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Startups ganham estímulo para carimbar passaporte

Prestes a completar 10 anos, a P3D, nascida na incubadora do Cietec, em São Paulo, é uma das poucas startups brasileiras verdadeiramente internacionalizadas. A empresa exporta seu software educacional 3D para 20 países, em 13 diferentes idiomas. Destinado ao ensino fundamental e médio, o aplicativo alia realidade virtual e tecnologia 3D nas áreas de ciências, geografia, biologia e química. Uma década depois de lançado, ele garante à empresa um faturamento em 2012 de R$ 16 milhões, dos quais pouco mais de R$ 2 milhões com exportação.

“As pessoas não entendiam bem como funcionava e a incubadora só nos aceitou porque um investidor anjo, intermediado pelo próprio Cietec, quis colocar R$ 1 milhão no negócio para que a ideia saísse do papel”, lembra o empreendedor Mervyn Lowe Neto.

Mais tarde, Lowe Neto resolveu bater à porta de investidores estrangeiros. “O aporte foi de R$ 1 milhão, com a obrigação de investir 50% do capital em exportações.” A empresa abriu um escritório na Espanha, ganhou vários prêmios internacionais e é apontada pelo mercado educacional como referência nesse tipo de conteúdo, usado por cerca de 5 mil escolas no exterior e mais de mil no Brasil.

Lowe Neto não esconde que exportar é caro, dá trabalho e o retorno é demorado. “O risco é grande, por isso, antes de ser seduzido pelo rótulo de empresa global, é preciso ter certeza de que o produto oferecido é realmente inovador e tem espaço no mercado desejado.”

Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, incubadora de base tecnológica com sede em Recife, concorda com o empreendedor. “O Brasil é prisioneiro do tamanho do seu mercado e o empreendedor enfrenta um ambiente hostil para implantar um novo negócio e fazê-lo deslanchar”.

O resultado desse cenário fica claro, por exemplo, quando comparados os volumes de exportação de softwares da Índia e do Brasil. Enquanto a indústria indiana registra transações da ordem de US$ 60 bilhões, por aqui, entre aplicativos e serviços, os valores giram em torno de US$ 2 bilhões, embora as duas indústrias tenham dado os primeiros passos praticamente na mesma época.

“O caminho é criar uma cultura empreendedora, que valorize a excelência do capital humano, o conhecimento diferenciado, a inovação. Tudo isso permeado por uma base sólida de investimentos em negócios efetivamente escaláveis.” Com essa conduta, o Porto Digital, que abriga as incubadoras Portomidia e Cais do Porto, se prepara para abrir sua primeira aceleradora de empresas, em janeiro de 2014, em parceria com a Jereissati Participações. E o Porto Digital não é o único a contar com as aceleradoras, a atividade vem crescendo ao redor dos bolsões de inovação espalhados pelo país.

O foco das aceleradoras são as startups com alto de poder de escala em curto espaço de tempo, daí o investimento maior em empresas de tecnologia. E o grupo é maioria entre as 2000 empresas cadastradas na Associação Brasileira de Startups, das quais apenas 20% são internacionalizadas.

É com a disposição de ampliar esse percentual que o Programa Startup Brasil, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, abrirá no segundo semestre um centro de negócios, no Vale do Silício, nos EUA. A iniciativa, que conta com a parceria da Apex, permitirá que as aceleradoras de todo o mundo, assim como outras startups, conheçam as empresas brasileiras, além de oferecer oportunidade de apoio e serviços como apresentar os empreendedores nacionais a investidores.

O programa quer ligar as startups nacionais às aceleradoras e investidores, e conta com um orçamento de R$ 40 milhões que serão usados para beneficiar 75 brasileiras e 25 estrangeiras que queiram realizar seus trabalhos no Brasil e precisem de capital.

Fonte: Valor

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