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Programa incentiva jovens a serem empreendedores e inovadores sociais

Você já ouviu falar em empreendedorismo social? A expressão, ainda pouco conhecida no Brasil, tem um significado especial para a diretora de cinema Mara Mourão e para a plataforma Atados – Juntando Gente Boa. Por acreditarem na importância da autonomia e protagonismo dos jovens, a parceria criou o Sementes de Transformação, programa que busca estimular o engajamento de adolescentes em ações de empreendedorismo e inovação social por meio do trabalho voluntário.

Tudo começou quando Mara decidiu produzir o Quem Se Importa?, filme que conta a história de 18 empreendedores sociais espalhados pelo mundo. Entre eles está Bart Weetjens, um monge budista belga que treina ratos para desarmar minas terrestres e detectar tuberculose em amostras de saliva humana. Durante o lançamento do Sementes de Transformação 2016, realizado no Unibes Cultural, em São Paulo, no último dia 16, Mara contou que era uma pessoa cética antes da produção do filme. “Eu acreditava que os grandes problemas do mundo eram impossíveis de modificar. Mas depois que você conhece pessoas que estão fazendo um impacto tão incrível, você começa a falar com a boca cheia: dá pra fazer”, defendeu a cineasta.

Em entrevista ao Porvir, ela conta que, depois que as pessoas assistiam ao filme, muitos jovens a procuravam querendo saber por onde começar a mudar os problemas a seu redor. “Eu dava muita dica de boca mesmo. Mas comecei a perceber que essa era uma necessidade real e ficava pensando em como fazer para que meu filho, por exemplo, se engajasse socialmente”. Segundo ela, muitas vezes os adolescentes sequer encontram apoio de amigos, família, ou escola. “O vestibular no Brasil não está nem aí pra visão cidadã do jovem e as empresas que eles talvez venham a trabalhar também estão engatinhando nessa questão de valorizar o trabalho social”.

Da vontade de engajar jovens socialmente do movimento Quem Se Importa e uma parceria com a rede da plataforma Atados, que conecta opções de voluntariado aos interessados, nasceu o Sementes de Transformação. O programa divide-se em três frentes: o acampamento “Lab de Transformação”, as oficinas e os cursos oferecidos nas escolas. De forma geral, adolescentes do ensino médio constituem o público-alvo do projeto, uma vez que têm a criatividade, energia e vontade de mudar o mundo, segundo Mara. Apesar de acontecer em três ocasiões diferentes, o conteúdo ministrado é o mesmo.

Acampamento “Laboratório de Transformação”

Nesse ano, será realizada a segunda edição do “Lab de Transformação”. Em 2015, funcionou assim: durante quatro dias no acampamento NR (unidade que fica na Serra da Mantiqueira em Sapucaí Mirim, no sul de Minas Gerais), cerca de 100 jovens (incluindo os monitores do próprio acampamento), assistiram a palestras com 10 empreendedores sociais, fizeram exercícios de autoconhecimento, criaram um projeto social, um hino, participaram de uma força tarefa para transformar um espaço dos funcionários do acampamento, além de diversos exercícios colaborativos.

Segundo Mara, a vontade do Sementes é levar 200 jovens para participar do acampamento nesse ano. Além disso, o programa lançou uma campanha de financiamento coletivo para possibilitar que jovens de escolas públicas também consigam participar do evento.

Os interessados devem acessar o site do NR e fazer uma pré-inscrição. Informações sobre investimento e organização podem ser encontradas aqui.

Oficinas

As oficinas têm o conteúdo idêntico ao ministrado no laboratório. O que muda é a metodologia utilizada, assim como o local e o período de imersão. Enquanto no Lab os alunos passam quatro dias juntos, as oficinas acontecem em dois finais de semana, totalizando quatro dias de encontros.

As datas de 2016 ainda não foram fechadas pelo programa, assim como o local e programação da oficina. Entretanto, as inscrições irão seguir o modelo de 2015: os jovens interessados devem enviar uma carta ou vídeo de motivação, explicando por que será importante fazer parte da formação. O material será avaliado e os jovens serão selecionados.

Durante a formação, os participantes deverão elaborar um projeto social. O melhor trabalho, que tiver mais capacidade de viabilização, ganhará um prêmio em dinheiro para começar a ser implementado.

Cursos

Os cursos seguem a mesma lógica das oficinas, com o mesmo conteúdo e metodologia e local diferentes. Nesse caso, os encontros acontecem nas escolas que contratarem o Sementes da Transformação que, de acordo com a demanda, monta um programa e um valor diferente para cada instituição. Entretanto, a ideia é que os alunos tenham uma aula de duas horas por semana no contraturno escolar.

Em 2015, uma versão teste foi implementada no colégio Nossa Senhora das Graças, o Gracinha, em São Paulo. Esse ano, além de atender as escolas particulares que tiverem interesse na formação, o Sementes de Transformação recebeu um financiamento da Fundação Arymax, o que irá possibilitar que o curso seja oferecido gratuitamente a duas escolas públicas.

A opinião de quem participou

Durante o lançamento do programa, um grupo de jovens que participou do acampamento em 2015 falou brevemente sobre a experiência. O primeiro deles foi Theo Trexler, de 17 anos. Durante sua apresentação, ele contou que, quando pequeno, perguntava-se por que os adultos colocavam os jovens como responsáveis pelo futuro. “Eu amadureci um pouco e entendi que nós, jovens, daqui a alguns anos, seremos adultos. Portanto, nós seremos a nação. Então é óbvio que a nação depende da gente”.

Escondendo o nervosismo de estar no palco falando para um auditório cheio, ele defendeu a importância dos jovens de hoje tornarem-se adultos conscientes, que estão dispostos e empenhados em fazer o bem e transformar o mundo. “Mas a pergunta que fica é: como fazer isso acontecer? Apesar de não ter uma resposta, eu acredito que em uma sociedade em que a mídia já traz tanta tragédia, e que já tem tanta coisa negativa, ensinar o empreendedorismo social para crianças e adolescentes é como você abrir os olhos dessa pessoa e mostrar uma esperança”. Em entrevista ao Porvir, Theo comenta que o aprendizado do chamado engajamento social, da inspiração e a noção de que cada um é capaz de transformar é o que realmente vai fazer a diferença. “Agora, as pessoas estão começando a cair na real e perceber que não é só o jovem que sabe matemática que vai fazer uma sociedade melhor”.

Já Giulia Spina, de 17 anos, usou seus 10 minutos de apresentação para contar sua experiência durante o acampamento. “Lá no Lab, a gente interagiu muito rápido. Eram jovens de diversos lugares e realidades, e as diferenças que nos separavam não importavam, a gente estava lá para aprender e brincar junto”, defendeu a estudante.

Em entrevista ao Porvir, Giulia diz acreditar que o empreendedorismo social ainda não ganha projeção nas escolas pois os vestibulares e universidades não dão tanta importância ao papel desempenhado pelos jovens. “As escolas acabam não comprando essa ideia, já que, na cabeça da maioria, ter um futuro bom é passar no vestibular, que não se importa com o engajamento do jovem”. Apesar disso, a participação no Laboratório de Transformação serviu para mostrá-la que era capaz. “O Lab me mostrou que se eu acreditava em uma coisa e se aquilo fazia sentido pra mim, eu tinha condições de ir atrás, e isso só dependia de mim. Com tanta gente unida, pensando com um mesmo propósito, você acaba se empoderando”.

Fonte: Porvir

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