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Produção voltada à energia eólica cresce na região

Investimentos de três grandes empresas estão consolidando o Complexo Industrial de Camaçari como o grande centro do país na produção de sistemas de geração de energia eólica. A Torrebrás, inaugurada em maio deste ano, é a primeira fábrica de torres para a produção de energia eólica no Polo Industrial, a Tecsis vai instalar em 2014 uma fábrica de pás e acessórios para a geração da energia e a Gamesa, que está em Camaçari desde 2011, ampliará suas instalações para a fabricar componentes mecânicos para aerogeradores. Juntam-se a esses três empreendimentos, Alstom e Acciona, empresas do setor já em plena produção.

Com investimentos de R$ 30 milhões, de acordo com a prefeitura de Camaçari, a Torrebrás inaugurou em maio a primeira fábrica de torres para a produção de energia eólica. A Tecsis, por sua vez, vai investir R$ 100 milhões para instalar em 2014 uma fábrica de pás e acessórios para a geração da energia. E a Gamesa vai investir R$ 24 milhões para ampliar sua linha de produção e sua área de estocagem de aerogeradores.

Com capacidade de produção de mais de 200 torres por ano, a Torrebrás, uma empresa do grupo espanhol Daniel Alonso, vai atender em um primeiro momento a demanda do Nordeste na área de energia eólica. Toda a sua produção deste ano já está vendida. Em uma segunda etapa, com capacidade duplicada, a expectativa é atender às demandas do mercado nacional. Instalada e um terreno de 120 mil m2, a nova planta industrial está gerando 300 empregos diretos na linha de produção, depois de ter aberto 450 vagas ocupadas na fase de implantação.

A Torrebrás firmou parceria com o Senai/Cimatec para a formação dos profissionais que trabalharão na indústria, buscando mão-de-obra local, conforme protocolo firmado com a prefeitura e o governo do Estado. “Os alunos, treinados pelos engenheiros espanhóis especialistas em energia eólica, terão a oportunidade de um primeiro emprego na área”, diz Álvaro Carrascosa, diretor geral da Torrebrás. Cada torre com os equipamentos eólicos tem entre 80 metros e 100 metros de altura e pesam, em média, 20 toneladas.

Líder mundial na fabricação de pás e acessórios para energia eólica, a Tecsis investirá R$ 100 milhões para se instalar em Camaçari no próximo ano. A capacidade de produção será de 4 mil pás por ano, com previsão de geração de 1,8 mil empregos diretos. “Além de abastecer o mercado interno, onde temos um grande contrato com a Renova Energia, a nossa ideia é fazer da fábrica de Camaçari um ponto de exportação”, diz Pércio de Souza, presidente do conselho de administração.

Fundada em 1995, em Sorocaba (SP), a Tecsis sempre atuou no setor eólico, tornando-se fornecedora de pás para os principais fabricantes dos mercados da América do Norte, Europa e Ásia. A indústria é também a principal fornecedora da General Electric (GE) e, ainda, da Alstom e da Gamesa, empresas pioneiras na geração de energia eólica no Polo.

Instalada em Camaçari há dois anos, a ampliação da Gamesa vai permitir que a empresa comece a produzir “nacelles”, componentes de tecnologia mecânica e elétrica essenciais nos aerogeradores. Conforme o cronograma da empresa, apresentado em solenidade pública em maio, a construção deve ter início em janeiro de 2014 e até setembro os equipamentos devem estar instalados. A produção deve começar no primeiro trimestre de 2015.

Desde 2011 a Gamesa produz hubs, o núcleo unificador da hélice dos aerogeradores, com capacidade de geração de cerca de 400 megawatts anuais. A empresa tem mais de 15 anos de experiência no setor e está presente em 30 unidades de produção distribuídas por Europa, Estados Unidos, China e Índia, com um total de mais de 10 mil funcionários.

Uma das explicações para a concentração das indústrias de equipamentos de geração de energia eólica em Camaçari, de acordo com o governo estadual, é o potencial da Bahia para o aproveitamento dos ventos de todo o Nordeste brasileiro. Conforme balanço da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração, até o próximo ano o Estado receberá R$ 6,5 bilhões em investimentos no setor, gerando 5 mil empregos na implantação e 500 na operação dos projetos.

Presente na inauguração da fábrica da Torrebrás em Camaçari, o governador Jaques Wagner (PT) disse que a Bahia concentra uma boa parcela do potencial eólico do Brasil e do Nordeste e agora se consolida como centro produtor de equipamentos para a geração dessa energia limpa e ambientalmente correta. “É mais uma etapa dentro de nosso esforço para verticalizar toda indústria da energia dos ventos aqui dentro da Bahia. São mais de 230 empregos diretos e outros 60 indiretos. A chegada da Torrebrás representa mais um avanço nessa indústria, mais emprego para o povo de Camaçari e da Bahia”.

Demonstrando otimismo com o crescimento da indústria de energia eólica no Brasil previsto para os próximos anos, a americana GE planeja uma série de novos investimentos para consolidar sua posição como uma das principais fornecedoras de equipamentos eólicos no país. Segundo o gerente geral de Energias Renováveis da GE Power & Water, Jean-Claude Robert, a companhia investirá em torno de US$ 5 milhões na construção de uma fábrica de aerogeradores, cujas obras devem ter início ainda no segundo semestre deste ano. Ele não revela detalhes sobre a capacidade produtiva e a localização da nova unidade, mas afirma que a intenção da companhia é que a instalação esteja concluída até o dia 1º de janeiro de 2015.

Além da fábrica, a GE inaugurou na Bahia, em junho, seu primeiro centro de serviços de energia eólica no país, com investimento de US$ 1,5 milhão. O suporte à indústria eólica nacional também virá do novo Centro Global de Pesquisas, em fase de construção no Rio de Janeiro, a quinta instalação da GE com essa finalidade no mundo. Consolidada a previsão de que o Brasil vai se tornar uma plataforma de exportação de equipamentos eólicos, a empresa procura tornar essa produção competitiva. Além de competir com os produtos de outras marcas, a unidade brasileira terá que concorrer também com as próprias fábricas da GE em países como Estados Unidos e China.

Fonte: Valor

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