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Santa Catarina terá instituto do laser

A partir de 2014, a capital catarinense, Florianópolis, vai ganhar duas novas instituições de formação tecnológica avançada para promover o aumento da competitividade da indústria. Com investimentos previstos de R$ 53,6 milhões, o Instituto Senai de Inovação em Tecnologia Laser e o Instituto Senai de Sistemas Embarcados têm como meta transformar o estado em referência nacional nessas áreas.

Os dois institutos vão operar em cooperação com a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, e com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos. Eles atenderão oito áreas de conhecimento: produção, materiais e componentes, engenharia de superfícies e fotônica, microeletrônica, tecnologia da comunicação e da informação, tecnologias construtivas, energia e defesa.

A iniciativa faz parte do Programa Senai de Apoio à Competitividade Industrial, lançado em 2011 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que prevê a construção de 23 Institutos Senai de Inovação (ISI) no país. Cada instituto será especializado em uma área de conhecimento. O atendimento às indústrias do país se baseia no conceito de redes de inovação, que abrangem os 63 institutos Senai de tecnologia e parcerias com empresas.

Em Santa Catarina, as instituições integram um programa do Sistema Federação das Indústrias (Fiesc) que prevê investimentos de R$ 330 milhões até 2014 para atender as áreas de pesquisa e desenvolvimento, educação profissional e educação básica. As aplicações do laser incluem não só a indústria automotiva, como também a exploração petrolífera no pré-sal, as indústrias hospitalar, aeronáutica e de defesa. Formar profissionais e desenvolver conhecimento na área tem caráter estratégico, pois hoje, 95% da tecnologia a laser utilizada no Brasil é importada.

A Welle Laser, que conta com 32 colaboradores e sede em Florianópolis, pretende se credenciar como fornecedora da BMW. Líder nacional em rastreabilidade industrial por meio de marcação de autopeças com laser, foi uma das 50 empresas brasileiras que mais cresceram em 2012, segundo a consultoria Deloitte: 400% em relação ao ano anterior. Em 2013, a meta é crescer 165% e faturar R$ 10,5 milhões.

A expansão acelerada da companhia veio com o despertar das indústrias sobre a importância da rastreabilidade para controlar a origem nacional das autopeças – uma das contrapartidas das montadoras para se credenciar ao desconto de até 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis fabricados no Brasil, conforme o novo regime automotivo Inovar-Auto.

Atualmente, 70% da carteira de clientes da empresa são do segmento de autopeças, entre eles a Mahle, que faz pistões e braços de direção; a TRW, fabricante de freios, válvulas, mecanismos de direção e cintos de segurança; a IKS (cabos) e a Borgwarner (turbos e termoventiladores). Empresas que, por sua vez, fornecem para as grandes montadoras.

“Todos os braços de direção de carros da Fiat, por exemplo, são marcados a laser de forma permanente com o nosso equipamento com um número serial, e não por lote, o que facilita o controle”, diz o presidente Rafael Bottós. Ele criou a empresa junto com o irmão Gabriel após morarem dois anos e meio na Alemanha. Lá eles trabalharam na Fraunhofer, maior organização de pesquisa aplicada da Europa, a mesma instituição que está dando assessoria ao Brasil para estruturação do centro de referência.

A Welle Laser vai oferecer à BMW uma tecnologia inovadora de soldagem, que agrega velocidade, economia de eletricidade e qualidade ao processo industrial. “Estamos até estudando a possibilidade de mudar nossa sede de Florianópolis para a região de Joinville, para melhor atender as empresas instaladas e que vão se instalar por lá”, conta Bottós.

Ele também preside, na Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), a recém-criada Vertical de Manufatura, um grupo que reune 15 empresas que atuam nas áreas de software, sistemas embarcados e rastreabilidade. A proposta da Vertical é oferecer à indústria automotiva um “pacote completo” com soluções integradas.

Fonte: Valor

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