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Desafios indígenas é tema de seminário na UFT

O Tocantins tem uma população aproximada de 10 mil indígenas, divididos em oito etnias: Akwen-Xerente, Mehin-Krahô, Pahin-Apinajé, Iny-Javaé-Karajá-Xambioá, Krahó-Kanela e Avá Canoeiro. Neste cenário, a Universidade Federal do Tocantins (UFT) foi pioneira entre as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) ao estabelecer uma política de cotas específicas para indígenas já no seu primeiro Vestibular, em 2004, oito anos antes da Lei Nacional de Cotas ser sancionada.

Desde então, já passaram pela universidade mais de 500 acadêmicos indígenas, mas não basta apenas trabalhar políticas de ingresso à instituição, é preciso discutir a permanência desses alunos. Pensando em questões como estas, acontece nos dias 19 e 20 de abril, no Câmpus de Palmas, o I Seminário Desafio Indígenas da UFT. O evento é organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão (Proex), pelo Grupo de Estudos em Saúde Indígena  e pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei).

O objetivo do Seminário é discutir os principais desafios enfrentados pelos povos indígenas do Tocantins e estabelecer um espaço permanente de discussão na universidade, considerando questões como Relações Interétnicas, Saúde, Educação, Território e Meio Ambiente, a fim de convidar o poder público e toda a sociedade a refletir sobre a relação historicamente constituída entre o Estado do Tocantins e suas populações originárias.

Para isso, professores, técnicos administrativos, acadêmicos, sociedade civil, indígenas, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ministério Público Federal, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre outros, vão debater temas relacionados a pesquisas feitas na UFT com os povos originários do Tocantins, ouvir acadêmicos e egressos indígenas da instituição e discutir sua trajetória. “Por meio destes debates, pretendemos propor contribuições para elaboração de intervenções e políticas públicas que considerem o protagonismo e a diversidade dos povos indígenas do Estado”, explica Reijane Silva, uma das organizadoras do evento.

Programação – A abertura do Seminário será no dia 19 de abril, às 9h30, no auditório do Bloco III, Câmpus de Palmas, com uma apresentação cultural; às 10h30, terá uma mesa-redonda onde serão discutidas as relações interétnicas no Tocantins com a presença da professora Reijane Silva, do procurador da república Álvaro Manzano e da acadêmica indígena NarúbiaWerreriá. Às 14h30, será discutida as questões sobre território e impactos ambientais, com o antropólogo do MPF Márcio Martins, o professor Cleube Silva, além de representantes da Funai.

No dia 20 de abril, a programação segue a partir das 9h discutindo educação indígena com os professores Odair Giraldin, Doracy Morais e Adriano Castorino e o estudante Ivan Guarany. Às 14h30, terá uma mesa com profissionais indígenas egressos da UFT e de outras instituições de ensino do Tocantins, mediados pela professora Sandra Alberta, para falar dos desafios de permanência na universidade, dificuldades encontras, entre outras questões.

Lançamento – O evento será encerrado no dia 20 de abril, com o lançamento do livro “Povos Indígenas do Tocantins: desafios contemporâneos”, uma coletânea organizada pela professora e antropóloga Reijane Silva, que conta com contribuições de um grupo de professores, técnicos administrativos e egresso da UFT, além de profissionais que atuam nas áreas indígenas.

O livro reúne algumas reflexões sobre a relação dos indígenas do Estado com a sociedade envolvente, além de desafios como a convivência com a sociedade nacional, visões distorcidas, saúde indígena, territorialidade, impactos ambientais em terras indígenas, entre outros temas.

Permanências – Pensando na permanência dos acadêmicos indígenas na universidade a UFT conta atualmente com o Programa Institucional de Monitoria Indígena (Pimi), o Grupo de Trabalho Indígena (GTI), o Programa Bolsa Permanência e atendimentos individualizados por meio do centro de apoio psicopedagógico. Além disso, a Proest auxilia os acadêmicos indígenas com alimentação e moradia.

Também está sendo implantado o Programa Dialógico de Acesso Indígena e Quilombola, através da Proex. Adriano Castorino explica que a universidade percebeu que muitos alunos indígenas passavam no vestibular sem compreender o que era o curso escolhido, gerando muitas mudanças. O programa pretende mostrar a esses estudantes como são os campos de atuação de cada profissão e o que será estudado, buscando diminuir o problema.

Sobre a permanência do indígena na UFT, Castorino, discorre: “O problema é complexo e multifacetado. A lógica dos estudantes indígenas (mesmo os menos aldeados) é distinta do modelo de conhecimento ocidental. O desafio da inclusão é imenso, afinal, ao incluir uma pessoa, de corpo e de direito, se inclui também suas formas de ver o mundo, de interação com o mundo, se inclui também uma língua, uma cultura, uma perspectiva”.

Pesquisas – A UFT conta atualmente com várias pesquisas ligadas à área indígena, além de atividades de extensão ligadas à área de saúde, línguas e formação. Só na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação nos últimos dois anos foram cadastrados mais dez projetos na área, isso sem contar os que são realizados sem cadastramento.

Para Silva, “esse debate se faz fundamental para que possamos, no âmbito da Universidade, contribuir para que esses povos, especialmente os que ocupam territórios dentro do Tocantins, ganhem visibilidade no que concerne à sua diversidade, garantia de proteção e respeito aos seus modos de existência”.

Fonte: UFT

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