9 7400-2446

Giro nos Estados

Mineiros ganham mais incentivos

Apoiar empresas mineiras de base tecnológica para a expansão internacional. É com esse objetivo que a Exportaminas, unidade ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, lança o projeto Born to be Global (Nascido para ser global), baseado em negócios B2B (business to business). “Dependendo do produto a ser exportado, é mais fácil entrar no mercado mundial no modelo B2B do que investir em pesquisas para conhecer o consumidor em diferentes países”, explica Fernanda Cimini, coordenadora do Exportaminas. A meta é ter, em um ano, dez negócios com contratos fechados no exterior. No ano passado, as exportações mineiras chegaram a US$ 33,4 bilhões ou 13,8% do total entregue pelo Brasil. O volume representa um aumento de 234,1% nas vendas externas de 2004, quando o Estado exportou US$ 10 bilhões.

Uma das linhas de ação do Born to be Global é criar uma rede de cooperação entre negócios locais, entidades do governo, academia e companhias internacionais. A iniciativa está aberta para empreendimentos mineiros com até cinco anos de atividade. O primeiro workshop de apresentação do projeto, realizado este mês em Belo Horizonte e acompanhado pelo Valor, recebeu inscrições de 300 empresas – 80 foram selecionadas para participar do evento.

Segundo Sherban Cretoiu, coordenador do núcleo de negócios internacionais da Fundação Dom Cabral, antes de pensar em exportar, as companhias devem analisar se o produto oferecido é competitivo e apresenta um padrão global. “Os sócios também precisam saber se têm capacidade financeira para atender a demanda de encomendas do exterior e se estão prontos para se relacionar com pares de outros mercados”, diz.

Para o advogado Pedro Drummond, da Drummond Advogados, com escritórios no Brasil e Estados Unidos, há um aumento na procura por informações sobre a abertura de empresas brasileiras no mercado americano, principalmente do setor de tecnologia. O guia on-line Como Abrir Empresas nos Estados Unidos, desenvolvido pela Drummond em parceria com a Câmara Americana de Comércio (Amcham), atingiu no primeiro semestre de 2014 um crescimento de 74% no número de downloads, em comparação ao último semestre de 2013.

“Pelo menos 70% dessa demanda vieram de pequenas organizações”, diz. “Os empreendimentos têm de ser flexíveis porque podem entrar no fluxo internacional não só com venda direta, mas por meio de joint ventures, fusões ou abertura de filiais.”

Mas os mineiros não estão de olho apenas nos consumidores americanos. Este mês, a Embaixada do Reino dos Países Baixos no Brasil inaugurou em Belo Horizonte o Escritório Holandês de Apoio aos Negócios (NBSO Brazil, da sigla em inglês). O objetivo é fomentar negócios entre a Holanda e Minas Gerais. O país considera cooperações com o Estado em áreas como energia alternativa, tecnologia da informação e comunicação (TIC), além de gerenciamento de água.

No ano passado, Minas Gerais exportou para 180 países, cinco deles pela primeira vez, como Andorra e São Tomé e Príncipe. Fibras ópticas, medicamentos com insulina e instrumentos musicais são alguns dos 2.907 tipos de itens vendidos por 290 municípios mineiros (de um total de 853). Desse volume, 28 cidades exportaram pela primeira vez ou retomaram atividades exportadoras em 2013.

Ampliar o intercâmbio com centros de pesquisa de ponta também está no radar do Estado para ajudar as startups. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) acaba de lançar um edital para financiar a participação de estudantes de graduação e pós-graduação do Massachusetts Institute of Technology (MIT) em projetos de inovação desenvolvidos por empresas mineiras. O foco será voltado para setores como biotecnologia, meio ambiente e TIC, segundo Evaldo Ferreira Vilela, diretor de ciência, tecnologia e inovação da fundação.

As companhias interessadas em “hospedar” um aluno do MIT têm até 15 de dezembro para apresentar uma proposta de trabalho. A Fapemig financia até R$ 20 mil por estudante e a empresa participante entra com uma contrapartida de, no mínimo, 10% do valor proposto. O visitante estrangeiro recebe apoio financeiro no período da atividade, que deve ser de até 120 dias.

Rosabelli Coelho-Keyssar, gerente do MIT-Brazil, programa patrocinado pelo banco Santander que traz alunos do instituto americano para o país, afirma que o interesse dos graduados pelo país é crescente. “No verão de 2013, trouxemos 20 alunos do MIT para o país, em estágios de nove a 12 semanas e pesquisas de curta duração”, diz. “Em 2014, esse número chegou a 40.” Pelo menos 20% do total devem desenvolver trabalhos apenas em startups e 56% do pessoal já enviado eram da área de engenharia.

Fonte: Valor

Próximos Eventos