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Robôs ganham espaço nas pequenas empresas

Os robôs já não são apenas para grandes empresas.

Um novo tipo das chamadas “máquinas colaborativas”, projetadas para trabalhar ao lado de pessoas em ambientes fechados, está transformando as operações de alguns pequenos fabricantes americanos. As máquinas, que podem custar apenas US$ 20.000, oferecem a essas empresas – entre elas pequenos fabricantes de bijuterias e brinquedos – novos incentivos para automatizar, ampliar a produtividade e reduzir custos com mão de obra.

Na Panek Precision Inc., uma metalúrgica de Northbrook, no Estado americano de Illinois, 21 robôs novos e reluzentes colocam peças de metal nas máquinas de corte e as retiram depois de prontas. Essa tarefa tediosa e repleta de graxa era antes feita por operários que ganhavam cerca de US$ 16,50 por hora.

Um dos novos robôs dobrou a produção de uma máquina que antes era operada por um funcionário, “já que os robôs trabalham à noite, não param para almoçar e simplesmente continuam funcionando”, diz Gregg Panek, diretor superintendente da empresa. Em alguns casos, os robôs, que consistem apenas de um braço articulado, podem até segurar a peça enquanto ela é cortada, já que não há perigo de ferir ninguém.

Os robôs já trabalham no chão de fábrica há décadas. Mas eram, em geral, máquinas grandes que custavam centenas de milhares de dólares e tinham que ficar isoladas para não ferir as pessoas. Essas máquinas só podiam executar uma única ação repetidamente, embora com extrema rapidez e precisão. Assim, não eram nem acessíveis nem práticas para pequenas empresas.

Os robôs colaborativos podem ser configurados para realizar uma tarefa num dia, como pegar peças da linha de montagem e colocá-las numa caixa, e uma tarefa diferente no outro.

Alguns robôs são móveis e podem circular livremente pela fábrica. Com seus sensores avançados, podem parar ou mudar de posição quando uma pessoa fica no seu caminho, resolvendo um problema de segurança que sempre impediu que as fábricas menores adotassem robôs.

As pequenas empresas muitas vezes precisam de flexibilidade, “porque não ficam só embalando biscoitos sem parar”, diz Dan Kara, especialista em robótica da ABI, firma de pesquisa de mercado no Estado de Nova York.

Pelo menos uma empresa já fabrica robôs humanoides, que têm dois braços e um rosto (na verdade uma tela de computador) e são capazes de demonstrar emoções, como a surpresa.

Algo que ainda impede a tendência de deslanchar é o medo. Alguns executivos receiam que os trabalhadores vejam as máquinas como concorrentes e se oponham à instalação delas.

Panek diz que percebeu que sua oficina, um negócio familiar, estava pronta para os robôs em 2012, após assistir uma demonstração numa feira de máquinasferramentas. Cada robô custa entre US$ 50.000 e US$ 60.000. Panek diz que planeja adicionar mais 14 até o fim de 2015. “Com os robôs, pudemos transferir nossos operários para tarefas mais úteis”, como lidar com máquinas mais avançadas, que ainda exigem operadores humanos, diz. Os robôs permitem que um trabalhador supervisione mais máquinas. “Sempre precisaremos de pessoas.”

Em vez de operar apenas uma máquina grande, Jesus Hernandez, que trabalha há nove anos na Panek, agora supervisiona vários robôs. “No início, eu duvidava que os robôs pudessem fazer o que eu fazia: mudar as peças de lugar, manipular as peças”, diz Hernandez, que tem 40 anos. A dúvida acabou quando ele cronometrou seu trabalho e comparou com o tempo dos robôs. “Eu sou rápido, mas os robôs são mais.”

Os trabalhadores da ampla fábrica de joias da Stuller Inc. em Lafayette, Luisiânia, apelidaram seu novo colega de “Fred”. É um robô autônomo, parecido com um bebedouro alto com rodinhas, que percorre uma área da fábrica entregando ferramentas aos operários em suas bancadas e guardando-as quando não são mais necessárias.

“As pessoas se afeiçoaram a ele bem mais depressa do que pensávamos”, diz Jeff High, diretor de merchandising da firma. Alguns operários chegam a falar com a máquina como se ela fosse humana, diz, embora Fred não entenda o que eles estão dizendo nem responda nada.

Fred, produzido pela Adept Technology Inc., é programado com um mapa interno e sensores que permitem que ele se mova por corredores atravancados. Se seu caminho é bloqueado por uma pilha inesperada de caixas ou por visitantes percorrendo a fábrica, ele calcula uma nova rota para chegar ao seu destino.

A Stuller planeja colocar ainda este ano um segundo robô móvel, a um preço em torno de US$ 50.000 pelo equipamento e o respectivo software, no departamento de lapidação.

Na K’NEX Brands LLC, fabricante de brinquedos de Hatfield, Pensilvânia, o novo robô se chama Baxter. Vendido pela Rethink Robotics Inc., uma firma de Boston, Massachusetts, criada a partir de pesquisas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Baxter tem dois braços e foi projetado para mover-se facilmente de um lugar da fábrica para outro. É a mais humanoide das máquinas colaborativas hoje no mercado. Baxter tem um rosto de tela de computador que pode sinalizar emoções. Se não souber o que fazer, por exemplo, ele assume uma expressão interrogativa, arqueando as sobrancelhas.

A K’NEX, que recebeu a máquina de US$ 20.000 em fevereiro, a está usando para tudo, da embalagem de caixas à inspeção de peças plásticas na linha de montagem. “Quando algo sai da linha de montagem e tem de ser manipulado, isso exige muito trabalho manual e impede que sejamos competitivos em nível mundial”, diz Michael Araten, diretor superintendente e operacional da empresa. “Por isso, é importante automatizar [o processo].”

Fonte: Valor

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