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Acolhimento: 140 venezuelanos recebem certificados de curso de língua portuguesa na UFRR

Na noite desta quarta-feira (18), no auditório do Colégio de Aplicação (CAp/UFRR) 140 venezuelanos que estão morando em Boa Vista, receberam certificados de conclusão do curso de português, com 40h, realizado no âmbito da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

A cerimônia que contou com professores, técnicos, alunos representantes da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do reitor da UFRR, Jefferson Fernandes, foi realizada com emoção e com a presença de familiares, encerrando os trabalhos desta primeira turma. Os voluntários estão planejando a abertura de novas turmas ainda este ano.

A atividade faz parte das ações da Cátedra Sérgio Vieira de Melo, resultado do acordo assinado com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), na perspectiva de desenvolver ações de educação, pesquisa e extensão voltadas à população em condição de refúgio. A atividade também dialoga com os trabalhos do projeto Acolher, desenvolvido por vários professores e estudantes voluntários da UFRR no atendimento humanitário, pedagógico e cultural aos migrantes.

A professora Júlia Camargo, do curso de Relações Internacionais e integrante da equipe, afirma que o ensino e o conhecimento têm que servir as pessoas. “A UFRR tem um carinho especial pelo projeto e sempre buscou soluções. Aproveito para dizer que teremos nesta sexta (20) a inauguração do Centro de Referência ao Migrante, com atendimento jurídico e cidadão. Pela noite, no Centro, teremos aulas de capoeira, dança africana, yoga, dentre outras atividades que logo serão divulgadas”, explicou.

O reitor da UFRR, professor Jefferson Fernandes disse que o projeto reafirma o compromisso da UFRR como instituição pública no Brasil, prestando um serviço a todas as pessoas independente da origem e do destino. “A UFRR tem uma diversidade de pessoas que convivem no ambiente acadêmico, por isso é um privilégio contribuir neste momento, ajudando a vocês a aprenderem a nossa língua e inserirem-se no contexto brasileiro. O projeto contribui com a cidadania de vocês, mesmo longe do país, por isso estamos honrados por acolher vocês”. Minha palavra de incentivo é: continuem a trajetória estaremos aqui para contribuir da melhor forma possível neste processo”, ressaltou o reitor.

O venezuelano Raul Yovera, 31 anos, engenheiro mecânico está há dois meses em Roraima com a mulher e dois filhos. Raul, assim como vários alunos, deslocava-se de bicicleta por meia hora para chegar às aulas na UFRR. Ele diz que o curso é de grande relevância para sua vida. “Com o curso tenho ferramentas para socializar com as pessoas, possibilidade de trabalho e poderei ajudar minha família”, afirmou.

A cubana Claúdia Rosell, 29, veio de Havana e está no Brasil há sete meses. Ela destaca a qualidade e atenção das professoras na UFRR. “Os migrantes têm que pensar muito bem os passos que vão dar, porque todos têm famílias que aguardam por eles na sua terra. Minha mensagem para os brasileiros é que estou muito feliz com vocês! Não conhecia esta cultura diretamente. Alguns lutam e fazem com suas famílias no dia a dia este acolhimento” disse.

A venezuelana Yenolherdin Gabriela Otaiza veio de Valência com a família e estava presente na formatura com a bebê de colo. Ela diz que o curso é importante para abrir as portas profissionais, assim como contribui para o crescimento pessoal. “Sofremos com a xenofobia em muitas situações no Brasil, por isso é maravilhoso encontrar pessoas com estas. Por favor, sigam assim”, agradece.

Cátedra – A UFRR é a primeira universidade da região Norte do País a firmar um acordo com a ACNUR, com o objetivo de cooperar na implantação da Cátedra Sérgio Vieira de Melo (CSVM), fórum acadêmico para a promoção dos direitos dos refugiados. Neste acordo de cooperação, a ACNUR estabelece linhas de ação na dimensão do ensino, pesquisa e extensão que serão executadas pela UFRR durante dois anos. Veja mais aqui.

Fonte: UFRR

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