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Robótica começa a sair das seções de funilaria e pintura para entrar em áreas mais complexas

Mas os robôs são mais escassos na linha de montagem final, uma vez que os trabalhadores precisam realizar tarefas complexas no interior dos veículos, sem o risco de serem machucados pelo braço pesado de um robô.

Mas agora a BMW está tirando os robôs de suas gaiolas para trabalhar lado a lado com os trabalhadores na linha de montagem. Robôs leves “colaborativos” fabricados pela Universal Robots da Dinamarca ajudam a instalar portas com isolamento acústico e contra humidade, uma tarefa que antes exigia que os trabalhadores usassem um laminador manual que provocava luxações nos pulsos dos funcionários mais velhos.

“Poder tirar um robô da ‘gaiola de segurança’ com confiabilidade e fazê-lo trabalhar com um humano é uma mudança enorme para o setor, e significa que você pode ter um robô forte e preciso ajudando um humano habilidoso mas fraco”, diz Rich Walker da Shadow Robots, uma companhia de pesquisa de robótica do Reino Unido.

A colaboração Homem-máquina é uma das várias grandes tendências da robótica que estão abrindo novos mercados e aplicações para além da produção automobilística e de semicondutores, onde os robôs são uma grande presença há décadas. Os avanços em sensores, hidráulica, mobilidade, inteligência artificial, visão mecânica e “big data” estão tornando os robôs mais sensíveis, flexíveis, precisos e autônomos.

Isto significa que os robôs podem ser empregados além de áreas como a produção industrial, como as cuidados com a saúde, laboratórios, logística, agricultura e até mesmo a indústria cinematográfica.

Esses robôs de serviços deverão ser a grande área de crescimento para a robótica no futuro. A Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), um órgão setorial sediado na Alemanha, estima que cerca de 95 mil robôs de serviços para uso profissional – como defesa e agricultura – poderão ser vendidos entre 2013 e 2016.

A indústria automobilística, que foi pioneira a robótica na década de 1960, continua sendo o principal condutor da automação no mundo. Segundo a IFR, o setor respondeu por 70 mil das vendas totais de 179 mil robôs em 2013, um ano recorde de vendas.

A indústria eletrônica é a segunda que mais usa os robôs, respondendo por 35 mil unidades das vendas totais. O setor de alimentos comprou no ano passado 6.200 robôs, cujos preços estão caindo e seu uso ficando mais intuitivo, o que significa que pequenas e médias empresas também podem pensar em usá-los na produção e na cadeia de fornecimento.

“É claro que os robôs não podem imitar totalmente a destreza e as capacidades sensoriais e cognitivas de um ser humano. Mas estamos tentando torná-los mais flexíveis. Hoje, ferramentas de aperto e outras podem ser alteradas rapidamente e o uso crescente de sensores permite a adaptação dos robôs à tolerância das peças de trabalho e mudanças em seus ambientes de trabalho”, afirma Martin Haegele, do instituto de pesquisas alemão Fraunhofer IPA.

Um braço robótico flexível e leve da Universal Robots, a companhia dinamarquesa que é uma das maiores fabricantes de robôs colaborativos do mundo, custa de € 20 mil a € 30 mil, número que pode chegar a seis dígitos no caso de um robô industrial.

A Factory in a Day, uma iniciativa criada há quatro anos e bancada pela União Europeia, tem como objetivo encorajar mais pequenas e médias empresas a usar tecnologia robótica avançada e melhorar sua produtividade com o desenvolvimento de sistemas que possam operar 24 horas por dia, sejam baratos e possam ser arrendados.

No ano passado, a China tornou-se o maior mercado mundial de robôs industriais, em termos de robôs comprados, superando o Japão pela primeira vez, de acordo com dados da IFR. Hans-Dieter Baumtrog, diretor de robótica e automação da associação de empresas mecânicas alemã VDMA, diz: “Dada a densidade relativamente baixa de robôs na China… o potencial de crescimento é enorme”.

Outros mercados asiáticos como Taiwan, Índia e Indonésia também estão crescendo muito, mas as vendas continuam pequenas em comparação ao Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha, que juntos respondem por metade das vendas mundiais. A Índia comprou apenas 1.917 robôs em 2013.

Empresas e governos estão investindo milhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento, para transferir as tecnologias robóticas para novas áreas dos setores industrial e de serviços. Somente a Comissão Europeia já comprometeu quase € 1 bilhão em recursos para o desenvolvimento da robótica.

O Google está em meio a uma onda de compra na área de robótica. No ano passado ele adquiriu oito companhias “start-ups”, incluindo a Boston Dynamics, uma fabricante de robôs militares, e a Deepmind, uma companhia britânica de inteligência artificial.

Mas o Google ainda tem de se esforçar mais se quiser alcançar os gigantes dos robôs industriais – Yaskawa e Fanuc do Japão; ABB da Suíça; e Kuka da Alemanha -, que juntos controlam a maior parte do mercado mundial.

Muitos fabricantes americanos e europeus estão usando a produtividade proporcionada pelos robôs para restabelecer a produção que havia sido transferida para a Ásia por causa dos custos menores.

Jim Lawton, diretor de marketing da Rethink Robotics, a companhia americana que fabrica o “co-bot” (robô colaborativo) conhecido como Baxter, diz: “Nos próximos dez a 15 anos, toda empresa do setor industrial no mundo estará usando os robôs colaborativos”.

Fonte: Valor

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