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Talento científico ganha espaço nas organizações

Criar uma ponte entre empresas e profissionais capacitados para atuar na área de inovação é o principal objetivo do programa Inova Talentos, tocado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa tem conceito simples, mas atua em uma das maiores dificuldades da indústria brasileira: a seleção e capacitação de talentos com conhecimento técnico e perfil adequado para cada projeto. “Para instituir a figura do pesquisador na empresa, o CNPq financia a atuação do profissional por meio de bolsas científicas”, explica Rodrigo Teixeira, gerente-executivo de desenvolvimento empresarial do IEL.

O primeiro balanço realizado pelo IEL demonstra o interesse empresarial pelos pesquisadores. Na primeira fase do Inova Talentos, 232 projetos foram inscritos e 179 aprovados. Ao todo, 156 companhias, de todos os portes, estão executando projetos com bolsistas do CNPq, com 228 profissionais envolvidos.

Garantir que o profissional atue em inovação é um dos pilares do programa. Para receber o incentivo, a empresa tem de enviar projeto para análise – em resposta às chamadas de inovação CNPq/IEL – e mostrar que o bolsista fará contribuição relevante. As bolsas são de R$ 1,5 mil (para alunos no último ano de graduação), R$ 2,5 mil (graduados) e R$ 3 mil (para mestres titulados até três anos após o término da graduação). “Entre as exigências está o envolvimento de um tutor, que receberá treinamento para orientar o profissional e conduzir o projeto”, explica Teixeira.

Segundo ele, as empresas ainda têm dificuldade para recrutar profissionais com perfil científico e de entender a contribuição que eles podem dar para o avanço dos negócios, aumento da competitividade e diversificação de produtos e serviços. Na outra ponta, há dificuldade do pesquisador em entender o senso de urgência, a competição acirrada, o foco da inovação aplicada aos negócios e as exigências financeira de cada projeto. “Academia e empresas precisam se entender e atuar de forma sinérgica. Por isso, é importante quebrar a resistência entre as entidades, inserindo mais pesquisadores nas corporações”, comenta Teixeira.

De fato, o número de mestres e doutores atuantes nas empresas é baixo, quando comparamos o Brasil com países desenvolvidos ou em desenvolvimento. De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apenas 26% dos pesquisadores brasileiros trabalham em empresas. Na Alemanha, o índice é de 56,7%, na Rússia 48%, na Coreia 77,4%, na China 62,1%, no Japão 74,8% e nos Estados Unidos 80%.

A resistência das empresas é quebrada no momento em que a atuação do cientista dá resultados. “A forma de estruturar o projeto, o pensamento e o processo criativo é completamente diferente. Estamos aprendendo muito com esta troca”, afirma Sandra de Oliveira, gerente de Recursos Humanos da Amêndoas do Brasil. A empresa conta com a colaboração de uma engenheira de alimentos, recrutada na Universidade Federal do Ceará, para o desenvolvimento de um produto derivado da castanha de caju. “Percebemos que o conhecimento técnico-científico reduz o tempo entre a pesquisa e o lançamento da inovação no mercado”.

A experiência está motivando a Amêndoas do Brasil a criar um setor para pesquisa e desenvolvimento. A bolsista do CNPq é a única colaboradora – entre os 560 contratados – envolvida em projeto de inovação.

Outra vantagem do Inova Talentos, lembra Teixeira, está na multidisciplinaridade do programa. “Recrutamos jovens em todos os cursos e ajudamos as empresas a complementar equipes de inovação com profissionais de diferentes perfis.” Elialber Lopes, gerente de projetos na MW8, empresa de soluções criativas para comunicação, escreveu projeto solicitando programadores da área de tecnologia da informação para desenvolver um sistema de TV corporativa. Por indicação do IEL, recebeu bolsistas formados em design. A empresa conta com um desenvolvedor de sistemas e dois designers no projeto.

Fonte: Valor

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