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Projetos inovadores e sustentáveis começam a sair das pranchetas

Desde a virada do século, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) tem se empenhado em promover programas que evitem o desperdício de energia e tragam novos conceitos de sustentabilidade ao sistema elétrico no país. Com a consolidação do Programa de Eficiência Energética (PEE), que prevê inclusive a obrigatoriedade das concessionárias e permissionárias aplicarem o mínimo de 0,5% de sua receita operacional líquida em P&D, projetos inovadores saíram das pranchetas e se tornaram realidade, tornando o Brasil pioneiro na adoção de conceitos sustentáveis.

Mesmo não tendo obrigação legal, a Itaipu Binacional promoveu investimentos de R$ 235 milhões entre 2003 e 2012 na Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI), que ocupa a área antes reservada aos alojamentos dos operários da usina. O espaço foi totalmente reformado e hoje abriga três ambientes que se interligam e formam um grande núcleo de inovação. Lá, no campo de pesquisa e tecnologia, convivem o Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens (Ceasb), onde bolsistas das principais universidades pesquisam formações geológicas e seus impactos na segurança, o Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos em Tempo Real (Lasse) e o Núcleo de Pesquisas em Hidrogênio, em parceria com a Eletrobrás.

A prioridade é trabalhar o hidrogênio como alternativa de armazenamento de energia elétrica (em casos de excesso de volume de água nos reservatórios) e como fonte de bateria para o projeto do carro elétrico, conceito que já vem sendo trabalhado na FPTI há alguns anos. E, paralelo a este complexo tecnológico, o espaço conta com uma incubadora empresarial para desenvolvimento de startups focadas em Inovação. “Em todos os projetos há benefícios para o modelo de negócios de Itaipu. Só não conseguimos fazer mais por falta de recursos humanos”, diz Jorge Habib Hanna El Khouri, superintendente de Engenharia de Itaipu. Hoje, diz ele, passam diariamente pelas dependências da FPTI cerca de 5 mil pessoas. Para Khouri, que também é professor universitário, o trabalho aplicado visa despertar o lado empreendedor na área de engenharia, que, segundo ele, ainda é voltada para o que chama de “cultura do holerite”.

Em Minas Gerais, a distribuidora Cemig firmou contrato de R$ 24 milhões com a multinacional ABB para reforma de seis transformadores, já em fase final de vida útil, para um sistema mais sustentável, com a substituição do óleo mineral pelo óleo vegetal, à base de canola. Além do benefício ao meio ambiente, o sistema permite também um ganho de potência do equipamento e proporciona mais segurança, por não ser explosivo.

Com o óleo vegetal, o “transformador verde” pode operar a uma temperatura de 420º C enquanto que com óleo mineral suporta 145º C. Assim, por exemplo, um transformador de 25 MVA (megavolt ampere) ganha potência de até 40 MVA, capaz de atender a demanda de energia de uma cidade de 150 mil habitantes. O problema é que o custo ainda é alto, admite Alexandre Bueno, superintendente de tecnologia e alternativas energéticas da Cemig. Ele cita o próprio óleo de canola, que não é produzido no País, e que necessita da adição de antioxidantes para não formar borra e não absorver água.

A reforma exige uma complexa substituição de componentes, já que o óleo vegetal é mais denso que o produto mineral. No processo de substituição, há também que promover a troca do material isolante, um composto de folhas de papel especial, que fica impregnado com o óleo e evita vazamentos e perda de calor. Mas, mesmo assim considera que vale a pena. “A compra de um equipamento novo sairia em R$ 6 milhões. A segurança e o respeito ao meio ambiente não tem preço”, diz.

Segundo Juliano Silva, gerente de negócios de transformadores da ABB, a filial brasileira passou a ser referência em tecnologia de repotencialização e uso de óleo vegetal em equipamentos. “O trabalho feito em parceria coma a Cemig foi pioneiro, mas temos outros em vista”, afirma.

Na capital paulista, quem passa pela movimentada rua José Paulino, no bairro do Bom Retiro, não imagina que em seu subsolo estão instalados os dois primeiros transformadores a seco submersíveis (“dry sub”) da América Latina. Trata-se de um sistema desenvolvido pela Siemens em parceria com a Eletropaulo para atender a rede subterrânea da companhia. O equipamento não utiliza óleo. As bobinas de alumínio são encapsuladas a vácuo em resina de epóxi – nos convencionais, o núcleo fica envolto em óleo com material isolante – e ficam dispostos no subsolo em câmaras de conceito pré-moldado. A vantagem é que não ficam expostos na superfície, não sofrem com umidade (podem ficar submersos em até três metros de profundidade) e não há risco de explosão. Segundo Martin Navarro, gerente de tecnologia de transformadores de distribuição da Siemens, que não revela números da operação, o modelo “dry sub” é mais caro que os modelos que levam óleo. “É indicado para uso em grandes metrópoles onde não há áreas abertas disponíveis e oferece mais segurança à população”.

Fonte: Valor Econômico

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