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Países promovem startups no Mobile World Congress

Bastava um despretensioso giro pelos pavilhões do Mobile World Congress, evento sobre o mercado móvel que ocorreu durante a última semana em Barcelona, para se deparar com estandes de países como Irlanda, Grécia, Turquia, Áustria, Suécia, Israel, Marrocos, França, Estônia ou Espanha.

No total, eram 41 países presentes. Dentro deles, startups dividiam o espaço obtido por agências de exportação de seus governos para apresentar suas soluções, encontrar clientes, investidores e, finalmente, selar negócios. Por serem ainda pequenas, as empresas aproveitavam a conveniência de pagarem menos para estarem ali, já que o respectivo país arcava com a maior parte dos custos.

Na ponta do lápis, cada metro quadrado custa em torno de A 1 mil. O custo de construção do estande em si, não sairia por menos de A 400, também por metro quadrado. Isso significa que para se arcar com um estande básico e no tamanho padrão da feira, com cerca de 20 metros quadrados, os pequenos empreendedores teriam de desembolsar no mínimo A 28 mil, ou R$ 90 mil. Dentro dos estandes nacionais o custo era de, em média, A 5 mil euros (R$ 16 mil).

Michele Portugal trabalha há oito anos para a agência governamental Ubifrance, responsável pelo estande das empresas francesas no MWC. Nesta edição, a caravana veio com 120 startups. Antes da feira, cada governo envia representantes para dezenas de outros países para articular uma rede de possíveis clientes. “Eles conversam muito com operadoras, fabricantes, os próprios governos; assim, quando começa o evento nossas startups já tem uma agenda de reuniões programadas com todos. Foram 250 encontros nessa edição”, diz.

O analisa sueco Johan Fagerberg dava voltas em torno do estande francês, buscando bons contatos. “Todas as pessoas certas estão aqui, estou atrás delas para trocar cartões e melhorar meu trabalho”, diz. Acrescentou que se o Brasil estivesse na feira, certamente visitaria o estande para entender melhor o País de que “tanto falam” na Europa.

Boas Albaranes, de Israel, fazia o trabalho de articulação em países do sudeste asiático e na África. Neste ano, o funcionário do Ministério da Economia tem a missão de construir a mesma rede no Brasil. O estande do país, com 70 empresas nesta edição, alcançou a marca de 3 mil “meetings”. Sem saber nem duas palavras em português, Albaranes ficará em São Paulo, em um escritório com 10 pessoas. “O Brasil é um mercado difícil, caro, mas muito interessante para startups por conta do seu tamanho e da explosão da classe média”, avalia.

Destoando dos grandes estandes bem iluminados, está o do Estado americano de Illinois, que veio com sete empresas por conta própria. “O resto das empresas americanas tem estande próprio, nós viemos em grupo para reduzir custos, mas está sendo ótimo”, contou Kyle Selph, da Sennco Solutions. Também fora do eixo europeu, está o Marrocos, pelo segunda vez na feira. “Ano passado fechamos um bom volume de negócios, por isso voltamos”, contou Souhail El Ballaoui, da agência de exportação do país.

Logo ao lado, no estande do Canadá, Maarten Kronenburg, da Pika Technologies, observa o estande marroquino. “Quem sabia do potencial do Marrocos para tecnologia? E aqui estão eles. Estar aqui dispensa a gente de muitas e muitas viagens de negócios que às vezes não dão em nada”, diz o empresário.

De fora

O Brasil nunca participou do Mobile World Congress. Para esta edição, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) havia preparado desde novembro uma ação para o evento, segundo Rafael Moreira, diretor de Políticas de Tecnologias da Informação e Comunicação do ministério, mas acabou cancelado por “questões internas do governo”. “Tivemos problemas na análise do orçamento pela consultoria jurídica. Tínhamos deslocado quase R$ 2 milhões para isso, mas não conseguimos,” explicou.

O secretário de Política de Informática do MCTI e responsável pelo programa Start-Up Brasil, Virgílio Almeida, passou um dia no MWC deste ano, mas só para participar da reunião de um dos comitês internacionais que participarão da Reunião Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet, que ocorrerá em São Paulo, nos dias 23 e 24 de abril. “Consideramos a internacionalização algo que aumenta a capacidade de competição das startups”, disse, antes de afirmar que o foco agora é no SXSW (South by Southwest), evento de música e tecnologia em Austin, no Texas, que se tornou relevante no circuito da inovação e acontece esse ano entre 7 e 16 de março.

“O processo de seleção das startups leva em consideração o interesse da startup e da aceleradora, a maturidade e a capacidade de ela se internacionalizar”, disse, listando ainda as pequenas empresas brasileiras BrainOn Games, Convenia, Dr. Fun, LoveMondays, Mobgeek e PayParking como presenças garantidas no SXSW.

Geeksphone é história de êxito da MWC anterior

Na MWC do ano passado, o Link conversou com uma pequena marca de celular, praticamente escondida dentro do estande espanhol. Era a Geeksphone, que havia emplacado o primeiro dispositivo com sistema operacional Firefox. De lá para cá, a firma se aliou ao Silent Circle, empresa de Phil Zimmermann, criador do popular sistema PGP, de criptografia de e-mails e VoIP, e, embalados pelo “Efeito Snowden”, criaram o Blackphone.

O aparelho se apresenta como um dispositivo totalmente seguro para ligações, mensagens e e-mail. Neste ano, ganharam mais destaque, embora ainda sigam dentro do estande oficial da Espanha. “Estamos gratos pelo espaço. Nesses quatro dias fechamos muitos negócios com gente de todos os lugares. Mas ano que vem teremos estande próprio”, diz o cofundador Jon Callas, logo após trocar cartão com um chinês interessado em distribuir os tais celulares em sua empresa.

O Blackphone será vendido em junho pela internet, mas não estranhem se toparem com um desses em lojas no Brasil. “Estamos com conversas bem avançadas com empresas brasileiras, mas não posso dizer nada mais que isso”, revelou.

Fonte O Estado de São Paulo

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