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Agenda nacional para C&T em debate no fórum do Confap

Secretário de C&T do Pará, anfitrião do Fórum Nacional do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), pede fim de visões regionais sobre o tema

O fórum foi aberto oficialmente nesta quinta-feira, dia 2, em Belém (PA). Após a solenidade de abertura, o secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Pará, Maurílio de Abreu Monteiro, apontou para a urgência de uma agenda nacional de pesquisa, ao contrário das atuais visões regionais fragmentadas e frequentemente desconexas. Para ele, é fundamental eleger prioridades.

O secretário destacou paradigmas e trajetórias tecnológicas desenvolvidas e construídas em outras bases, para ecossistemas diferentes, sem respeitar a diversidade ambiental. Ele citou projetos que são desenvolvidos no Sudeste para aplicação na Amazônia, sem considerar as peculiaridades do meio-ambiente, da cultura e da economia local.

Em sua palestra, o secretário afirmou que a Amazônia tem historicamente menor investimento em C&T do que a média nacional, o que se reflete em crescimento desigual em relação ao restante do Brasil. A notícia boa, segundo ele, é que o Nordeste, que apresentava indicadores semelhantes, já mostra sinais de reversão da situação.

Monteiro ainda citou a questão do ensino na Amazônia, em particular no estado do Pará, como exemplo evidente das desigualdades nacionais. Para ele, a redução desse abismo passa necessariamente pelo trabalho em rede, com a implantação de universidades em cada centro regional da Amazônia e sistemas regionais de inovação, com respeito às vocações locais e envolvendo instituições federais fortes (universidades multicampi).

Doutorado em rede

No primeiro dia do fórum do Confap, a formação de recursos humanos também foi tema da apresentação sobre a Rede de Ensino de Matemática e Ciência para a Região Amazônica (Reamec). O programa visa à melhoria do ensino básico, a partir da formação de professores. A rede já tem 23 instituições associadas.

Na palestra, a professora Marta Maria Pontin Darsie, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e coordenadora da rede, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Mato Grosso (Fapemat) e a professora Terezinha Gonçalves Valin Oliver defenderam a necessidade de se estimular a urgente formação de doutores na Região Amazônica.

O projeto, segundo a professora Marta Maria, custa cerca de R$ 11,8 milhões, a serem aplicados em um prazo de quatro anos, formando um total de 90 doutores. “Doutores vêm de outras regiões e aqui não encontram as condições nem o salário que os incentivem a permanecer. Ficam dois ou três meses e depois vão embora. É preciso formar doutores da Amazônia para a Amazônia”, afirmou.

Outro tema debatido no primeiro dia do encontro dos dirigentes das FAPs foi o apoio a pesquisas relacionadas à vigilância sanitária e para a prevenção de desastres naturais. O Fórum Nacional do Confap termina nesta sexta-feira, dia 3.

Fonte: Jornal da Ciência

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