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Setor privado vai participar de projeto de incentivo

Executivos da Totvs, Samsung, Embraer, Odebrecht e Grupo Ultra vão receber, na manhã de hoje, uma missão do governo de São Paulo: ajudar o setor público a definir um plano de ação de 15 anos, voltado ao incentivo da inovação no Estado. O governador Geraldo Alckmin vai apresentar a primeira ação para estabelecer essa nova política, que é a reformulação do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (Concite).

O conselho vai reunir representantes de cadeias produtivas, instituições de ensino e pesquisa, agências de fomento e governo para estabelecer estratégias de longo prazo de estímulo à inovação. As ações podem incluir, por exemplo, mudanças na tributação e o reforço de investimentos em segmentos industriais específicos, disse Rodrigo Garcia, secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

São Paulo responde por aproximadamente 70% dos recursos investidos por governos estaduais em pesquisa e desenvolvimento e por 51% de toda a produção científica nacional. O governo do Estado aplica em torno de 1% da arrecadação total do ICMS em financiamento direto de pequisa e tecnologia.

No ano passado, 1,62% do PIB paulista (ou R$ 7,29 bilhões) foi investido em pesquisa e desenvolvimento, entre recursos estaduais, federais e privados. Segundo Garcia, 39% dos investimentos foram feitos com recursos públicos e 61%, com recursos privados. Na média nacional, 75% dos investimentos são feitos pelo setor privado e 25% pelo governo.

“O que se ouve de representantes das instituições de pesquisa e de empresas é que não há falta de recursos no Estado, mas é necessário um realinhamento das diretrizes para destinar melhor os recursos disponíveis”, afirmou o secretário.

Para fazer esse realinhamento, o governo de São Paulo convidou executivos reconhecidos no mercado por sua atuação com foco em inovação. Participam do Concite Benjamin Sicsú, vice-presidente de novos negócios da Samsung; Frederico Fleury Curado, presidente da Embraer; Laercio Cosentino, presidente da Totvs; Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht; e Pedro Wongtschowski, presidente do Grupo Ultra.

A lista de membros convidados por Geraldo Alckmin inclui também Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); Glauco Arbix, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); e José Goldemberg, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Terceiro Mundo.

O trabalho do Concite não será remunerado. Os novos membros assinam hoje um termo para criar um plano de ciência, tecnologia e inovação para o Estado em 15 anos. O Concite terá 12 meses para concluir a proposta, que será colocada em prática já a partir do próximo ano. Para isso, os membros vão formar câmaras técnicas para discutir políticas de inovação para diferentes setores, como petróleo e gás, energia renovável, ciências da vida e setor aéreo espacial.

O Conselho é formado por 21 membros, sendo cinco do governo, oito representantes de empresas e o restante, representantes de instituições de pesquisa e ensino. “Foi uma opção ter representantes do governo em minoria porque essa será uma política de Estado, não de governo”, afirmou Garcia. A presença em maioria de membros de instituições e empresas, disse o secretário, garantirá a realização do plano após as eleições de 2014.

O Concite será presidido pelo governador Geraldo Alckmin e terá como membros os secretários Rodrigo Garcia, David Uip (Saúde), Mônika Bergamaschi (Agricultura e Abastecimento) e Bruno Covas (Meio Ambiente). Também participam do conselho representantes da USP, Unicamp, Unesp; do Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); do Instituto Butantã e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Fonte: Valor

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