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Universidades europeias oferecem bolsas exclusivas para brasileiros

O aumento da importância do Brasil nos mercados mundiais e a facilidade de interação dos brasileiros estão entre os fatores que fizeram com que países europeus criassem bolsas exclusivas para atrair os estudantes tupiniquins para universidades do Velho Continente. Alemanha, França e Holanda estão entre os países que oferecem bolsas para graduação, pósgraduação
e até mesmo cursos rápidos. Nos três casos, há possibilidade de se inscrever e ingressar em uma instituição de ensino ainda neste ano. A Holanda, por exemplo, criou no ano passado um programa exclusivo para brasileiros. Na primeira edição, 24 estudantes foram estudar lá. “Com o crescimento do Brasil, o aumento do nível de escolaridade e o interesse dos estudantes do Ciência sem Fronteiras, a Holanda resolveu criar a possibilidade de estudantes de outras áreas estudarem lá também”, diz a promotora educacional da Nuffic Brazil, Simone Perez. A Nuffic é uma fundação ligada ao Ministério da Educação holandês, com o objetivo de atrair estudantes. Em 2015, serão oferecidas 76 vagas pelo programa. “Entre as vantagens está um dos melhores ensinos superiores do mundo e o fato de as aulas serem em inglês”, destaca.

Um dos alunos que conseguiram a bolsa no primeiro ano do programa foi o advogado Júlio Furtado, de 28 anos. Ele faz mestrado em Direito na Radboud University, na cidade de Nijmegen, desde setembro de 2014. “Considerei opções nos Estados Unidos e outros países da Europa, mas a Holanda tem formas de inovação em seus cursos que me motivaram”, afirma. O estudante diz que não teve problemas de adaptação, já que a maioria das pessoas fala inglês, mesma língua das aulas. Júlio passou por processo seletivo que incluía carta de motivação, de recomendação e proficiência em inglês (Ielts). “O Nuffic dá os caminhos, quem dá a bolsa é a universidade”, explica. No caso do estudante, o mestrado 9.750 euros (R$ 29.384) e a bolsa garantiu 6.750 (R$ 20.343), além de taxas de visto e seguro saúde.

“Eu banquei o resto do curso e o meu custo de vida aqui, mas sem esse dinheiro seria difícil vir para cá”, diz. França. Já o governo francês oferece cerca de 190 programas de bolsas de estudos subsidiados, que dão aos estudantes estrangeiros os
mesmos benefícios que tem um estudante francês (custos com moradia e alimentação, dependendo do caso). A capital, Paris, foi considerada pela consultoria Quacquarelli Symonds (QS) como o melhor destino de estudo do mundo em 2015, por abrigar diversas faculdades consideradas de excelência, com preços acessíveis de matrícula. As candidaturas para estudar em uma dessas instituições pode ser feita por meio da plataforma do Campus France, agência do governo francês responsável pela promoção dos estudos na França. “Lá, os brasileiros representam 1,7% dos estudantes estrangeiros. O interesse pelos brasileiros está em serem sociáveis, comunicativos e bons em construir relacionamentos, características muito valorizadas pelas universidades”, destaca o diretor de Marketing da CampusFrance, Vincent Gleizes. O número de vagas ofertadas no programa varia em cada uma das 250 instituições que participam do programa.

Alemanha. O país da chanceler Angela Merkel também tem interesse nos brasileiros. “A Alemanha quer receber os estudantes do Brasil por causa das qualificações acadêmicas e do entrosamento com colegas alemães e de outros países. Os departamentos internacionais das universidades costumam, até mesmo, contratar uma pessoa para se dedicar exclusivamente aos estudantes brasileiros”, conta a coordenadora de Marketing do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), Silvia Bauer. As bolsas oferecidas são para cursos de língua e cultura alemã, destinadas a estudantes universitários e pesquisadores que já têm o conhecimento da língua; para pós-graduação nas áreas voltadas ao desenvolvimento sustentável; além dos cursos nas áreas de Arquitetura, Artes Cênicas, Artes Plásticas, Dança, Cinema, Design e Música.

Fundações. As fundações Estudar e Lemann também estão com inscrições abertas para cursos na Europa. O financiamento subsidia estudantes brasileiros interessados em fazer graduação ou pós-graduação (MBA, mestrado ou doutorado) em outros países. Em ambos os casos, as bolsas são parciais podendo chegar a 95% do valor total dos gastos , mas podem ser aliadas a outros tipos de financiamento.

A especialista em Recrutamento e Seleção da Fundação Estudar, Mariel Vieira, lembra que a entidade busca pessoas que farão parte da comunidade de líderes, que desde 1991 seleciona 30 bolsistas por ano. “Não olhamos só condição socioeconômica, mas o que já realizou. São pessoas de 16 a 34 anos, que desejam estudar fora”, diz. O valor das bolsas é estudado caso a caso, mas pode variar de R$ 100 mensais, no caso de estudantes de graduação no Brasil, a até US$ 15 mil (R$ 39 mil), em pósgraduações
no exterior. O número de concorrentes que buscam universidades fora tem aumentado. “A maioria é para os Estados Unidos, mas tem crescido o número de candidatos que querem também ir para Europa, China e Ásia.”

Já o Lemann Fellowship oferece bolsa por meio de universidades para estudar fora do país. A entidade tem uma parceria com a
Universidade de Oxford, na Inglaterra, que apoia estudantes no programa de mestrado em Políticas Públicas (MPP) da Blavatnik School of Government (BSG). Para participar, o estudante precisa ser aprovado pela universidade e depois pela fundação. O programa também oferece bolsas em universidades norte-americanas.

Fonte: Estadão (adaptado)

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