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Universidades corporativas ganham força no Brasil

No País, as empresas apostam cada vez mais em estruturas próprias para garantir formação e desenvolvimento de todos os níveis de colaboradores de maneira contínua. As universidades corporativas (UCs) são sistemas de educação direcionados ao trabalho.

Além de transmitirem aos funcionários suas filosofias, os conhecimentos e as competências necessárias para que atinjam os objetivos estratégicos, as companhias também buscam suprir as falhas do sistema educacional brasileiro.

“As empresas entendem que essa formação é um diferencial de competitividade. Por meio das UCs, as empresas se preparam para mudanças na economia global e volátil”, diz Marcos Baumgartner, presidente da Associação Brasileira de Educação Corporativa (AEC Brasil).

De acordo com ele, embora não haja um levantamento oficial, estima-se que existam mais de 300 universidades corporativas no País. “Mas acho importante considerar que muitas empresas no Brasil, embora não tenham universidades corporativas, já mantêm sistemas educacionais corporativos muito bem organizados.

Porta aberta. De acordo com ele, as iniciativas têm se multiplicado no País em curto espaço de tempo. O Brasil, muito influenciado pela experiência dos Estados Unidos, vem adotando o conceito de UCs em grandes empresas há 15 anos.

Segundo Baumgartner, a situação mais comum é de universidades corporativas para capacitação do universo próprio de colaboradores, contudo, há estruturas que extrapolaram a atuação para toda a cadeia de produção. Existem ainda as universidades corporativas setoriais, que desenvolvem cursos para os colaboradores de pequenas e médias empresas com a mesma natureza de operações.

A pesquisa “Práticas e resultados da Educação Corporativa 2012”, conduzida pela professora Marisa Eboli da Fundação Instituto de Administração (FIA), envolvendo 60 universidades corporativas, demonstra como se comportaram os orçamentos.

No ano passado, 55% das empresas ampliaram os recursos das UCs e 22% mantiveram no mesmo patamar de 2011. Apenas 23% tiveram reduções causadas por restrições financeiras internas, cenário econômico e mudanças no modelo de gestão.

Referência. Com uma história de 18 anos, o Isvor, instituto de desenvolvimento do Grupo Fiat, com sede em Betim (MG), é uma universidade corporativa atípica, considerada uma referência. “Nasceu para dar suporte ao grupo, mas passou por mudanças para atender também a outras empresas”, destaca Márcia Naves, superintendente do Isvor.

Atualmente, de 5% a 10% dos recursos vêm de companhias de fora do grupo. Por exemplo, Samarco, Tim, GE e Petrobrás já tiveram colaboradores capacitados no instituto. Em relação à Petrobrás, por meio de licitação, os proprietários de postos de combustíveis receberam treinamento em planejamento estratégico e segurança.

Dentro do Grupo Fiat, o Isvor oferece aprendizagem a todos os colaboradores, desde o chão de fábrica até o presidente. Em 2012, o Isvor treinou mais de 150 mil pessoas e, este ano, até setembro, 86 mil. Para a superintendente do Isvor, os investimentos em universidades corporativas tendem a aumentar no País nos próximos anos. “Educação gera crescimento econômico. É preciso capacitar para um mundo mais complexo da inovação”, diz Márcia.

Vantagem setorial. A Universidade Corporativa do Transporte (UCT), ligada à Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro foi constituída para atender a duas demandas do setor – a modernização da gestão das companhias e a qualificação dos motoristas.

“A maioria das empresas de ônibus no Rio é de estrutura familiar, nesse sentido, o processo de sucessão e formação das novas gerações é fundamental”, explica Ana Rosa Bonilauri, diretora de Gestão de Pessoas da UCT. Por conta da Copa do Mundo, a UCT com a prefeitura colocou em prática o programa No Ponto Certo para melhorar a qualidade da prestação de serviços. As atividades começaram em setembro e até dezembro 7,5 mil motoristas terão concluído o treinamento.

Fonte: O Estado de São Paulo

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