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Reciclagem vai trazer inovação

Depois de sancionada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) propôs uma série de mudanças na gestão do lixo gerado no país. A lei instituiu a logística reversa, o recolhimento e destinação correta de produtos e embalagens após o fim de sua vida útil, para diversas categorias de resíduos – de eletroeletrônicos a lâmpadas fluorescentes. Mas o funcionamento pleno desses sistemas de coleta e reciclagem ainda depende da assinatura de acordos setoriais entre fabricantes, distribuidores, varejo e o governo federal que, passados quase quatro anos, ainda estão em negociação.

No início do mês, o governo aprovou duas propostas para a destinação de embalagens e lâmpadas, que agora serão submetidas a consultas públicas. Anteriormente, já havia sido assinado o acordo com o setor de embalagens de óleos lubrificantes – responsável por recolher 72 milhões de embalagens por ano, graças a uma rede de 18 centrais fixas para coleta e armazenamento desse material, que volta à indústria como resina para se fabricar plásticos novos.

Enquanto os demais acordos setoriais demoram a sair do campo das negociações, entidades e empresas buscam tornar o processo economicamente viável, agregando valor à sucata ou gerando formas de converter os materiais provenientes da reciclagem em novos produtos, de modo a gerar receita e cobrir os custos do processo de logística reversa.

É o caso da Embraco, fabricante de compressores para refrigeração, que criou uma divisão de negócios para cuidar da logística reversa de itens de linha branca e desenvolver novos produtos com os materiais provenientes do desmonte desses equipamentos. A nova empresa, batizada de Nat.Genius, começou a operar em junho e espera processar um volume de 12 mil toneladas de equipamentos, coletados por meio de parcerias com os fabricantes como Whirlpool, Vonpar (engarrafadora da Coca-Cola) e Metalfrio. Também busca equipamentos em centros de coleta de resíduos de prefeituras. “Já tínhamos o know-how de reciclar compressores que voltavam até a fábrica pelos canais de venda. A diferença é que estamos desenvolvendo novos produtos a partir dos materiais reciclados da linha branca, com um forte componente de inovação”, diz Marcos Fábio Lima, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Embraco.

Caminho semelhante foi percorrido pela indústria química. Uma lei de 2002 atribuiu aos agricultores a responsabilidade de devolver as embalagens vazias de defensivos aos comerciantes que, por sua vez, teriam de encaminhá-las aos fabricantes, como forma de prevenir a poluição ambiental causada pelo descarte incorreto. As empresas do segmento se uniram e criaram o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, que gerencia o sistema Campo Limpo, que recebe as embalagens em 400 pontos de coleta. Para tornar o sistema economicamente sustentável, foi construída uma fábrica, a Campo Limpo Reciclagem, cujo negócio é transformar as resinas pós-consumo em embalagens plásticas para a própria indústria de defensivos, fechando o ciclo produtivo.

Fonte: Valor

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