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Aluna da UFS conquista o 15º Prêmio Destaque CNPq

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) recebeu o 15º Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica, promovido pelo CNPq. A conquista, na área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias, foi a primeira da UFS na premiação, que nesta edição teve apenas duas universidades nordestinas agraciadas – a outra vencedora foi a Universidade Federal do Ceará, na categoria Ciências da Vida.

A façanha é de Isabela Maria Monteiro Vieira, 24, formada em Engenharia de Produção e, atualmente, aluna de doutorado em Biotecnologia pela UFS – o trabalho vencedor foi desenvolvido no curso de graduação. Ela é orientada pelo professor Daniel Pereira da Silva, do Departamento de Engenharia de Produção (Depro).

O trabalho premiado, intitulado “Novas perspectivas na produção de biossurfactantes”, apresenta a obtenção de um produto de origem biológica para substituir os sufactantes sintéticos ou químicos – produzidos em sua maioria a partir de derivados petroquímicos, nocivos ao meio ambiente.

Os biossurfactantes podem ser utilizados, por exemplo, na limpeza de locais marítimos e terrestres, contaminados por derramamento de petróleo, além de diversos usos comerciais. Eles são conhecidos há algum tempo, mas o desafio tem sido sua viabilidade econômica.

 

Isabela Maria Monteiro Vieira: a avaliação externa reforça a importância e qualidade do trabalho.
Isabela Maria Monteiro Vieira: a avaliação externa reforça a importância e qualidade do trabalho.

A pesquisa de Isabela e Daniel é inédita por utilizar frações ricas em hemiceluloses provenientes de sabugo de milho, o que pode reduzir os custos de produção. “Observamos que pequenas quantidades dessas frações foram suficientes para obtenção dos biossurfactantes de modo diferenciado”, diz.

Ela ressalta que além da possibilidade do barateamento dos custos de produção, houve ainda a obtenção de um produto com melhor afinidade ambiental e com características promissoras para o mercado.

Em seu primeiro prêmio em âmbito nacional, Isabela considera que o reconhecimento pelo resultado de seu trabalho chegou de forma inesperada. “Quando ele [Daniel] me pediu para enviar o trabalho, eu estava um pouco descrente. O reconhecimento é importante porque você passa horas atrás do computador escrevendo, buscando informações, lendo, montando relatório e pensando, para depois pessoas externas avaliarem e verem que realmente aquele trabalho que você fez e se esforçou está bom. Acaba sendo uma coisa bastante importante, de lavar a alma”.

De acordo com o professor Daniel, a chance de poder orientar alunos e observar sua evolução é gratificante, processo que ele opera há três anos na instituição. “É a felicidade de ver um fruto se transformando em multiplicador. […] Na verdade, o que deixa a gente feliz é ver que o aluno aprendeu e seguiu a mesma linha [de pesquisa]. E se não seguir, ver que amadureceu. Acho que o pesquisador – pelo menos eu, como pesquisador – busca muito o amadurecimento profissional”, considera.

Prêmio Destaque

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criou em 2003 o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, atribuído em duas categorias: Bolsista de Iniciação Científica, com o objetivo de premiar os bolsistas de iniciação científica dos programas institucionais, e Mérito Institucional, que reforça as ações de iniciação em pesquisa das universidades.

Em 2012, o prêmio foi ampliado e passou a ser denominado Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica. A nova categoria “Bolsista de Iniciação Tecnológica” foi criada, englobando bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti) e bolsista de Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI).

A premiação acontecerá na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada em Maceió, Alagoas, no mês de Julho. As passagens e hospedagem fazem parte do prêmio, que conta ainda com bolsa de mestrado ou doutorado, mais R$ 7 mil em dinheiro.

 

Professor Daniel Pereira da Silva: "É a felicidade de ver um fruto se transformando em multiplicador" (Fotos: Dayanne Carvalho - Ascom/UFS)
Professor Daniel Pereira da Silva: “É a felicidade de ver um fruto se transformando em multiplicador” (Fotos: Dayanne Carvalho – Ascom/UFS)

“É ótimo porque Sergipe entrou no rol dos estados que já ganharam essa premiação, ainda mais sendo tecnológico. […] O tecnológico tem um perfil de ter que ser tecnológico, tem que ser inovador, então isso dá à universidade e ao estado um pouco de respeito às pesquisas que são tecnológicas”, afirma professor Daniel.

Biotecnologia

Ainda na graduação, a Isabela teve o interesse pela área de biotecnologia provocado em uma palestra do próprio orientador, três anos atrás. A possibilidade de exploração desse campo de conhecimento foi um aspecto que despertou sua atenção.

“Fui atrás do professor e perguntei se tinha como participar e então fomos discutindo, pesquisando e acabei entrando na iniciação tecnológica. Estou aqui até hoje porque o assunto é muito interessante e muito vasto, então essa vastidão realmente me instiga a correr atrás e fazer desenvolver cada vez mais experimentos, ter resultados e ver o que pode ser feito de diferente”, esclarece.

Contudo, essa vastidão de possibilidades dentro da linha de pesquisa não significou facilidade. Professor e aluna esbarraram no obstáculo advindo da raridade de outros estudos na área. “Como é tudo muito novo, é como se você estivesse dando passos na lua, então você descobre uma coisa e tem que parar e refletir para tentar entender. Às vezes não tem muito respaldo na literatura com aqueles resultados obtidos, então tem que pensar um pouquinho mais e como a gente está trabalhando com coisas tecnológicas, além dessa abstração toda, você tem que pensar na aplicação industrial que isso pode ter”, afirma a doutoranda.

Orientação

De acordo com o professor Daniel Pereira, Isabela foi se encontrando na área e se destacou porque ela encontrou um assunto que a deixou com vontade de pesquisar. “Antes de pensar se é difícil, que vai mexer com micro-organismos, se é patogênico ou não, ela foi ver se o assunto é interessante para ela”, esclarece.

Desse modo, os três anos de construção da pesquisa entre aluna e orientador foram, de certa forma, necessários para consolidar o processo produtivo e resultar no destaque do trabalho. “Eu acho importante porque já sei o modo como ele trabalha e ele sabe o modo como eu trabalho. Tem muito respeito. Facilita muito quando você já trabalha com um orientador há anos”.

Letícia Nery (bolsista)
Marcilio Costa

Fonte: UFS

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