Giro nos Estados

Alto desempenho, crise financeira e violência compõem atual cenário da Unb

A Reitoria da Universidade de Brasília (UNB) informou em carta aberta que estava recebendo “notificações sobre a circulação pelo campus de pessoas encapuzadas, portando paus e barras de ferro nas mãos”. A nota, publicada na última quinta-feira (3), afirmava que “essas ações contrariam a perspectiva da tolerância e do diálogo, sem os quais não há democracia”.

Um dia antes, a assembleia com a presença de mais de 1.300 alunos aprovou a greve estudantil, apoiando a greve de funcionários em andamento desde o fim de abril. Os atos de violência teriam ocorrido na manhã seguinte, quando grevistas fizeram piquete para impedir as aulas. Scarlet Ramos, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), reclama da redução da segurança e afirma que o clima reproduz a situação da sociedade brasileira.

Estudantes de Letras e Ciências Políticas, que não quiseram gravar entrevista, comentam que alunos de Agronomia seriam os encapuzados e que em greves anteriores já tinham feito isso, de forma isolada, porque a segurança na universidade era maior. Estudantes de Agronomia dizem que os encapuzados eram os autores do piquete.

O Centro Acadêmico de curso teve pichações e vidros quebrados no mesmo dia da assembleia. André Fernandes, presidente do CA, atribuiu o fato à posição contrária à greve. Estes não foram os únicos casos de violência. No dia 26 de abril, estudantes mulheres foram agredidas e ameaçadas com canivete durante manifestação dentro da UNB sobre a crise financeira.

O prédio da Reitoria passou por ocupação que acabou no dia 30 de abril de forma negociada e tinha o mesmo objetivo das greves, protestar contra a decisão da UNB de rever contratos das empresas terceirizadas. A consequência é a demissão de funcionários. Os trabalhadores da segurança já estão em aviso-prévio, que deve terminar em 15 de maio.

Maurício Sabino, coordenador do sindicado dos trabalhadores, afirma que a Emenda Constitucional 95, que impôs um teto de gastos para a administração pública, é a fonte do problema.

No final de março, a reitora da UNB, Márcia Abrahão expôs a situação financeira em uma coletiva de imprensa. Sem o corte de despesas, a UNB corre o risco de parar de funcionar em agosto. No entanto, a decana de Planejamento e Orçamento, Denise Imbrósio, nega que esteja se repetindo o caso da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que teve aulas suspensas por causa da crise financeira.

A UNB aparece nos rankings internacionais como o QS 2018 e THE 2018, entre as doze melhores universidades brasileiras. No ranking feito pelo Ministério da Educação, o IGC, a universidade alcança a nota máxima desde 2014.

Desde agosto do ano passado, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Andifes, comenta publicamente as perdas orçamentárias das universidades, que foram de 20% apenas de 2016 para 2017 e se agravaram neste ano por causa da emenda do teto dos gastos.

Na semana passada, o Ministério da Educação informou que desde o início deste ano, já repassou R$ 2, 4 bilhões  para as instituições federais.

Fonte: EBC

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