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Universidade americana quer ampliar atuação no país

Com escritório no país desde fevereiro deste ano, a Universidade do Sul da Califórnia (USC) segue com planos de atrair mais estudantes e pesquisadores brasileiros e aprofundar as parcerias com instituições nacionais. O acordo mais recente foi assinado no início do mês com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e vai disponibilizar bolsas de doutorado de até US$ 50 mil para pesquisadores de todas as áreas de conhecimento.

O vice-reitor de iniciativas globais da universidade, Anthony Bailey, e a vice-presidente de admissões, Katharine Harrington, visitaram o Brasil para a assinatura do acordo e a participação em feiras de universidades estrangeiras voltadas a alunos brasileiros de graduação e pós. A percepção, que resultou na abertura do oitavo escritório da universidade fora dos Estados Unidos no início do ano, é de que a aproximação da instituição com o país pode gerar benefícios para ambos os lados. “É um momento interessante para se estar engajado com o Brasil. Além de a economia ir bem, há uma grande necessidade de talento”, diz Bailey.

A universidade praticamente dobrou o número de alunos brasileiros nos últimos dois anos – de 32 para mais de 60 -, o que faz com que o país fique entre os 20 com maior presença no corpo discente da instituição. A USC é hoje a universidade americana com mais estrangeiros, quase um quarto do total dos cerca de 40 mil alunos, a maioria em programas de pós-graduação.

Na opinião de Katharine, ainda há espaço para crescer e esse número pode passar dos 100 nos próximos anos. Ela ressalta, porém, que a intenção não é atingir metas, mas encontrar os estudantes mais talentosos de qualquer lugar. “A USC é hoje um microcosmo do mundo onde esses alunos viverão. Os estudantes brasileiros têm espaço nesse ambiente.”

Além das bolsas oferecidas em parceria com a Capes – que incluem o custo de todas as taxas acadêmicas, passagem, auxílio mensal para o pesquisador e família e não têm limite de quantidade -, a universidade já está na segunda chamada de trabalhos de pesquisa em uma parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de manter relações fortes com a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A USC também recebeu nove alunos do programa Ciência Sem Fronteiras para cursos de engenharia. Como parte da estratégia para aumentar a presença no Brasil e o número de alunos do país no campus, a universidade também está montando um fundo de doações para a oferecer bolsas.

Uma das áreas em que a instituição possui forte tradição é a arte, disciplina que deu origem à universidade. São seis faculdades voltadas ao assunto, que abordam arquitetura, dança, música, artes plásticas, cênicas e cinema. A USC, inclusive, selecionou um brasileiro para um programa de bolsas nas escolas de artes, que oferece apenas quatro vagas globalmente.

Com o aumento da demanda por produção audiovisual nacional, que tem impacto no mercado de roteiristas, a universidade já recebe bolsistas da área com apoio do Governo Federal. Embora os alunos brasileiros estejam espalhados pelos diversos cursos, os representantes esperam poder contribuir para esse contexto. Uma das áreas mais fortes hoje na instituição é a que combina tecnologia e cinema. O centro de tecnologia audiovisual desenvolveu, por exemplo, a tecnologia do filme “Avatar.”

Para Bailey, se antes essas técnicas estavam restritas a empresas de tecnologia, no Vale do Silício, agora a tendência é abrir espaço para a contribuição de profissionais criativos, o que muda o foco para a cidade onde o campus da USC está localizado – Los Angeles, berço de Hollywood.

A valorização de disciplinas artísticas acaba contribuindo também para o clima do campus. “A ciência e a engenharia são meios para um fim. A arte tem um fim em si mesma, e nos ajuda a entender o que é ser humano”, afirma Katharine.

Fonte: Valor

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