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Setor abre oportunidades para startups

As startups encontraram no setor de educação um terreno fértil para criar soluções para vestibulandos, universidades e corporações. As empresas de base tecnológica criaram vídeo aulas de preparação para o Enem, MBAs em engenharia, além de recursos para aulas diárias, ao vivo. Além de chamarem a atenção do público consumidor- alguns dos empreendimentos conseguiram 12 milhões de usuários somente em 2014 – os negócios atraíram grupos de investidores. Startups como Veduca e Descomplica já receberam, juntas, mais de US$ 9 milhões em aportes. Há novos projetos em andamento, para explorar nichos como concursos públicos e reforço escolar.

A gaúcha Aulalivre.net criou, em 2012, uma plataforma de cursos on-line para estudantes que buscam vagas na universidade por meio do Enem e vestibulares. Ao efetuar o cadastro, o usuário ganha um curso gratuito para revisar os conteúdos mais cobrados nas provas, com vídeo aulas e apostilas. “Se o aluno deseja um conteúdo mais detalhado, pode adquirir uma conta por R$ 19,90 ao mês”, dizem o CEO Eduardo de Lima e Silva e a co-fundadora Juliana Marchioretto. A solução tem cerca de 800 mil usuários cadastrados.

Segundo Silva, sem revelar valores, o plano em 2015 é triplicar o faturamento obtido no ano passado. “Lançaremos novos cursos, focados em concursos públicos, idiomas e reforço escolar. Também vamos começar a vender no formato B2B (business to business).” O negócio de 35 funcionários integrou a primeira turma do Start-Up Brasil, programa de apoio ao empreendedorismo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na paranaense EadBox, o carro-chefe são softwares para corporações que querem promover cursos de capacitação on-line para funcionários e clientes. A solução oferece modelos de provas e canais de comunicação entre alunos e professores, segundo o diretor Nilson Filatieri. “Quando eu trabalhava em empresas, via que as iniciativas de e-learning eram mal implementadas e ninguém fazia os cursos. O conteúdo e a plataforma para estudo eram ruins”, diz. “Desde então, vi a oportunidade de criar um serviço que ajudasse as organizações a engajar mais as equipes.”

Segundo Filatieri, em cinco minutos, é possível criar um portal de ensino a distância, com conteúdo. “Basta utilizar um dos dez formatos de apresentação disponíveis, entre aulas em vídeo, animações, arquivos em PDF ou transmissão ao vivo.” Os alunos também podem acessar o treinamento via dispositivos móveis. A empresa faturou mais de R$ 2 milhões no ano passado e a expectativa para 2015 é chegar a R$ 5 milhões. Teve apoio do Start-Up Brasil e da aceleradora Wayra, que ajudaram com redes de contatos, mentorias e estrutura para a operação.

O Veduca, de ensino superior on-line, também recebeu ajuda externa para ganhar mercado. Desde 2012, já captou US$ 2,3 milhões dos fundos de investimentos Bolt Ventures e 500 Startups, da empresa Macmillan Digital Education e do investidor anjo Nicolas Gautier. Tem 570 mil estudantes cadastrados e firmou um contrato com o governo de Minas Gerais para a oferta de mil MBAs para estudantes mineiros.

O negócio ingressou no mercado com conteúdos de grandes universidades, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), Harvard e Stanford, já disponíveis na internet. Organizou as aulas em módulos menores e incluiu legendas em português. Em seguida, acrescentou propostas de interação entre estudantes e lançou cursos on-line abertos com certificação na América Latina, em parceria com professores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB). Em 2013, ofereceu um MBA em engenharia e inovação, com aulas pagas e gratuitas. “Tivemos uma experiência bem-sucedida em vendas corporativas em 2014 e pretendemos fortalecer esse nicho em 2015”, diz o fundador da startup Carlos Souza.

Na carioca Descomplica, o plano para 2015 é investir em cursos preparatórios on-line para o Enem, vestibulares e reforço do ensino médio, segundo o professor de física e CEO Marco Fisbhen. A empresa de cem funcionários atingiu a marca de mais de 12 milhões de alunos em 2014.

Fisbhen começou a montar a startup depois de gravar algumas aulas em vídeo e receber um bom retorno dos alunos. Montou um plano de negócios e inscreveu a empresa em um “desafio” de startups. Foi convidado para apresentar a ideia em um fórum de investidores e, depois de três meses de negociações, três investidores-anjo fizeram o primeiro aporte no empreendimento, lançado em 2011. Já recebeu mais de US$ 7 milhões de quatro grupos de venture capital. Hoje, o site tem mais de dez mil vídeo aulas pré-gravadas, além de aulas diárias ao vivo, monitorias e correção de redações.

No mesmo setor, a EvoBooks resolveu desenvolver projetos de ensino digitais para dispositivos móveis, em 3D. Segundo o diretor executivo Felipe Rezende, as soluções da marca estão em mais de 1,1 mil escolas no Brasil. “Nos próximos anos, o atendimento ao Plano Nacional de Educação (PNE), que determina a ampliação da participação no PIB no setor de 5,8% para 10,0% em dez anos, vai impulsionar a demanda”, analisa.

A EvoBooks faturou cerca de R$ 5 milhões em 2014 e quer chegar a R$ 8 milhões de faturamento, em 2015. Segundo Rezende, 20% da receita vêm do setor privado e 80% do governo. “A participação das escolas privadas subiu de 16% para 20% do faturamento total, no ano passado, por causa do período eleitoral, que impactou as vendas no segmento público.” Com aulas também em inglês e espanhol, a EvoBooks está presente em mais de 40 países, por meio de lojas on-line, como Google Play e Apple App Store.

Fonte: Valor

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