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Participação de pequenos empreendedores digitais cresce 20% em sete anos

Com o aumento de consumidores no mercado on-line e maior acesso à tecnologia, cresce a participação dos pequenos empreendedores digitais, principalmente em atividades ligadas ao comércio pela Internet. São os chamados “PMEs digitais”.

A participação dos pequenos passou de 5% desse mercado para 25% no período de 2005 a 2012, segundo pesquisas e empresas que atuam no e-commerce no Brasil.

São considerados de pequeno porte aqueles empreendedores que, por meio da rede, fazem até 100 vendas por mês. Na categoria médio, entram os que estão na faixa de 100 a 500 negócios fechados em 30 dias. Acima de 500 vendas por mês, estão os empreendedores de grande porte.

“Hoje um quarto do mercado está nas mãos dos pequenos lojistas. Quando as vendas on-line começaram ninguém imaginava que isso poderia ocorrer. Era um mercado para tubarões. Só havia espaço para grandes lojistas do mundo físico com vendas multicanais”, diz Gastão Mattos, presidente da Braspag, empresa que atua em plataformas de pagamento para o comércio eletrônico. “Tudo isso mudou. Os pequenos conseguem espaço e disputam oportunidades para serem grandes. É só olhar para o caso da Dafiti.”

O que explica em parte o crescimento dos pequenos é que muitos empreendedores lançam sites de serviços e produtos “ultra-especializados” em um universo de cerca de 35 milhões de consumidores. Só no ano passado as vendas on-line movimentaram R$ 22,5 bilhões, o que representou crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

Dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e net) mostram que as cerca de 10 mil micro, pequenas e médias empresas já disputam R$ 5 bilhões em negócios realizados nesse mercado, de acordo com informações atualizadas até abril deste ano.

São pequenos negócios que encontram principalmente nos segmentos de moda e acessórios, artigos esportivos, casa e decoração, bebidas e serviços especializados espaço para crescer.

O desempenho e a sobrevivência desses pequenos ainda dependem de questões como planejamento, posicionamento, gestão e atendimento, segundo técnicos do Sebrae e especialistas do setor.

Sete em cada dez empresários virtuais do país consideram que trabalhar com o que gostam é o principal motivo para empreender no mundo digital. Para eles, ter criatividade,

iniciativa, inovação, além de visão estratégica, sã características consideradas fundamentais para conseguir ter um negócio virtual.

As informações constam de pesquisa com 770 empreendedores digitais do país feita pelo Grupo RBS em parceria com o Instituto M. Sense Pesquisa e Inteligência de Mercado (veja quadro ao lado mais detalhes sobre o perfil desses empresários).

Além da falta de recursos financeiros para investir, a ausência de políticas de incentivo do governo e a falta de mão de obra qualificada são as principais dificuldades enfrentadas por esses empreendedores digitais, segundo cita a pesquisa.

MAIS SIMPLES

De olho nesse mercado dos pequenos que atuam no mundo on-line, a Braspag lançou em junho uma nova plataforma para que os pequenos comerciantes consigam reduzir o risco de fraudes, diminuir seus custos operacionais e com isso aumentar as vendas.

“A empresa já atuava no processamento de pagamentos para os grandes do e-commerce. Agora, vamos atender as necessidades de uma parcela do comércio virtual que cresce significativamente. São os chamados PMEs digitais, que podem ter acesso ao MeuCheckout, criado para simplificar as operações de pagamento”, diz Mattos.

Por meio dessa plataforma, diz o executivo, os pequenos podem usar todos os meios de pagamento do mercado (cartões de crédito, de débito e boleto), ter mais segurança nas compras (no sistema de pagamentos os dados são analisados por cerca de 200 variáveis que permitem analisar com mais eficiência se a compra é fraudulenta ou não) e economizar tempo ( a compra é feita em apenas um clique).

“Tivemos contato com pequenos lojistas que chegavam a dispensar até metade de suas vendas por desconfiança do comprador e temer fraudes. Com esse sistema, o coeficiente de risco é mais preciso”, diz Mattos.

Com um pequeno negócio voltado para venda de presentes personalizados, Iran Feliciano montou a Voghj que deve estrear até agosto ou setembro no mundo virtual. Após investir cerca de R$ 80 mil ele espera que o negócio cresça cerca de 40% nos próximos seis meses.

“O nosso desafio é passar da loja física para a virtual. A ideia surgiu após montarmos uma página nas redes sociais e ver que a demanda estava crescendo”, diz o empreendedor. “Com esse sistema simplificado de pagamento, temos autonomia e segurança na venda. Antes para ter essa infraestrutura tinha de recorrer a vários sistemas e não a uma plataforma integrada, o que encarecia os custos em até 10% do nosso faturamento”, diz Feliciano.

A N49 é uma das quatro prestadoras de serviços que desenvolve aplicações digitais e lojas virtuais no sistema de pagamento criado pela Braspag para atender os pequenos comerciantes. Além desse serviço para os pequenos, a empresa também desenvolve projetos para grandes lojistas (Walmart, Camicado, Renner) e outras 30 empresas do mercado.

“O que percebemos é que esse mercado de pequenos é muito mais valorizado hoje. Hoje existe um prestígio maior, antes havia um pouco de desconfiança desse mercado”, diz Rafael Pinto e Silva, 31 , dono da N49. “São empresas que atuam de forma segmentada, que atendem públicos específicos. O potencial de consumo cresceu e eles não querem competir com aqueles que já vendem tudo.”

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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