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Giro nos Estados

Com apoio da Funcap, empresa cearense desenvolve produto para ajudar na regeneração de solos degradados

Ajudar na recuperação da fertilidade de solos degradados. Essa é a função doZeoclay P46desenvolvido pela Policlay Nanotech com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). De acordo com o professor Lindomar Roberto, pesquisador responsável da empresa e professor do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da Universidade Federal do Ceará (UFC), normalmente, o que mais causa a degradação do solo é o manejo inadequado no momento do cultivo agrícola.

O produto desenvolvido pela Policlay ajuda a recuperar esse prejuízo. “Ele é utilizado por meio da aplicação direta no solo, antes de iniciar a irrigação com água salobra, salgada ou doce”, explica Lindomar. Um processo de troca iônica ocorre durante a ação do Zeoclay P46, quando o produto adsorve as partículas de cálcio e magnésio ao entrar em contato com a água.

Segundo o pesquisador, durante a utilização de água salobra ou salgada na irrigação, a presença da Zeoclay P46 tem a propriedade de evitar a indisponibilidade do sal contido na água para a planta, causando prejuízos ao desenvolvimento da mesma. “Já a (água) doce seria para permitir que o produto retire o excesso de sal já presente no solo, que caracteriza em parte um solo degradado”.

Sobre a porcentagem de recuperação de solos, o professor afirma que “não dá para tratar em termos percentuais, tendo em vista que o projeto ainda não foi finalizado. Até porque a recuperação total dos solos pode levar décadas”. No entanto, o produto possibilitará o aumento de produtividade das comunidades, pois os solos improdutivos tornarão a ser usados para produção agrícola.

De acordo com o professor, no caso do Ceará, a salinidade ainda não pode ser considerada como grande responsável pela desertificação. Entretanto, existem áreas em que os resíduos da dessalinização de águas salobras estão sendo despejados ao acaso nos solos, elevando a salinidade dos mesmos a tais níveis que o crescimento das plantas cultivadas e nativas é afetado.

Conforme números de 2010, no Nordeste do Brasil há mais de nove milhões de hectares com problemas de salinidade ou alcalinidade. Na Bahia encontra-se a maior área de solos afetados por sais, com cerca de 44% de áreas salinizadas, seguida pelo Ceará, com aproximadamente 25,5%.

Apoio da Funcap

O edital Pappe Integração n°10/2010 da Funcap, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinou R$ 399 mil ao projeto “Desenvolvimento e aplicações de zeólitas na dessalinização de águas e na reabilitação de solos improdutivos do semiárido nordestino para o cultivo de girassol (Helianthus annus) destinado à produção de biodiesel”.

O projeto foi submetido ao Pappe Integração com o objetivo de viabilizar em escala industrial a produção do produto desenvolvido em laboratório, a fim de aplicá-lo na agricultura. A cultura de girassol foi utilizada para medir o grau de recuperação do solo a partir da mensuração da produtividade apresentada.

Os solos usados como substratos naturais para reabilitação e posterior cultivo estão em uma área localizada no município de Irauçuba (CE) e na fazenda experimental da Universidade Federal do Ceará (UFC) em Pentecostes.

Ligação com o Semiárido

Outro produto desenvolvido pela empresa é o Acqua Soft, cuja função é abrandar água salobra. Os dois produtos têm em foco problemas enfrentados por comunidades localizadas em regiões do Semiárido nordestino.

A inclinação para desenvolver produtos relacionados à temática é fruto de um esforço pessoal do pesquisador Lindomar Roberto. “Eu sempre tive questões ambientais e o desenvolvimento do Semiárido como algo que eu gostaria de contribuir. E como essas são as (questões) centrais do Semiárido, é por aí que a gente tem que começar, e não ficar rodeando, tentando minimizar alguma coisa, que no final das contas não traz o efeito desejado”, explica.

De acordo com o professor, o interesse na recuperação dos solos surgiu inicialmente por conta da situação presenciada no município cearense de Irauçuba. “Mas agora a gente vê que, na realidade, é muito mais interessante nos focarmos no tabuleiro de Limoeiro do Norte, Morada Nova. Ali está ocorrendo um problema sério. Está havendo itinerância nas culturas que estão sendo produzidas lá”, alerta.

O pesquisador chama atenção para o uso de uma água de qualidade ruim na irrigação das culturas produzidas. No momento, afirma, consegue-se produtividade porque as culturas são melhoradas geneticamente. No entanto, segundo Lindomar, com o tempo, o solo começará a manifestar problemas graves, refletidos na produtividade.

“Quando a produtividade atinge um nível de declínio que já é considerado pelo setor produtivo inviável economicamente, eles simplesmente abandonam a área que degradaram e vão para outra. E o ciclo se repete. Até que não tenham mais área para cultivar”, aponta Lindomar.

Atualmente, explica o pesquisador, a Policlay está direcionando suas pesquisas em busca de uma recuperação cada vez maior de solos degradados e na solução de outras questões ligadas ao Semiárido.

Fonte: Funcap

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