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Campo Grande realiza o I Seminário de Chikungunya do Centro-Oeste

A capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, sediou nos dias 09 e 10 de abril o 1° Seminário Centro-Oeste de Chikungunya: novo desafio para saúde pública nas Américas. Organizado pela Fiocruz Mato Grosso do Sul, o evento reuniu profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), representantes de instituições que integram a rede pública e/ou privada de saúde, além de estudantes de graduação e pós-graduação, docentes e pesquisadores de todas as regiões do Brasil.

Durante o Seminário foram discutidas as ações a serem realizadas quanto ao manejo clínico, o controle e a vigilância da chikungunya e também da dengue, doenças semelhantes e transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti.

Na cerimônia de abertura, o coordenador da Fiocruz Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio, afirmou que é necessário organizar uma rede de atenção aos casos suspeitos de chikungunya de forma diferente do que sempre foi feito em relação à dengue, pois a nova doença apresenta possibilidade de se tornar crônica, ou seja, um percentual de doentes continuará a exigir cuidados por períodos prolongados. “Infelizmente não podemos impedir que uma epidemia de chikungunya instale-se não só em nossa região, mas em todo o Brasil. É apenas uma questão de tempo para que isso aconteça, e precisamos estar preparados”, alertou.

Por ser uma doença recente no país, os especialistas em Saúde ainda estão estudando seu desenvolvimento, já que ela ocorre de formas distintas em cada localidade. “Não temos experiência nessa doença, por isso o alerta é total e precisamos nos preparar para o pior cenário. Quem teve dengue e depois pegar a Chikungunya, vai sentir saudades da dengue”, enfatizou Rivaldo.

A abertura contou com a presença do professor Giovanini Coelho, coordenador do Programa Nacional de Dengue e Chikungunya do Ministério da Saúde, que considera a doença um grande evento epidemiológico do século 21. “Diante de um cenário de previsão, devemos nos organizar com um plano de contingência para combater a chikungunya, fazendo uma campanha de mobilização que seja em conjunto, o trabalho tem que ser feito pela população como um todo”, salientou.

Já o diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) Marcelo Turine, que também participou da mesa de abertura, ressaltou a importância do evento, que trata de uma área estratégica para o Brasil – a saúde pública. “Em tempos de crise nacional, representa um grande desafio buscar meios para darmos continuidade às ações em Saúde. Graças a parcerias entre a Fundect, a Fiocruz e o CNPq, é possível continuar fomentando projetos de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação em nosso estado”, garantiu Turine.

O assunto do evento gerou tanto interesse, que foi preciso acomodar os 718 inscritos em um auditório e mais duas salas que transmitiam o vídeo em tempo real, na Universidade Anhanguera Uniderp. Além disso, foram arrecadados 415 quilos de alimentos não perecíveis, que serão doados a um projeto que ajuda catadores de materiais recicláveis da cidade. Para saber mais detalhes sobre o Seminário e todas as palestras realizadas, acesse o site www.seminariochikungunya.com.br.

O que é a Chikungunya

De acordo com o dialeto africano makonde, chikungunya significa “aqueles que se dobram” – uma referência ao andar curvado dos pacientes devido às fortes dores.

O vírus da chikungunya é transmitido aos humanos pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Os sintomas são semelhantes aos da dengue, porém, a febre alta e as dores nas articulações são acompanhadas de inflamação. Outros sintomas também podem ser observados, como dores de cabeça e musculares, além de náusea, fadiga e lesões na pele. Outra característica é que os sintomas da dengue duram dias, enquanto que os da chikungunya podem durar meses ou até anos, conforme Rivaldo Cunha.

O diagnóstico depende de uma avaliação clínica cuidadosa e do resultado de exames laboratoriais. Assim como ocorre nos casos confirmados de dengue, o tratamento contra a Chikungunya é feito à base de analgésicos e antitérmicos.

A febre Chikungunya foi detectada pela primeira vez em 1952, na África, espalhando-se em seguida para a Ásia. No final de 2013 a doença foi registrada nas Américas. Até de janeiro de 2015, foram mais de 1,135 milhão de casos suspeitos registrados nas ilhas do Caribe, países da América Latina e Estados Unidos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, sendo que 176 mortes foram atribuídas à doença no mesmo período.

No Brasil, os primeiros casos foram registrados em 2014. De acordo com dados do último boletim do Ministério da Saúde, já foram notificados no país mais de quatro mil casos suspeitos, localizados principalmente nos estados do Amapá e da Bahia, além de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde um caso foi confirmado ano passado.

Alguns municípios brasileiros chegaram a enfrentar epidemias de chikungunya em 2014, como é o caso de Feira de Santana – BA. Segundo a Técnica em Vigilância daquele município, Maricélia de Lima, o primeiro caso registrado foi em maio de 2014. Era um brasileiro que morava em Angola, na África e veio para a formatura da filha, no Brasil.

“Inicialmente, suspeitamos de dengue, mas os exames deram negativo. Depois, malária, e novamente os resultados foram negativos. Até que alguns familiares dele adoeceram, depois alguns vizinhos e de repente muitas pessoas do bairro estavam com os mesmos sintomas. Enfim, já havia uma epidemia no bairro quando conseguimos descobrir que era a tal chikungunya”, relatou Maricélia, que comparou a chegada da doença como um tsunami, pegando a todos totalmente desprevenidos.

Trabalho em pesquisa

Mesmo pouco conhecida, a chikungunya já vem sendo objeto de estudo no Brasil há três anos, num trabalho de pesquisa liderado pela virologista Claudia Nunes Duarte dos Santos, coordenadora do laboratório de virologia molecular do Instituto Carlos Chagas, no Paraná. Os especialistas conseguiram isolar o vírus causador da febre chikungunya em amostras humanas.

O gene do vírus foi sintetizado quimicamente e a partir dele foi produzida uma proteína recombinante. A intenção é que, a partir dos estudos, os resultados de exames possam ser obtidos em 15 minutos. “É um direito do paciente receber diagnóstico rápido e seguro, e quem trabalha com saúde pública precisa ser eficiente e garantir que isso aconteça”, esclarece Cláudia.

De acordo com a pesquisadora, ainda há alguns desafios pela frente, como fortalecer o desenvolvimento tecnológico com novos insumos para detecção, prevenção e tratamento da chikungunya no Brasil.

Fonte: Fundect

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