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Novos programas destravam recursos

A liberação de recursos públicos para pesquisas em inovação nas empresas está ficando mais simples no Brasil. Com processos burocráticos mais enxutos, mais investimentos começam a ser destravados para esse fim.

“Há um volume razoável de recursos disponíveis. Mas as empresas perdem muito dinheiro com burocracia, prestação de contas e demoras”, diz Naldo Dantas, secretário-executivo da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras). “Para cada R$ 1 levantado, R$ 20 se vão em burocracia.”

Isso faz com que grandes companhias tenham equipes especializadas em caçar editais e estudar seus meandros.

“As pequenas empresas, que não têm isso, não sabem por onde começar. O sócio gasta horas procurando editais e projetos, mas acaba desistindo”, afirma Tiara Bicalho, especialista de fomento da consultoria Inventta+bgi.

Há algumas iniciativas para tentar acelerar o processo. No ano passado, a Finep (Agência Brasileira da Inovação) começou a usar uma nova metodologia para reduzir a avaliação dos planos de inovação das empresas para 30 dias –em 2011, o tempo médio para crédito na instituição ultrapassava 450 dias.

Neste ano, a agência prevê liberar R$ 5,5 bilhões em recursos para inovação, mais que o dobro dos R$ 2,5 bilhões de 2013. Até este mês, porém, foram R$ 3,3 bilhões.

Outro programa, lançado de forma piloto em 2012 e que começou a deslanchar neste ano, parece estar conquistando o setor privado pela facilidade de contração. Trata-se da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), organização social criada pelo pelo MCTI (Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação) que recebe recursos também do Ministério da Educação.

O modelo é comum no exterior. O Embrapii financia até um terço dos projetos; institutos de pesquisas credenciados, outro terço, e as empresas, a terceira parte.

Atualmente, há 13 institutos credenciados, entre eles o IPT, o Cimatec (Bahia) e a Coppe/UFRJ. Na fase piloto (2012-14), foram contratados 66 projetos, um total de R$ 184 milhões. Até 2019, o Emprapii prevê investimentos de R$ 570 milhões –consideradas as fatias de institutos e empresas, o volume triplica para quase R$ 1,8 bilhão.

O pulo do gato é a liberação prévia dos recursos para os institutos de pesquisa, antes mesmo da definição dos projetos. Constituídos como entes privados, os institutos é que celebram os acordos com as empresas. Uma vez firmados os contratos, os recursos são liberados e não há necessidade de prestar contas de cada centavo gasto.

Contratos de pesquisa entre empresas e universidades, que envolvem o compartilhamento de direitos de propriedade intelectual, podem levar de um até dois anos para serem firmados. Os contratos no âmbito do Embrapii saem em poucos meses.

“As empresas preferem arcar com uma parte maior de investimentos se for para ter os recursos liberados mais rapidamente e os contratos firmados com mais agilidade”, diz Dantas.

BOLSA TRAINEE

Outro programa novo que desperta interesse empresarial é o Inova Talentos (RHAE Trainee), que concede bolsas para pesquisadores. Parceria do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o programa tem como objetivo ampliar a presença de pesquisadores nas empresas.

No Brasil, a maioria dos pesquisadores faz carreira na academia; apenas 30% são atraídos pela iniciativa privada. No Japão e nos EUA, a proporção se inverte, com cerca de 70% dos pesquisadores atuando em empresas.

O CNPq financia a remuneração, pelo período de 12 meses, de estudantes de graduação ou de mestrado ou graduados com até três anos de formado. Os repasses por trainee variam de R$ 1.500 a R$ 3.000 mensais. As empresas entram com uma contrapartida de R$ 20 mil por ano, e o CNPq, de R$ 100 mil.

Lançado há um ano, o programa está na terceira chamada e já concedeu 511 bolsas a centenas de empresas no país. O orçamento previsto é de R$ 56 milhões até 2016.

Ao longo do período de estágio nas áreas de tecnologia de produção ou gestão, os bolsistas são acompanhados pelo IEL e concorrem a prêmios, como uma viagem técnica para um centro de referência mundial relacionada à área do projeto.

Para o secretário-executivo da Anpei, uma área de extrema importância para a inovação e que carece ainda programas mais abrangentes é a subvenção para bancar as fases iniciais do desenvolvimento de um novo produto.

“No mundo inteiro isso é feito com repasse de recursos públicos a fundo perdido. A gente pensa nas empresas americanas como grandes investidoras, mas a verdade é que o desenvolvimento de produtos como o iPod ou o iPhone contaram com recursos públicos para a realização de testes de conceitos e prototipagem”, diz Dantas.

O único programa existente no país para custear investimentos com testes de conceito e criação de protótipos é o Pipe, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), voltado para pequenas empresas.

O programa existe desde 1997 e concede até R$ 200 mil para a realização de testes de conceito e até R$ 1 milhão para prototipagem.

“Há muita start-up rompendo barreiras e decolando com esse programa. Mas ele está restrito a empresas com sede no estado de São Paulo”, diz Dantas. “É preciso replicar isso em todo o Brasil.”

Fonte: Folha de São Paulo

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