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Polo de inovação industrial criado por Obama gera poucos empregos

Na cidade americana de Youngstown, em Ohio, um armazém de mobília que passou muito tempo abandonado foi convertido em um moderno laboratório.

No local, com decoração ao estilo das empresas do vale do Silício (áreas abertas de reunião e banquetas multicoloridas), engenheiros digitam os códigos que instruem as impressoras 3D a criar objetos.

O laboratório é o primeiro dos chamados “polos de inovação industrial” que o presidente Barack Obama lançou com a promessa de que poderiam revitalizar o setor industrial americano e estimular a criação de empregos em comunidades em decadência, caso de Youngstown.

Mas, após mais de um ano em operação, o polo revela os desafios que Obama enfrenta para atingir seu objetivo de criar “um fluxo firme de bons empregos para o século 21”, como disse recentemente.

Um dos maiores desafios é a natureza da inovação das fábricas em si, que em muitos casos reduz, em vez de ampliar, a necessidade de trabalhadores pouco capacitados.

Isso significa que a iniciativa pode ajudar a criar empregos para pessoas com capacitação especializada, como engenheiros, mas faria muito menos pelas pessoas que estão lutando para encontrar emprego depois do fechamento das usinas siderúrgicas de Youngstown.

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As impressoras 3D são um exemplo disso. Depois de programadas e abastecidas de matéria-prima, elas fazem sua mágica praticamente sem interferência humana.

Caso venham a ser empregadas em grande escala, pesquisadores afirmam que um dos principais motivos estaria no fato de que elas usam menos mão de obra do que a indústria tradicional.

O polo de Youngstown está em seus estágios iniciais de operação, mas até agora não há sinais de que tenha gerado impacto mais amplo.

Cerca de 29,6 mil pessoas detinham empregos industriais na área metropolitana de Youngstown em janeiro.

O total é ligeiramente mais baixo do que o número de empregos industriais que existiam quando o governo selecionou Youngstown para o projeto, em agosto de 2012, e do número existente quando ele abriu as portas, em outubro do mesmo ano. O emprego total na região não cresceu em 2013, apesar do aumento das vagas nos EUA.

Gene Sperling, ex-assessor da Casa Branca e criador da iniciativa industrial, disse que a Casa Branca tinha por objetivo o “efeito multiplicador” a ser gerado por novos projetos industriais, que ajudariam a criar também empregos em fornecedores.

Pesquisas de Enrico Moretti, economista da Universidade da Califórnia em Berkeley, constataram que cada emprego industrial sustenta em geral 1,6 emprego adicional fora do setor manufatureiro. Um emprego no setor de tecnologia pode sustentar ainda mais empregos fora do setor, porque os altos salários dos engenheiros e programadores podem promover maiores gastos em restaurantes, lojas e outras empresas.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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