Entrevistas

Isa Assef dos Santos, presidente da ABIPTI

Presidente da associação que congrega mais de 200 instituições de tecnologia em todo o Brasil, a acreana Isa Assef dos Santos foi reeleita, no final de maio, para mais dois anos a frente da ABIPTI (Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica).

Confira a seguir a entrevista concedida pela presidente Isa Assef ao CONSECTI, em que fala sobre os desafios da ABIPTI para o próximo biênio, a importância dos institutos de Ciência e Tecnologia para a inovação nas empresas e o futuro da pesquisa no Brasil.

Presidente, quais serão os principais focos de atuação da ABIPTI para esta 2ª gestão?

Isa Assef: Será fundamentalmente a implementação do Plano de Gestão Estratégica que foi elaborado pelo CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos), que consiste em desenhar um mapa de segmentação, reposicionar o nosso papel na área de Ciência e Tecnologia a nível nacional e melhorar a representatividade institucional e política, para que nós possamos dar todo o apoio necessário aos associados.

A ABIPTI levou para a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação as propostas dos 210 institutos de pesquisa que representa. Dentre elas, o que a senhora considera fundamental para ser agregado na política de Ciência e Tecnologia do País?

Isa Assef: Reforçar os institutos de Ciência e Tecnologia com recursos do Governo Federal, porque o papel dos institutos se torna a cada dia mais fundamental. Hoje falamos do processo de inovação, e a inovação não acontece na academia, acontece na empresa. Os institutos serão essa ponte entre a academia e as empresas, um forte elo nessa cadeia de inovação e vão contribuir para a competitividade das empresas nacionais.

Entre os associados da ABIPTI, encontramos tanto instituições públicas como privadas. Como a senhora vê o atual nível de amadurecimento das parcerias entre instituições públicas e privadas em prol da pesquisa nos estados?

Isa Assef: Foi de fundamental importância o Governo trabalhar a Lei do Bem e a Lei de Inovação para facilitar a parceria público/privado, uma vez que é necessária essa integração entre as duas áreas. O que nós vamos fazer é segmentar quais são os interesses das instituições públicas e quais são os maiores interesses das instituições privadas para trabalhar juntos o que for o elo comum. E o que não for, procurar atender às demandas.

Qual é o papel do CONSECTI no fortalecimento da ABIPTI e seus associados?

Isa Assef: O CONSECTI é um associado de fundamental importância, porque ele é o parceiro do Ministério da Ciência e Tecnologia a nível dos estados. Então o Conselho tem uma visão ampla do papel, das necessidades e dos gargalos da Ciência e Tecnologia. Com essa visão nós podemos nos dar as mãos e, juntos, fazer um bom trabalho.

A senhora também é presidente da FUCAPI (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica), uma instituição do Amazonas. Como a senhora avalia o investimento em pesquisa nas diferentes regiões do Brasil?

Isa Assef: Nós temos um desnível regional muito grande no Brasil. Temos regiões como Sul e Sudeste, que vão muito bem e estão num patamar bom, e temos Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que precisam de apoio para poder galgar alguns degraus.

Nas políticas de investimento em Ciência e Tecnologia, o Governo é o grande indutor desse processo. Não há aquela história de “eu não vou dar apoio para o Sul e Sudeste porque eles já estão bem”. Negativo. Eles estão bem, mas precisam crescer, porque as coisas evoluem. Mas é preciso aplicar recursos naquilo que é mais necessário nas regiões, nas maiores carências. Digamos que seja formação e capacitação de recursos humanos. A que nível? Especialização, mestrado ou doutorado? Para que possa haver uma resposta de acordo com as necessidades de cada região, porque essas necessidades não são homogêneas, são heterogêneas.

Como a senhora vislumbra o futuro da pesquisa no Brasil?

Isa Assef: A minha visão é muito boa, pois nos últimos anos crescemos muito na área de Ciência e Tecnologia. Houve um apoio muito grande da atual administração, do Ministério da Ciência e Tecnologia e, através dele, da FINEP, do CNPq…

Tivemos crescimento de bolsas, dos financiamentos de pesquisas, em todas as regiões, da maior qualidade. A maioria dos estados que não tinham fundações de amparo à pesquisa ou secretarias de Ciência e Tecnologia estão criando as suas. E mesmo que hoje você escute que vamos muito bem na elaboração de papers no cenário internacional, mas não tão bem em registros de patentes, ainda assim já temos um crescimento bom.

O que falta? Precisamos melhorar a área educacional, incentivar que haja mais pessoas interessadas em fazer as engenharias. E assim como temos carência de engenheiros, temos também carência de outras áreas, como Física e Química. Eu vi agora na 4ª Conferência o Ministro da Ciência e Tecnologia incentivando o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) para fazer mais olimpíadas de Matemática. Isso é uma coisa muito boa, que vejo com bons olhos. Essa atual administração deixa plantada uma enorme perspectiva, e daqui pra frente será difícil retroceder.

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