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Dia das Mulheres – UFRR celebra a data ouvindo mulheres sobre as conquistas e desafios impostos ao gênero

Nos últimos anos o Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março, tem sido vivenciado como uma data que representa resistência, luta pelo reconhecimento de direitos e liberdades sociais e políticas, equidade profissional e lugar de fala.

Para marcar a data, a Coordenadoria de Comunicação da Universidade Federal de Roraima (CoordCom/UFRR) ouviu mulheres que estudam ou trabalham na Instituição. Elas foram convidadas a falarem sobre o que entendem sobre o que é ser mulher e a apontar as principais lutas enfrentadas pelo gênero feminino na atualidade.

O universo da UFRR, na sua maioria, é formado por mulheres. Entre os mais de 7 mil discentes da instituição, mais da metade é do sexo feminino: são 4.278 alunas, sendo 3.992 na graduação e 286 na pós-graduação, conforme dados repassados pelo Departamento de Registro e Controle Acadêmico (Derca).

As mulheres são maioria também entre os servidores, segundo a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp). Dos cerca de 1.200 funcionários docentes, técnicos administrativos e terceirizados, 679 são do sexo feminino. A UFRR conta com 53 profissionais do ensino básico, técnico e tecnológico (EBTT), 258 mulheres no magistério superior e 210 técnicas administrativas.

Entre as terceirizadas, são 158 mulheres que exercem atividades como copeiras (6), recepcionistas (58), cuidadoras e monitoras de alunos (20). Elas também desempenham funções nos contratos de limpeza (67) e de vigilância (7).

Vamos, então, conhecê-las a partir de suas próprias “vozes”:

Alice Victoria Silva Cardoso, 21 anos, é aluna do 6º semestre do curso de Agroecologia, no campus Murupu, com ingresso em 2018. Amante da natureza, ela gosta de viajar e conhecer coisas novas. Disse que é apaixonada por animais e, na impossibilidade de criar um elefante ou uma baleia, vive rodeada por cachorros e é voluntária em uma Ong de proteção e ajuda animal.

“Ser mulher é uma grande dádiva e um grande desafio, é conquistar nosso espaço e lutar por igualdade, é ter força e ao mesmo tempo sensibilidade. Nossa principal luta é ter que impor, constantemente, nossos direitos básicos, e o nosso valor perante a sociedade. Nossas conquistas vão além de bens materiais, mas conquistas morais. Já dizia Simone de Beauvoir: ‘Ninguém nasce mulher, torna-se mulher’. E a cada dia nós, mulheres, estamos nos tornando pessoas empoderadas, fortes e com autoconfiança cada vez maior”.

 

Keyla Rebouças Soares, 35 anos, é bibliotecária da Biblioteca Setorial do campus Cauamé. Gosta bastante de livros e tem gosto pela leitura. Servidora técnica administrativa da UFRR desde 2010, é casada e disse que também gosta de animais, de andar de bicicleta e de fazer caminhadas.

“Na sociedade de hoje, a meu ver, ser mulher é romper limites. Hoje nos é permitido escolher livremente o papel que desejamos desempenhar nesta sociedade. Acredito que, pelo menos a grande maioria de nós, pode escolher.

Conquistamos através de muitas lutas o reconhecimento de nossos direitos, que infelizmente em alguns momentos ainda deixam de ser respeitados. O importante é não esquecermos que precisamos também garantir nossa participação em ambientes da sociedade onde ainda não somos representadas, ou naqueles que ainda não somos aceitas, fazendo valer nossos direitos e conquistas e nos fazendo ouvir”.

 

Patrícia Lima de Oliveira, 30 anos, é servidora terceirizada da UFRR desde 2014, como auxiliar de limpeza. Solteira e mãe de duas filhas, ela disse que adora manter o cuidado com as unhas. Nas horas vagas aproveita para fazer crochê e caminhar. Sempre que possível, vai ao sítio para espairecer, respirar ar puro e aproveitar a família.

“Ser mulher é você acordar todos os dias e saber que tem liberdade de escolha, direito de ir e vir, direito à voz. Ser mulher é ter força e coragem para vencer desafios no dia a dia, é ter garra, resistência. As nossas principais lutas como mulher é sempre ter lutado pelo direito de igualdade, expressão, liberdade, e foram, sem dúvidas, conquistas admiráveis”.

Lisiane Machado Aguiar, 35 anos, é docente no curso de Comunicação Social – Jornalismo desde 2014. Uma mulher que tenta levar uma vida minimalista, adepta do yoga, da medicina ayurveda e da meditação, dentre outras escolhas de vida. 

“Somxs filhxs da mãe terra e muitas mulheres nos habitam. Filha, mãe, avó ou metade desses intervalos porque também há vida nas sementes, árvores e frutos. O ecofeminismo traz consciência sobre a subordinação das mulheres e da natureza e as relações entre os diferentes tipos de opressão, como racismo, machismo, especismo, classismo, desmatamento, garimpo e, agora vendo tudo isso na pandemia. O encontro da ecologia na valorização das atividades das mulheres com o trato adequado à natureza nos desperta para um despertar coletivo. Por isso, quero compartilhar e colaborar com as mulheres que correm com lobos. Há muitos mitos e arquétipos da mulher selvagem que foram bem trabalhados no livro de Clarissa Estés. Mas quero compartilhar um pouco da minha própria experiência em ser mulher e da minha opção pelo veganismo como uma forma de ativismo. Uma vez li uma frase do Gandhi “seja a mudança que você quer ver no mundo”, mas o que significa isso? Pensar globalmente e atuar localmente, pode ser o primeiro passo. Se os desmatamentos, queimadas, mortes de animais, descaso com os povos originais lhe dói, considere diminuir o consumo de carne. O maior responsável pelos desmatamentos e queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal é a pecuária devido ao alto consumo de carne (boa parte exportando animais in natura (animais vivos) para outros países. Já há mais bovinos do que pessoas no Brasil. De acordo com o IBGE, o Brasil possui 215 milhões de cabeças de gado para 210 milhões de habitantes. Por isso, nossa responsabilidade individual sobre nossas escolhas afetam a dimensão coletiva. Trago esses dados, pois ser professora e pesquisadora fazem estudar movimentos que extrapolem os muros da academia. Ética, estética e política oferecem a possibilidade de pensar em outros mundos possíveis. Do que estou me alimentando e compartilhando com outrxs?

Fonte: UFRR

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