Giro nos Estados

Empresas privadas necessitam investir no setor tecnológico

Para que o País e a região amazônica possam avançar no desenvolvimento tecnológico e na inovação é preciso que as empresas privadas invistam no setor e firmem parcerias com universidades. Foi o que apontou o secretário de Desenvolvimento e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Álvaro Torres Prata. Ele proferiu nesta quarta-feira, 29/08, a palestra ‘O Papel da Inovação e Tecnologia do Desenvolvimento Regional”, por ocasião da 1ª Conferência de Informação sobre Inovação e Tecnologia para o Desenvolvimento Regional, que ocorre na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) até esta sexta-feira (31/08).

Conforme Prata, grande parte dos pesquisadores e cientistas está nas universidades e poucos estão no setor industrial. Entretanto, isso não indica que temos muitos pesquisadores, mas há poucos nas instituições de ensino e pesquisa e as empresas investem pouco em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). “Há pouca interação entre universidades e empresas, a cultura científica e inovadora é pouco difundida, a atitude empreendedora é incipiente. Precisamos eliminar essas fragilidades, por exemplo, com a implantação de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs). No País temos 205 NITs. Devemos inseri-los nesse cenário e o MCTI está preocupado com a situação”, ponderou.

A sociedade não pode perder a capacidade de apreciar o desenvolvimento, segundo Prata, pois a essência da inovação e do desenvolvimento tecnológico é a participação das pessoas no processo, de forma a imprimir mudanças. Ele disse que é preciso convencer a todos (gestores e empresários) sobre a importância da aplicação de recursos em inovação e que a própria região é responsável pelo seu desenvolvimento a partir das condições dadas pelos governos Federal e Estadual.

Durante a palestra, o secretário destacou que atualmente o País dispõe de condições para promover a inovação tecnológica, como as 384 incubadoras existentes, os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), as Secretarias Estaduais de Ciência e Tecnologia (Sects), as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), as Federações das Indústrias, etc. “Contudo, alguns não conversam entre si. Falta sinergia. É o grande desafio para o desenvolvimento regional. Precisamos investir em pesquisa e desenvolvimento, mas o setor privado precisa investir também. O setor privado precisa perceber que vale a pena investir”, reclamou.

Alocar recursos nos centros de referência envolve riscos, mas o resultado paga o investimento feito, pontuou Prata. Ele disse que não é fácil para o empresário perceber isso, são poucos que têm essa visão. Por isso, o Governo Federal tem feito sua parte, como ter criado a Lei 11.196. Conhecida como ‘Lei do Bem’, permite que pessoas jurídicas façam a dedução no Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre investimentos feitos em P&D, além de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de máquinas e equipamentos para P&D. Há também ações voltadas para subvenção econômica, na qual o Governo dá dinheiro para projetos de pesquisas.

A diretora-presidenta da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), Maria Olívia Simão, disse que o governo estadual tem feito o dever de casa ao lançar os Programas de Apoio à Pesquisa em Micro e Pequenas Empresas (Pappe Integração) e o de Apoio a Incubadoras (Pró-Incubadoras). Só este ano estão sendo investidos mais de R$ 7,7 milhões em tecnologia e inovação. “A inovação tecnológica tem sido um dos eixos de desenvolvimento do Governo, assim como ocorre com a formação de recursos humanos. São programas voltados para gerar riquezas e inclusão social. Também precisamos respeitar o meio ambiente. É preciso andar junto com a inovação tecnológica”, pontuou.

Conforme a titular da FAPEAM, há diversas iniciativas voltadas para a capital, mas não se pode esquecer de levá-las para o interior, principalmente, com as parcerias com o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Elas têm ajudado a interiorizar a ciência e a tecnologia por meio dos NITs. Conforme Maria Olívia, é preciso mostrar para o restante do País um modelo de crescimento alicerçado no desenvolvimento sustentável. Além disso, é necessário articular iniciativas para a formação de Engenheiros no interior, como o Programa Pró-Engenharias e o RH-TI, que são eixos estruturantes da inovação tecnológica.

Pró-Engenharias e RH-TI

As iniciativas consistem em estimular estudantes da rede pública de ensino, a partir do segundo ano do Ensino Médio, a seguirem carreira acadêmica e profissional, respectivamente, nas Engenharias e na área de Tecnologia da Informação, por meio de atividades orientadas em escola da rede pública estadual de ensino sediada na cidade de Manaus.

No total, 80 estudantes serão beneficiados com bolsas de Iniciação Científica Júnior Especial no valor individual de R$ 190. Além de 12 professores da rede pública de ensino, participarão do projeto oito tutores, que serão alunos de graduação oriundos de universidades públicas do Amazonas, que receberão bolsas individuais no valor de R$ 360.

As bolsas e o auxílio-financeiro para custear as atividades dos programas são financiados pelo Governo do Amazonas, por meio da FAPEAM. Os recursos para o financiamento do programa RH-TI são provenientes de um convênio firmado entre a FAPEAM e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Os dois programas são desenvolvidos em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas e com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Secti-AM).

Sobre o Pappe Integração

Esse programa visa ao apoio financeiro, na forma de subvenção econômica, ao custeio de atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e/ou Inovação (PD&I) realizados por Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (MEEPPs).

Sobre o Pró-Incubadoras

O programa tem por objetivo financiar propostas visando fomentar a manutenção de incubadoras já existentes, bem como promover a implementação de novas incubadoras, por meio da melhoria de seus processos internos e dos métodos de gestão e do intercâmbio de princípios e conhecimentos.

Fonte: Luís Mansuêto – Agência FAPEAM

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