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Porto Digital integra inovação e soluções de transporte

Resultado da ação coordenada entre empresas, governo e academia, o Porto Digital do Recife reúne mais de 200 empresas, três incubadoras, duas instituições de ensino superior e dois institutos de pesquisa nas áreas de software, serviços, tecnologias da informação e economia criativa. Movimenta em negócios mais de R$ 1 bilhão e emprega mais de 6,5 mil pessoas. É o único parque tecnológico aberto do país, já que as empresas e instituições se espalham pela ilha do Bairro do Recife, no chamado centro histórico.

“Costumo dizer que o Porto Digital pede licença ao bairro para ocupar suas ruas e transformá-lo em um grande laboratório urbano, em um espaço de experimentação de novas tecnologias de mobilidade, sustentabilidade e segurança para a melhoria do cotidiano da população do Recife”, diz Francisco Saboya, presidente do Porto Digital.

A licença foi dada aos poucos, ao longo de 12 anos, desde a criação do Porto Digital. Os primeiros sinais das intervenções vieram com a revitalização da área, com a requalificação de antigos edifícios, entre eles as construções do Porto Mídia, o Edifício Vasco Rodrigues, onde está a sede do parque e a sede do ITBC, num total de 50 mil m2. No início deste ano a integração tornou-se ainda mais robusta com a entrada em operação do Porto Leve, um projeto guarda-chuva que abriga seis serviços especiais, como compartilhamento de bicicletas e carros elétricos, estacionamento inteligente, leitura de placas e informações de trânsito e transporte, além de identificação de veículos.

“A concepção do Porto Leve baseia-se no tripé mobilidade, segurança e comodidade para quem frequenta a área”, afirma Cidinha Gouveia, gerente de projetos do Porto Digital. O primeiro serviço a entrar em operação é o de compartilhamento de bicicletas, que permite que o usuário retire uma das cem bicicletas distribuídas em dez estações espalhadas pelo Bairro do Recife, São José e Santo Amaro. Nesta primeira fase foram investidos R$ 1,6 milhão de um montante superior a R$ 5 milhões direcionados ao conceito do Porto Leve como um todo.

Para usufruir do serviço o usuário precisa apenas se cadastrar no aplicativo Porto Leve e pagar uma taxa de R$ 10, pelo mês, ou de R$ 5, pelo dia. As bicicletas estão disponíveis das 8h às 22h e o tempo máximo de uso é de 30 minutos. Se ultrapassado, será cobrada uma taxa adicional de R$ 5. Para usar o serviço mais de uma vez no mesmo dia, é preciso respeitar um intervalo de 15 minutos. As estações são movidas a energia solar e compostas de uma barra de engate para as bicicletas e um totem com a inteligência da estação e o mapa dos três bairros. A tecnologia foi desenvolvida pela Serttel, empresa com sede no Porto Digital, responsável, também, pelos projetos Bike Rio, Bike São Paulo e Bike Porto Alegre.

“Essa é uma grande contribuição que o Porto Digital dá para a cidade do Recife. A utilização das bicicletas se revela não apenas como uma alternativa de transporte, mas também como um símbolo de alternativa sustentável que ela representa”, afirma Saboya. “O objetivo é permitir que a população possa realizar seus deslocamentos dentro dos bairros a partir de uma solução de base tecnológica.” Os resultados já começaram a aparecer. Em nove meses de operação, a iniciativa já somou 6 mil usuários e inspirou dois outros projetos na cidade, o Bike Pernambuco e a ciclovia móvel.

No início de novembro deverá ser instalado o sistema de detecção de vagas, que também funcionará por meio do aplicativo Porto Leve baixado no celular. O objetivo é apontar onde estão as vagas livres para estacionamento na Bairro do Recife, as quais estão cada vez mais raras. Até o fim do ano, o Porto Digital deverá implementar o sistema de leitura de placas, que identificará os veículos que entram e saem do Bairro do Recife, realizando, assim, um verdadeiro mapeamento de tráfego. Num futuro próximo, os usuários de transporte público contarão com um sistema de informações de trânsito e transporte na tela do celular. Segundo Cidinha, o serviço apontará quais linhas de ônibus servem determinada parada, o trajeto e o tempo que levarão para chegar.

A gerente de projetos do Porto Digital observa, contudo, que o sistema de compartilhamento de carros elétricos e o sistema de identificação e bloqueio veicular – que identificará e localizará os carros e, se necessário o bloqueará em caso de emergência -, são os mais complexos e completam o guarda-chuva do projeto Porto Leve, porém sem data ainda para entrar em operação.

Na visão do consultor de cenários e gestão estratégica do Porto Digital, Cláudio Marinho, o Porto Digital é a experiência mais radical de utilização de empresas de tecnologia para revitalizar um centro urbano do Brasil, sem paralelo. “Os parques contribuem para as cidades inteligentes quando estimulam a convivência dos pesquisadores-empreendedores com os problemas da cidade”, diz. “Por isso, têm de se instalar em centros urbanos, fazer parte da cidade e não se isolar. O Porto tem esse modelo desde que foi criado e a tendência é que interaja cada vez mais com o ambiente por meio das tecnologias que desenvolve. É a tecnologia e a inovação servindo de solução para os problemas urbanos”. (KS)

Fonte: Valor

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