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Relatório sobre mudanças climáticas pede inclusão de tema nas contas nacionais

O primeiro relatório nacional sobre mudanças climáticas, um diagnóstico sobre as vulnerabilidades do país, as bases científicas da mudança do clima e as estratégias de mitigação, será lançado dia 9 de setembro. O relatório envolveu mais de 300 cientistas e foi elaborado pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PMBC). Irá sugerir, por exemplo, que o tema seja incluído nas contas nacionais e em cada projeto do país, que alguns procedimentos agrícolas sejam revistos e que seja intensificada a pesquisa para identificar o quanto o Brasil sofrerá com o fenômeno – há falta de dados e muitas lacunas.

O PBMC é um organismo científico nacional criado pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente em 2009. Ele se espelha no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o famoso braço científico das Nações Unidas que a cada cinco anos divulga um relatório sobre as mudanças climáticas, os impactos globais e o que pode ser feito. O PMBC é uma espécie de IPCC brasileiro. Este primeiro relatório brasileiro, batizado de (RAN1), teve uma prévia ontem, em reunião técnica na sede da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

“Devemos debater uma nova fase de cálculo das contas nacionais, incorporando os passivos ambientais”, resumiu a pesquisadora Mercedes Bustamante, do ministério, citando uma das recomendações do capítulo sobre mitigação. “É preciso internalizar na contabilidade nacional a questão ambiental, essa é uma tendência de outros países também”, disse. Outra sugestão será intensificar o consumo mais sustentável. “Consumir é uma opção individual e pode ter impacto. É preciso ver se há excesso de proteína na dieta ou escolher produtos certificados.”

A mudança do clima, com regime de chuvas variáveis, pode assorear reservatórios e ameaçar a segurança energética, disse o pesquisador da Embrapa Eduardo Assad, ao apresentar o capítulo sobre impactos, vulnerabilidades e adaptação. “O país tem que diversificar a matriz, não ficar só no hídrico e fóssil.”

Ele lembrou que as atividades agrícolas já têm perdas anuais de R$ 5 bilhões provocadas pelas chuvas intensas e secas. Culturas como café e laranja já sentem esses efeitos. A diminuição no número de noites frias na região Sudeste afeta a produção de milho e de algodão. “Vamos ter que repensar procedimentos agrícolas”, disse o pesquisador.

Fonte: Valor Econômico

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