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Encontro internacional de pesquisa na Amazônia debate sociedades da floresta

Imagine sociedades nativas convivendo harmonicamente no seu habitat, mas sofrendo sempre “invasões” do indivíduo dominador, que traz uma cultura “progressista” e apaga a cultura daquela sociedade. O que poderia ser cena de filmes de ficção científica foi tema da palestra “sociedades florestinas”, do antropólogo Jorge Gasché Suess, durante o 2º Encontro Internacional de Ensino e Pesquisa em Ciências da Amazônia, na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Tabatinga (Amazonas).

Gasché denomina sociedade florestinas, as comunidades rurais da Amazônia, composta por indígenas, ribeirinhos e caboclos em contraste com a sociedade urbana. Para o antropólogo, é necessário estabelecer novos diálogos entre as sociedades urbanas e as florestinas para que as políticas públicas direcionadas a estes locais, distantes dos centros urbanos, sejam positivas.

Durante a palestra, o pesquisador afirmou que quase a totalidade de ações direcionadas ao interior da Amazônia não são bem sucedidas, pois não há um diálogo com as sociedades locais, devido ao preconceito já enraizado na cultura em relação aos indivíduos residentes no interior. “Temos que mostrar o conhecimento produzido pelos florestinos, construindo um processo que faça interagir o pensamento urbano e o da floresta, estabelecendo novos valores sociais”, comentou.

Para Gasché, só o diálogo entre “iguais”, onde cada sociedade respeite seus limites é que se poderá chegar a eficácia, pois as políticas centralistas acabam não atingindo as metas. “A política central precisa articular com a população local já que são estas que conhecem o contexto de seus habitat”, explicou.

ENCONTRO ENCERRA NESTE SÁBADO

Iniciativa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com a  Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (SECTI-AM) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq),o 2º Encontro Internacional de Ensino e Pesquisa em Ciências da Amazônia encerra neste sábado, com a palestra sobre “Sexualidade e currículo: experiências nas séries iniciais do ensino fundamental”, do professor da UEA, Leonardo Ferreira.

Fonte: Ciência em Pauta

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