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Giro nos Estados

FAPEPI garante inovação em desenvolvimento de respiradores

Após todos as etapas de um desenvolvimento tecnológico que se iniciou com um protótipo simples, passou pelo processo de amadurecimento tecnológico por meio centenas de melhorias e aperfeiçoamentos, com complexo estudo de materiais, resistência e robustez, assim como o escalonamento produtivo e a validação de desempenho do produto final, passou da etapa de aperfeiçoamento e agora caminha para a certificação do equipamento pelo IMETRO e pela ANVISA. Longo caminho.

Estamos falando do projeto do equipamento Air Tron, um respirador mecânico pulmonar, desenvolvido pela equipe comandada pelo professor e pesquisador Gildário Lima. O Air Tron foi desenvolvido a partir da missão da Startup TRON em desenvolver pesquisas capazes de solucionar problemas reais da sociedade. Nos últimos meses a TRON, que já atua em mais de 12 Estados Brasileiros com projetos em robótica educativa, se deparou com o desafio de contribuir no combate à Pandemia do Coronavírus (covid-19). A mesma aplicou seus conhecimentos de robótica para solucionar o gargalo hospitalar de deficiência de equipamentos para suporte respiratório.

O projeto iniciou com o apoio da UFPI, UFDPar, SESC, Crefito-14 e FIEPI, mas ganhou robustez e viabilidade tecnológica ao receber o apoio do Governo do Piauí por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí (FAPEPI). A FAPEPI possibilitou investimentos para tração e finalização da tecnologia do respirador, através de um processo de Encomenda Tecnológica (ETEC).

O amparo da FAPEPI foi fundamental para que insumos necessários no desenvolvimento do respirador fossem adquiridos. A ETEC é um modelo de compra pública, em que órgão ou entidades da administração pública, em matéria de interesse público, poderão contratar um serviço de pesquisa, desenvolvimento e inovação para solução de problema específico.

Feito com materiais acessíveis e construído segundo normas da Associação Médica Brasileira (AMB), o respirador irá revolucionar o mercado de equipamentos para saúde por não apenas atender a necessidade da pandemia, mas reinventar o conceito de respirador, uma vez que sua tecnologia possui conectividade e integração que permitem a telemedicina e a gestão da saúde pelos profissionais de saúde. O equipamento possuirá sofisticada experiência de uso para os profissionais de saúde, preço competitivo e conexão com inteligência artificial.

Desde abril deste ano o respirador já funciona mecanicamente e já demonstrou a capacidade de atender pacientes, prioritariamente àqueles que têm passado pelas fases mais agudas da covid-19, contudo os meses de abril a junho foram necessários para que o equipamento passasse pelo processo de amadurecimento tecnológico por meio centenas de melhorias e aperfeiçoamentos. “Iniciamos o mês de julho com o equipamento finalizado e agora iniciamos a fase da certificação e da entrega dos respiradores. Nossa meta agora é finalizar a documentação junto à ANVISA e fazer a doação dos 300 protótipos estáveis para Governo do Estado”, afirma Gildário.

Quando a TRON se propôs a usar sua tecnologia no desenvolvimento dos respiradores não imaginava inicialmente que isso lhe obrigaria e construir uma Fábrica de Produtos para Saúde para a entrega dos respiradores. “Iniciamos com a ideia de transferir a tecnologia para uma fábrica já existente, contudo nos deparamos com um cenário carente de Fábricas de alta tecnologia que atendessem as certificações e ao alto padrão de qualidade exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”, completa o pesquisador.

Com o suporte de assessorias especializadas contratadas para o projeto construiu-se então a primeira fábrica adequada para produção deste equipamento no Nordeste, e desta ação nasceu a Startup OUTLIER que assumiu a responsabilidade de registrar, produzir e entregar os respiradores para sociedade.

“Aceitamos o desafia de aprender sobre plantas farmacêuticas, fluxo de processo sanitário, gestão de qualidade, legislação sanitária, tudo paralelamente ao desenvolvimento do respirador” afirma Gildário.

Segundo a equipe da OUTLIER, o ventilador terá valor final abaixo dos ventiladores de mercado, que custam a partir de 50 mil reais, além de tecnicamente possuir funções e tecnologias únicas no mercado. “Não há um valor de venda para o governo, pois não se trata de uma venda, se trata de um Contrato de Encomenda Tecnológica. O valor simbólico de 6 mil reais por respirador, não é o custo do equipamento em si, mas o valor do investimento médio para estabilização desse primeiro modelo do equipamento voltado para a covid-19”, completa o pesquisador.

Agora que a OUTLIER vive, a ideia é permanecer no mercado e investir em novos modelos que possam atender e concorrer em toda América Latina. Com a nova fábrica, a estimativa média da produção é de 10 respiradores por dia. A OUTILIER coloca o estado do Piauí no cenário brasileiro de desenvolvimento e produção de tecnologias de ponta para o uso em Unidades de Terapia Intensiva.  “O Piauí será a maior referência para o desenvolvimento de tecnologias para a saúde do País. Temos o potencial, só precisamos de mais investidores. O Governo foi o primeiro passo, mas também buscamos parcerias com o setor privado para desenvolver agora novos equipamentos necessários à população”, afirma o professor Gildário.

 

Tecnologia

Várias frentes de trabalho foram fundamentais para o desenvolvimento da tecnologia empregada na fabricação do Air Tron. O esforço perpassa as áreas de robótica, design, impressão 3D, desenvolvimento de apps, entre outras, além da assessoria e acompanhamento de diferentes profissionais da Saúde.

A arquitetura do aparelho contém um conjunto de válvulas solenoides para controle dos fluxos de pressão e volume de oxigênio. O projeto inclui ainda o melhoramento de um protótipo de válvula eletro controlada, que possibilitará mais eficácia no desempenho do respirador. Além da mecânica funcional, a tecnologia empregada também é inovadora no acompanhamento do paciente. Vários sistemas têm sido pensados para que médicos e fisioterapeutas possam ter detalhes de todo o processo de ventilação.

“Criamos um sistema de observação da usabilidade; então terá todo o histórico da ventilação lá. Esse acompanhamento já existe em outras áreas na saúde, mas em respiradores ainda não há. Será possível empregar esses dados em pesquisas. Outra aplicação que também vai ser originada é um App do profissional, onde ele poderá aprender tudo sobre respiração e ter um histórico dos casos que ele acompanhar” completa Gildário.

A pesquisa conta com o respaldo de diversas entidades e profissionais que manifestaram parecer favorável, como o CREFITO-14 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), médicos intensivistas e coordenadores de UTI, pesquisadores, além de professores do curso de engenharia elétrica da UFPI.

Fonte: Fapepi

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