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Giro nos Estados

Estados da Região Norte apresentam relatórios das Conferências Estaduais de CT&I

O Basic, grupo formado pelo Brasil, África do Sul, Índia e China, com intuito de desenvolver ações de adaptação às mudanças climáticas, já faz parte do protagonismo internacional. Para aproveitar as vantagens competitivas do país (riqueza, extensão territorial e litoral, principalmente), é preciso criar medidas para impulsionar o desenvolvimento econômico e ambiental sustentável. A proposta foi compartilhada por especialistas da região Norte, que apresentaram o relatório das Conferências Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação (CECTIs) após a abertura da 2ª Conferência Regional Norte de CT&I, na última quinta-feira (18), em Belém.

A discussão girou em torno de metas para a promoção da CT&I como componente para o desenvolvimento sustentável. Segundo Luiz Davidovich, secretário-geral da Conferência Nacional, um dos principais desafios para o Brasil nos próximos anos é intensificar ações e iniciativas, melhorar a educação em todos os níveis e fortalecer as instituições brasileiras internacionalmente.

“Os participantes deste evento tem que ter habilidade e estratégia para determinar grandes temas que alavanque o desenvolvimento sustentável (social, econômico e ambiental) do país nos próximos anos”, lembrou Davidovich.

Após a apresentação das especificidades de cada Estado (Amazonas, Pará, Tocantins, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá) os relatores das conferências estaduais apresentaram os gargalos regionais e as propostas para a promoção da cultura de CT&I. “Por maiores os investimentos nos Estados da região Norte, ainda há uma distância das demais unidades da Federação. Temos que continuar investindo nos Estados que lideram o avanço tecnológico no país, mas temos que investir mais ainda naqueles que compõem a Amazônia, e que se encontram em um grau de desigualdade maior”, lembrou Marcílio de Freitas, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas.

Amazonas e Pará
Para Marcílio de Freitas, a Política de Estado a ser definida deve levar em consideração a diversidade da Amazônia. Segundo ele, o orçamento público destinado ao Estado do Amazonas não é suficiente para atender a demanda de projetos e programas de qualidade.

“O Amazonas tem necessidade de ampliar e consolidar novas fontes de financiamento de ciência e tecnologia”, adiantou. O secretário destacou também a importância de interiorizar as ações de C&T, para que os projetos alcancem todos os municípios do Estado.

João Crisóstomo Weyl, secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect) do Pará apresentou a proposta do Estado para a conferência. Segundo ele, as prioridades incluem um projeto de desenvolvimento estratégico, o aumento do orçamento para fomento à pesquisa, investimentos em educação, como expansão de programas de pós-graduação e a criação de uma nova universidade federal no Estado, além do estabelecimento de uma política mais agressiva na formação de recursos humanos em todas as áreas do conhecimento.

Tocantins e Rondônia
Segundo a assessora técnica da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect) do Tocantis, Maria Amélia Maciel, a conferência estadual deve ser repetida anualmente para melhorar a definição das ações de promoção da cultura de pesquisa. “O Estado é novo, a secretaria é recente, mas o debate já surtiu um efeito enorme, como a mobilização dos profissionais para discussão, já que não temos uma Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP), nem Lei de Inovação”, adiantou.

Maria Amélia apresentou propostas pertinentes como implementar a disciplina ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável ainda na educação básica. A assessora também propôs investimentos na formação de pesquisadores, com a idéia de fixar os doutores nas redes locais por meio de bolsas de produtividade, já que a região carece de pesquisadores e centros de pesquisa.

Rondônia também é uma das únicas unidades da Federação a não possuir FAP. Da mesma forma não têm Secretaria de Ciência e Tecnologia. Os trabalhos do setor são realizados em uma unidade da Secretaria de Planejamento (Seplan). Segundo Emanuel Mirtil, assessor técnico de C&T da Seplan, a implantação da universidade estadual é uma das principais ações propostas durante a conferência local. “A Universidade Federal tem trabalhado muito, mas os resultados não chegam à sociedade”, lembrou.

Roraima e Amapá
Já para Roraima, a prioridade é o setor energético, uma vez que o Estado depende da energia produzida pela Venezuela. Os especialistas também propuseram a criação de uma FAP para a região. Foram discutidos ainda eixos como mudanças climáticas; Amazônia; biodiversidade e recursos naturais; saúde e meio ambiente e capacitação para o desenvolvimento social.

Aristóteles Viana, secretário de Ciência e Tecnologia do Amapá, sugeriu ações emergenciais para o Norte, como o fortalecimento da política de descentralização, aumento do número de bolsas de iniciação científica e de editais específicos, além da inclusão de pesquisadores de Estados emergentes na região.

Para o Amapá também estão previstas ações que promovam o fortalecimento de incubadoras de produtos, e incentivem áreas estratégicas como biotecnologia, agricultura, energias renováveis. Outa proposta é a de implementação de uma política de fortalecimento das experiências de desenvolvimento sustentável, principalmente referentes ao patrimônio cultural e voltados à construção de identidade/singularidade regional.

Acre
O Acre possui um histórico em incentivo a processos de ciência e tecnologia, baseado na prioridade do uso de recursos naturais locais para a melhoria de qualidade de vida da população.

Atualmente, o grande desafio do Estado é criar serviços de excelência em desenvolvimento tecnológico que apóiem o desenvolvimento sustentável. O Acre criou o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FDTC) em 2003, mas ainda não possui FAP. “As instituições tem cobrado, achamos importante, mas temos que elaborar melhor a criação da Fundação para termos uma fonte de financiamentos mais eficaz do que a gerada no Estado”, lembrou o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Luis Augusto Azevedo.

Segundo ele, o que difere a sua região das demais é o uso sustentável da floresta amazônica. As dificuldades estão relacionadas a necessidade de melhoria na infra-estrutura dos laboratórios, além da qualificação dos pesquisadores.

O Acre possui um plano estadual de CT&I, apoiado pela ABIPTI e pelo MCT. Contudo, ainda carece da integração entre CT&I e setor produtivo. “Somente de dez anos para cá que se desenvolveram empresas no Estado. O setor empresarial ainda é pequeno, mas tem trabalhado para que as empresas possam se estabelecer na região. Fazer a ligação entre ciência e empresa é o grande desafio”, concluiu.

Fonte: Tamara Costa / Gestão C&T

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