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Sem dinheiro, Telebras desiste de cabo submarino para África

Terminou o noivado entre a Telebras e a Angola Cables para a construção de um cabo submarino entre o Brasil e a África. E, assim, definha o projeto original que envolvia três novas conexões internacionais. Apenas o projeto de uma nova conexão direta com a Europa sobrevive, por enquanto.

O governo brasileiro, que chegou a chancelar o acordo, faz silêncio sobre o fim desse romance. Coube ao presidente do consórcio angolano, António Nunes, que está no Brasil, revelar que a estatal não mais faz parte do projeto, estimado em US$ 160 milhões, agora assumido solitariamente pelo grupo africano.

À reboque das declarações de Nunes, a Telebras divulgou nesta terça-feira, 3/2, uma nota na qual “esclarece” que  “a prioridade da empresa é a construção do cabo submarino que liga o Brasil ao continente europeu”. Diz, ainda, que “ofereceu à Angola Cables, em Fortaleza, um ponto de aterragem do cabo em solo brasileiro”.

Segundo informações da própria estatal, no entanto, a decisão está diretamente relacionada ao caixa – não haveria recursos para tocar dois projetos de cabos submarinos simultaneamente. Em si, trata-se de um dado revelador sobre um projeto que já foi bem mais ambicioso.

Afinal, a ideia da Telebras era construir cinco novos cabos submarinos: para os Estados Unidos, Portugal, Uruguai, além de uma nova ligação entre Fortaleza – o principal ponto de conexão das ligações submarinas do país – e São Paulo, com escala no Rio de Janeiro. E, naturalmente, o cabo de 6 mil km até a capital angolana, Luanda.

O conjunto desse projeto era estimado em R$ 1,8 bilhão e envolvia a criação de parcerias, especialmente com a Odebrecht, além de sócios internacionais a depender da empreitada. O papel da estatal, embora em geral variasse financeiramente entre 10% e 15% em cada trecho, não era pequeno. Foi a Telebras quem desenhou o projeto e chegou a publicar termos de referência, ainda em 2012, para atrair fornecedores.

Curiosamente, o trecho que a Telebras alega ser o prioritário já chegou a figurar como o patinho feio de todo o projeto, pela ausência de interesse em sócios na empreitada. Agora considerado viável financeiramente, superou inclusive aquele tido inicialmente como o mais importante, para os Estados Unidos, que também está na geladeira.

Fonte: Convergência Digital

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