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Semicondutores têm forte potencial

Pelo menos duas empresas gaúchas – a estatal Ceitec e a brasileira-coreana HT Micron -, que começaram a estruturar suas atividades em 2008, já estão em processo de consolidação no mercado de semicondutores. Em junho, a HT Micro, joint-venture formada pela Hana Micron, da Coreia do Sul, e a holding brasileira Parit Participações, que opera em caráter experimental desde 2011, deve abrir as portas da fábrica que está sendo construída em São Leopoldo, dentro do Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Tecnosinos), a 27 quilômetros de Porto Alegre.

Os investimentos previstos são de R$ 200 milhões, recursos que têm apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Até agora, segundo Ricardo Felizzola, presidente da HT Micro, já foram aplicados R$ 120 milhões num terreno de 10 mil metros quadrados de área construída no Tecnosinos e no treinamento e capacitação de recursos humanos. “É um projeto pioneiro e o apoio do governo federal e estadual tem sido fundamental, mas a parceria com a empresa coreana nos ajudou muito”, diz o executivo. “Estamos levando três anos para montar a fábrica. Sem os coreanos, levaríamos dez anos.”

A falta de uma indústria de semicondutores no Brasil tem gerado déficits pesados e crescentes na balança comercial. Em 2011, apontam dados da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), foram importados US$ 4,909 bilhões em semicondutores. “Nossa proposta é atuar fortemente num mercado com demanda nacional estimada em 100 milhões de componentes de circuitos”, assinala o executivo.

No momento, a HT Micro tem um faturamento modesto. Foram R$ 25 milhões em 2012, provenientes da venda de chips para placas de memória RAM e o encapsulamento de semicondutores para smart chips, que são utilizados em cartões inteligentes para os mercados de telecomunicações, identificação eletrônica e pagamento eletrônico, por exemplo.

Com a inauguração da fábrica, com linhas de montagem com capacidade instalada para o encapsulamento de 50 milhões de chips por mês, incluindo semicondutores para smartphones, cartões de memória flash e circuitos para TV digital, o faturamento da empresa em 2013 deve saltar para mais de R$ 150 milhões. O volume inicial será suficiente para fazer 200 placas de 4 gigabytes (GB) por mês, utilizando os chips que serão vendidos para a Teikon, empresa controlada pela Parit. “Nossa previsão é de um faturamento bruto em torno de R$ 500 milhões, a partir de 2014, quando a HT Micro estiver em operação plena.”

O empreendimento da HT Mícron está inserido no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que concede uma série de incentivos e desoneração de impostos a empresas que tragam tecnologia para o país.

Inteligência é o principal patrimônio da Ceitec S/A, fabricante gaúcha de microcircuitos integrados, de acordo com Cylon Gonçalves da Silva, presidente da empresa. Estatal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com investimentos que já ultrapassam R$ 600 milhões, um quadro de 200 colaboradores, pesquisadores e laboratórios modernos, em Porto Alegre, a Ceitec já exibe projetos de desenvolvimentos de circuitos integrados, através de sua área de design, nas instalações da empresa, em Porto Alegre. Em 2011, a Ceitec faturou apenas R$ 300 mil. “Saímos do zero, claro, mas este ano deveremos bater na casa de R$ 1 milhão”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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