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Ceará comemora o 8 de Março debatendo o papel da mulher na Ciência

Professora Zelma Madeira destacou o papel da educação como meio de mudança durante comemorações no Dia Internacional da Mulher

A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior contou com uma programação especial em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, nesta quarta, 8 de março. Logo após o café da manhã oferecido às colaboradoras, a professora Zelma Madeira, Coordenadora Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial do Estado Ceará, ministrou palestra sobre “Mulheres Negras na Ciência – Mulheres na História da Educação”.

Para a convidada, “o sexismo e o racismo estruturam as relações sociais e definem o jeito de pensar e construir conhecimento no País”. Dados apresentados mostram que a população brasileira declaradamente da cor preta é de apenas 8,6%. Indígenas ou amarelos são 0,9%. Isso porque grande parte das pessoas se declaram pardas ou brancas.

Ao abrir o evento, o secretário Inácio Arruda, ressaltou a importância de se promover debate sobre o tema em uma dia tão significativo. “Zelma é uma dessas mulheres determinadas, que traz sua força e sua energia para tratar de problemas cruciais da sociedade brasileira”. Na avaliação do secretário, “há um esforço significativo para que as mulheres comandem áreas estratégicas, incluindo a produção de ciência e tecnologia no Estado do Ceará.

Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), com Mestrado em Sociologia do Desenvolvimento e doutorado em Sociologia, pela Universidade Federal do Ceará, Zelma Madeira é professora do curso de graduação de Serviço Social e do Mestrado em Serviço Social, Trabalho e Questão Social, ambos na Universidade Estadual do Ceará (Uece), onde coordena o NUAFRO – Laboratório de Afro-brasilidade, Gênero e Família e líder do Grupo de Pesquisa Relações Étnico-Raciais, Cultura e Sociedade, desde 2010.

Ainda durante sua fala, Zelma explicou como a discriminação e o racismo vão estruturando a socialidade brasileira. Preconceitos aparecem em todos os lugares, na prática cotidiana e muitas vezes não são percebidos. “Há uma estética racista”, diz a palestrante ao exemplificar situações corriqueiras como a de acharmos que uma negra é sempre a funcionária do prédio em que moramos e nunca a proprietária.

A saída para esse problema vem da educação. “A educação vai salvar o mundo, produzir cidadãos críticos, não racistas, não sexistas, não xenófobos, não classistas, não homofóbicos”. Daí, segundo ela, a relevância das leis de cotas para acesso às universidades, como a lei nº 244, aprovada em 22 de dezembro de 2016, que reserva 50% das vagas das universidades estaduais cearenses para egressos de escolas públicas.

“Em 1854, negros e negras não poderiam ser admitidos na escola. Em 1878, eles foram aceitos, mas apenas no período noturno. O País legitimou leis que proibiam e dificultavam o acesso da população negra na instituição escolar em qualquer nível de ensino”, conta.

E é justamente esse gargalo que precisa ser sanado. Para essa parcela da população é preciso buscar a excelência para haver reconhecimento no campo da produção do conhecimento, da ciência e da tecnologia. “Ninguém dúvida que um negro é excelente no futebol e no samba, mas quando falamos em produção de tecnologia não basta ser bom. Você será posto em dúvida quanto ao seu caráter, sua postura moral, ética e sua capacidade cognitiva”, denuncia.

A presença de mulheres negras na ciência é minima no Brasil. Somente em 2013, o CNPq solicitou aos pesquisadores brasileiros que informassem sua etnia no lattes.

Fonte: Secitece CE (adaptado)

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