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Parceria com a Huawei beneficia setor acadêmico

O Brasil está disposto a recuperar o tempo perdido quando se trata de tecnologia da informação, e a computação em nuvem é uma das principais apostas para a reversão desse atraso. A estratégia prevê incentivos para aumentar a competitividade internacional do software brasileiro, com a previsão de R$ 50 milhões em linhas de crédito e outros incentivos às empresas, especialmente micro e pequenas, dispostas a explorar esse mercado. Mas, pelo menos no início, a parceria com empresas que já se destacam mundialmente no setor será fundamental na difusão dessa tecnologia no setor público.

Uma delas, a multinacional chinesa Huawei, fechou contrato de cooperação com o governo, em 2011, e ficará responsável pela doação de equipamentos para instalar dois data centers no país, em Recife e em Manaus, a partir do segundo semestre. Com capacidade para armazenar softwares, arquivos e bibliotecas, esses provedores devem interligar todas as universidades, garantindo o acesso à informação apenas pela internet.

De acordo com o secretário de política de informática do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgílio Almeida, os data centers ficarão instalados em contêineres, que serão transportados até o Brasil de navio, partindo de Hong Kong. O maior deles vai unir três contêineres e será instalado no Recife. O segundo, unindo dois contêineres, será implantado em Manaus. “A capacidade de armazenamento é em petabyte. O equivalente a um quatrilhão de bytes, capacidade suficiente para comportar os dados de todas as bibliotecas e pesquisas acadêmicas do EUA”, compara.

O acordo de cooperação, segundo Almeida, foi um dos temas da primeira visita da presidente Dilma Rousseff à China, quando houve encontros entre comitivas de empresários brasileiros e locais de vários setores.

O Brasil ficará com o custo da montagem da base onde serão instalados os contêineres, além do fornecimento de energia elétrica. “Com essa capacidade de armazenagem de dados, será possível acessar o conteúdo de aulas, vídeos, cursos, e disponibilizá-los para toda a comunidade acadêmica.”

O próximo passo será a criação de mecanismos que permitam o acesso ao sistema para outras esferas do governo. Um trabalho mais delicado, devido ao risco de vazamento e má utilização das informações. Para tratar do tema, foi criado um Comitê Interministerial de Computação, encarregado de definir padrões de segurança, privacidade e controle de qualidade. “Quando se trata de internet, a facilidade de acesso é maior, porém os riscos de vazamento de dados e informações confidenciais também. Até o final deste ano as regras devem estar ajustadas, para que o serviço possa entrar em funcionamento, operado por pessoas especializadas, o que também exige tempo de treinamento” diz.

Já a maior Universidade Público do país, a Universidade de São Paulo (USP) saiu na frente na corrida pela implementação da computação em nuvem, ao garantir R$ 200 milhões no orçamento para viabilizar o sistema. A maior parte do dinheiro será aplicada na construção de Internet Data Centers (ICDs), que deverá abrigar um conjunto de supercomputadores formando a “nuvem”. Esta, por sua vez, vai concentrar as informações hoje contidas nos sistemas de computação convencionais da universidade, distribuídos entre o campus da capital, Piracicaba, São Carlos e Ribeiro Preto, com garantia de cópias de segurança realizadas por equipes especializadas.

Com a iniciativa, a USP tonar-se a primeira universidade brasileira a utilizar intensivamente o novo sistema de computação, já comum em universidades estrangeiras, como Harvard e Massachussets Institute of Technology (MIT). “A adoção desse projeto arrojado é uma das decisões estratégicas para fazer com que a USP tenha lugar cativo entre as universidades de ponta do mundo”, afirma o reitor João Grandino Rodas.

Economia e sustentabilidade são outras vantagens apontadas pela reitoria, já que o “cloud computing” reduz o acúmulo de computadores obsoletos, além da redução de gastos com a conta de energia elétrica e de água, investimentos em segurança patrimonial, espaços físico e recursos humanos.

Na Nuvem Usp, os serviços acontecem em três domínios: corporativo, educacional e científico. O primeiro engloba os serviços de correio eletrônico, pagamentos, emissão de diplomas, convênios e contratos. Já o educacional trata de atividades essenciais da universidade, garantindo acesso a conteúdos educacionais em mídias digitais, na graduação e pós graduação. Enquanto no domínio científico é voltado às atividades de investigação científica, com ênfase no armazenamento dos dados e resultados obtidos.

A primeira etapa, encerrada no fim do ano passado, consistiu na criação de um serviço de correio eletrônico próprio, com direito a novas ferramentas de comunicação e colaboração. A segunda etapa, iniciada em janeiro, coloca o sistema em aperfeiçoamento por meio de discussão e sugestões feitas pelos próprios usuários, com base nas dificuldades encontradas no uso dos serviços em nuvem.

Também está previsto o treinamento de pessoal especializado na operação dos novos sistemas. “Criamos infraestrutura e esperamos que outras unidades analisem as vantagens oferecidas pelo sistema”, diz o superintendente de Tecnologia da Informação (TI), Gil da Costa Marques.

Fonte: Valor Econômico

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